terça-feira, 31 de julho de 2012

Mercado em vigília.




As bolsas europeias operam com pequenas quedas, alternando-se entre 0,1% e 0,5% negativos. Os futuros dos EUA também oscilam levemente, mesmo que os dados positivos da economia possam nos fazer suspeitar que há algum motivo para otimismo. O fato é que estamos à espera do anúncio de medidas que podem retirar um peso enorme das costas das economias europeia, ou podem afundá-las de vez. Até que o plano de recompra das dívidas esteja completamente desenhado e seja anunciado, os mercados continuarão oscilando sem direção, com os agentes atentos ao menor sinal de novidades.

Hoje começa a reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve Bank e muita gente aguarda por algum sinal acerca da estratégia de estímulos que Ben Bernanke tem anunciado como provável. Todos esperam pela divulgação do comunicado a ser divulgado amanhã à tarde, ao final da reunião. Ali será possível, ou não, encontrar os indícios das ações da autoridade monetária. O mesmo vale para a reunião do BCE na quinta, quando Draghi pode anunciar, ou não, algum indício do que será efetivamente o pacote de estabilização das dívidas soberanas. É evidente que antes de qualquer anúncio, nenhum grande movimento será feito.

Hoje foram divulgadas as estatísticas do mercado de trabalho europeu e os 17 países da zona do Euro mostraram uma taxa de desemprego de 11,2%, dentro do esperado pelos analistas. Esse número reflete a desocupação de 17,8 milhões de pessoas, a mais alta desde a criação do euro. Na Alemanha a taxa atingiu 6,8%, mantendo o número de junho, com 2,9 milhões de desempregados.

Nos EUA, os dados econômicos foram melhores do que se esperava. A renda pessoal dos americanos subiu 0,5% em junho, ante uma expectativa de 0,4% e o índice de preços de casas de maio, S&P Case Schiller veio com 0,9% de alta, contra as estimativas de 0,5%. O índice subiu forte pelo terceiro mês consecutivo, vindo com 0,8% em março e em 0,7% em abril. O índice PMI da região de Chicago veio em 53,7, contra as expectativas de 52,5 e, finalmente, o índice de confiança dos consumidores veio em 65,9, ante as expectativas de 61,5.

Em relação ao índice de confiança dos consumidores, o gráfico abaixo, da Bloomberg mostra sua correlação com o volume de vendas no varejo, dando a entender que uma alta dele, induz a uma alta das vendas:






Como ilustra o gráfico, esse dado pode indicar que as vendas do varejo, que vêm em queda desde o ano passado, podem inverter essa tendência, já que a confiança dos consumidores está em alta. Esse também pode ser o sinal dado pelo índice de preços das residências, cuja alta implica em melhora do segmento que é visto como o potencial “motor” de uma recuperação da economia dos EUA.

Acontece que esses indicadores estão inseridos em um  contexto que ainda é de encolhimento do mercado de trabalho, que apesar de criar vagas, ainda não o faz em um ritmo para assegurar a recuperação e de outros indicadores de atividade, como a produção industrial e as vendas do varejo. Fica, então, o sentimento de que o FED ainda precisará fazer mais para assegurar alguma recuperação em 2012.

Essa “divisão” nas estatísticas sobrea economia acaba se refletindo nas posições dos dirigentes do banco central, de analistas e políticos. Há quem acredite que a economia dos EUA dispensa novos estímulos, chegando mesmo a acreditar que eles podem ser negativos, por estimular a inflação.

Os mercados continuarão atentos aos novos sinais, esperando pelos pacotes. Esses dados de hoje, nos EUA, ao mostrarem um pouco mais de otimismo, podem fazer com que as chances do Q3 sejam vistas como menores.

 

Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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