Mario Draghi, presidente do BCE, prometeu
fazer o quer for possível para atender as demandas da Espanha e da Itália no
sentido de estabilizar as suas dívidas soberanas. Além das afirmações de
Draghi, o mercado especula sobre a hipótese de utilização do ESM (fundo de
estabilização) para a compra de títulos das dívidas dos países problemáticos. Ainda
que nada tenha sido efetivamente anunciado, o mercado foi levado a acreditar
que algo está sendo feito para evitar que a evolução dos preços das dívidas continue
a caminhar rapidamente para o colapso. Para mitigar de fato a possibilidade
de explosão dos riscos soberanos, o BCE tem que anunciar rapidamente o que vai
fazer para estabilizar os preços. Acreditamos, portanto, que esse anúncio,
sozinho, pode piorar o quadro em alguns dias, caso o BCE não consiga ajustar
sua agenda à necessidade da Espanha e da Itália de socorro urgente.
Nos EUA, além dos resultados
corporativos, foram anunciados dois indicadores de atividade importantes. O de
encomendas de bens duráveis veio com um ótimo resultado para o número total,
mas com um número bastante ruim se forem excluídas as comprar militares de
aeronaves e outros equipamentos. O número total veio com +1,6% em junho,
contra 1,1% em maio e uma expectativa de
+0,3%. Já o número de encomendas sem as compras do governo sofreu queda
expressiva, de -1,1% contra uma expectativa de alta de 0,2%. Abaixo o gráfico
da Bloomberg sobre o total de encomendas:
Como pode ser notado, o número total foi bem
satisfatório, pelo segundo mês consecutivo. O mercado olhou mais para esse
número e desprezou o dado sem as compras do governo.
Os dados do mercado imobiliário vieram
contradizendo as expectativas mais otimistas segundo as quais é o setor que vai
puxar a recuperação da economia. Ontem saíram os dados de vendas de casas
novas, com 350 mil casas, em termos anuais, contra uma expectativa de 370 mil.
O gráfico abaixo mostra o comportamento das vendas:
O número voltou a cair, após subir três
meses consecutivos. Hoje foi divulgado o número de vendas pendentes, ou seja,
do número de contratos de vendas assinados no mês de junho. A expectativa do
mercado era de uma alta de 0,9% e vaio uma queda de -1,4%. Os dados de maio
também foram revisados para baixo, de 5,9% para 5,4%. Esse dois dados confirmam
que o setor ainda está longe de ser o “carro chefe” de uma recuperação nos EUA.
O comportamento das bolsas nos EUA
confirmam nossa suspeita de que há uma enorme divisão de expectativas. Os setores de analistas e gestores que lá
acreditam que o setor imobiliário puxará uma recuperação forte no segundo
semestre, a despeito do que ocorrer nos EUA, tiveram peso ontem depois da divulgação
dos dados ruins do mercado imobiliário. O mercado inverteu a trajetória de alta
e caiu significativamente. Hoje, ao contrário, o mercado ignorou os dados do
setor imobiliário para se entusiasmar com o discurso de Mario Draghi. Esses
eventos mostram que a volatilidade, acima de tudo, é o que promete subir mais
nas próximas semanas.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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