quinta-feira, 26 de julho de 2012

Draghi leva alívio aos mercados.



Mario Draghi, presidente do BCE, prometeu fazer o quer for possível para atender as demandas da Espanha e da Itália no sentido de estabilizar as suas dívidas soberanas. Além das afirmações de Draghi, o mercado especula sobre a hipótese de utilização do ESM (fundo de estabilização) para a compra de títulos das dívidas dos países problemáticos. Ainda que nada tenha sido efetivamente anunciado, o mercado foi levado a acreditar que algo está sendo feito para evitar que a evolução dos preços das dívidas continue a caminhar rapidamente para o colapso. Para mitigar de fato a possibilidade de explosão dos riscos soberanos, o BCE tem que anunciar rapidamente o que vai fazer para estabilizar os preços. Acreditamos, portanto, que esse anúncio, sozinho, pode piorar o quadro em alguns dias, caso o BCE não consiga ajustar sua agenda à necessidade da Espanha e da Itália de socorro urgente.

Nos EUA, além dos resultados corporativos, foram anunciados dois indicadores de atividade importantes. O de encomendas de bens duráveis veio com um ótimo resultado para o número total, mas com um número bastante ruim se forem excluídas as comprar militares de aeronaves e outros equipamentos. O número total veio com +1,6% em junho, contra  1,1% em maio e uma expectativa de +0,3%. Já o número de encomendas sem as compras do governo sofreu queda expressiva, de -1,1% contra uma expectativa de alta de 0,2%. Abaixo o gráfico da Bloomberg sobre o total de encomendas:




Como pode ser notado, o número total foi bem satisfatório, pelo segundo mês consecutivo. O mercado olhou mais para esse número e desprezou o dado sem as compras do governo.

Os dados do mercado imobiliário vieram contradizendo as expectativas mais otimistas segundo as quais é o setor que vai puxar a recuperação da economia. Ontem saíram os dados de vendas de casas novas, com 350 mil casas, em termos anuais, contra uma expectativa de 370 mil. O gráfico abaixo mostra o comportamento das vendas:





O número voltou a cair, após subir três meses consecutivos. Hoje foi divulgado o número de vendas pendentes, ou seja, do número de contratos de vendas assinados no mês de junho. A expectativa do mercado era de uma alta de 0,9% e vaio uma queda de -1,4%. Os dados de maio também foram revisados para baixo, de 5,9% para 5,4%. Esse dois dados confirmam que o setor ainda está longe de ser o “carro chefe” de uma recuperação nos EUA.

O comportamento das bolsas nos EUA confirmam nossa suspeita de que há uma enorme divisão de expectativas.  Os setores de analistas e gestores que lá acreditam que o setor imobiliário puxará uma recuperação forte no segundo semestre, a despeito do que ocorrer nos EUA, tiveram peso ontem depois da divulgação dos dados ruins do mercado imobiliário. O mercado inverteu a trajetória de alta e caiu significativamente. Hoje, ao contrário, o mercado ignorou os dados do setor imobiliário para se entusiasmar com o discurso de Mario Draghi. Esses eventos mostram que a volatilidade, acima de tudo, é o que promete subir mais nas próximas semanas.






Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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