segunda-feira, 2 de julho de 2012

Queda de 45,4% da balança comercial pode ser explicada pela crise na Europa.

O saldo comercial acumulado no primeiro semestre desse ano, de US$ 7,07 bilhões é 45,4% menor que o do ano passado, de US$ 12,959 bilhões. Tomando-se a queda das exportações para os 27 países da União Europeia, de 7% em relação ao ano passado, e equivalente ao total de queda de nossas exportações e a alta das importações, de 9,1%, representou 44% da altas de todas as nossas importações. Somando-se a queda das exportações e a alta das importações com a União Europeia, o Brasil perdeu quase US$ 7 bilhões de saldo na balança comercial e desse total, US$ US$ 3,6 bilhões foram com o bloco econômico, ou 60% da queda total do saldo comercial do semestre. O quadro abaixo mostra as evoluções entre 2011 e 2012:






O mecanismo pelo qual essa piora do balanço comercial com o bloco ocorre é o da diferença ente a taxa de crescimento de nossa demanda doméstica e a taxa de queda da demanda doméstica dos europeus. O que eles deixam de consumir, por conta do desemprego elevado, que chegou aos 10,3%, é pressionado a ser vendido no resto do mundo, e o que era antes consumido simplesmente deixa de ser consumido. Independente da taxa de câmbio praticada entre o Brasil e bloco no primeiro semestre, o que prevaleceu foi a absoluta falta de demanda na Europa para os nossos bens e os bens produzidos por eles. Apesar de ainda termos um saldo comercial positivo com o bloco, ele caiu de US$ 4 bilhões no ano passado para US$ 400 milhões esse ano.

Os efeitos sobre nossa balança comercial também se refletem nas relações comerciais com outros países, que são compradores de nossas mercadorias. Se as compras globais da Europa são reduzidas, esses países passam a comprar menos do Brasil e a taxa de crescimento de nossas exportações nesse período, de queda de 1,7% é satisfatoriamente explicada pelo evento “crise europeia”.

O comportamento da balança comercial explicita que todas as ações isoladas do Brasil para incentivar sua economia ou suas relações de comércio com o resto do mundo são limitadas pela gravidade da crise global. A queda do saldo nos faz acender uma luz de alerta e nos mostra que a crise europeia afeta a todos, por diversos canais.



Pedro Paulo Silveira (Economista)
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