O mecanismo pelo qual essa piora do
balanço comercial com o bloco ocorre é o da diferença ente a taxa de
crescimento de nossa demanda doméstica e a taxa de queda da demanda doméstica
dos europeus. O que eles deixam de consumir, por conta do desemprego elevado,
que chegou aos 10,3%, é pressionado a ser vendido no resto do mundo, e o que
era antes consumido simplesmente deixa de ser consumido. Independente da taxa
de câmbio praticada entre o Brasil e bloco no primeiro semestre, o que
prevaleceu foi a absoluta falta de demanda na Europa para os nossos bens e os
bens produzidos por eles. Apesar de ainda termos um saldo comercial positivo
com o bloco, ele caiu de US$ 4 bilhões no ano passado para US$ 400 milhões esse
ano.
Os efeitos sobre nossa balança comercial
também se refletem nas relações comerciais com outros países, que são
compradores de nossas mercadorias. Se as compras globais da Europa são
reduzidas, esses países passam a comprar menos do Brasil e a taxa de
crescimento de nossas exportações nesse período, de queda de 1,7% é
satisfatoriamente explicada pelo evento “crise europeia”.
O comportamento da balança comercial
explicita que todas as ações isoladas do Brasil para incentivar sua economia ou
suas relações de comércio com o resto do mundo são limitadas pela gravidade da
crise global. A queda do saldo nos faz acender uma luz de alerta e nos mostra
que a crise europeia afeta a todos, por diversos canais.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
3027-3101 Email: pedrosilveira@tov.com.br
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