sexta-feira, 20 de julho de 2012

Espanha piora novamente. IPCA-15 tem alta acima das expectativas.


 
A dívida espanhola está sendo negociada com forte queda, apesar da aprovação do pacote de ajuste de 60 bilhões de euros, por parte do legislativo, e da aprovação do pacote de resgate do sistema bancário, por parte do legislativo alemão. Hoje a província de Valencia solicitou ajuda ao governo federal para conseguir cumprir seus compromissos, assumindo, de fato, a sua situação de insolvência. Além disso, os protestos em diversas cidades do país sinalizam para uma situação política que tende a se agravar. Hoje o prêmio de risco da dívida espanhola bateu novo recorde, atingindo mais de 600 pontos de prêmio sobre o título da dívida alemã. Abaixo, gráfico do jornal El País:





O governo Rajoy baixou sua estimativa de crescimento para 2013, apontando para nova retração de 0,5%. O Fundo Monetário Internacional trabalha com uma retração de 1,5% nesse ano e uma de 0,5% no ano que vem. Porém, diante da dimensão do pacote de ajuste aprovado pelo legislativo, essa queda da renda espanhola será muito maior se o plano for, efetivamente implementado.

O IBGE divulgou o IPCA-15 do mês e ele veio em 0,33%, acima das expectativas que tinham uma média de 0,18%. Dessa alta, 0,20%, ou 60% de todo o aumento se deveu ao grupo alimentos, sobretudo os in natura, que tiveram forte alta associada à condições climáticas. Ou seja, a inflação dos primeiros quinze dias de julho se deveu basicamente ao frio que prejudicou as culturas de alimentos in natura que têm forte peso nesse índice. Esse aumento da inflação reflete a falta de um índice que extraia as variações sazonais dos alimentos, permitindo uma visão mais clara da inflação brasileira. A política monetária brasileira ainda é refém desse comportamento dos alimentos, coisa que não acontece em outros países. Neles os bancos centrais observam o núcleo da inflação, que desconsidera essas variações sazonais que amentam o ruído sobre a política monetária. Outro item que acelerou a inflação foi o aumento de “empregado doméstico”, com alta de 1,37%.

O panorama inflacionário vai piorar fortemente no segundo semestre por conta da forte alta dos preços internacionais de grãos, decorrente da forte quebra da safra dos EUA. Esse evento pressionará alimentos e combustíveis no Brasil por boa parte do ano, já que seus efeitos são amplos, atingindo alimentos industrializados, óleos, rações e combustíveis. Essa pressão inflacionária, que já está afetando o IGP-M deverá chegar ao IPCA, que é o alvo da política monetária. É de se esperar que o governo tenha inclinação para atuar topicamente em alguns mercados para atenuar os efeitos desse choque, como forma de evitar um aumente das taxas de juros. Nas próximas semanas veremos mais de perto os efeitos de choque, que levou o preço da soja a bater recorde ontem, acumulando uma alta de 39% no ano.

O entusiasmo de ontem deve abandonar os investidores hoje, que ficarão por conta da crise espanhola e da alta inesperada do IPCA-15.





Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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