segunda-feira, 16 de julho de 2012

Varejo nos EUA surpreende para baixo, FMI piora avaliação para economia global .



Com as expectativas em +0,2%, os dados vieram em -0,5%, pelo terceiro mês consecutivo. Foi o suficiente para jogar os mercados para baixo, inclusive o Brasil, que só se segura por conta de Petrobrás que está no “zero a zero”. Abaixo o gráfico Bloomberg atualizado:






Desemprego em alta, investimentos paralisados e o mercado imobiliário sem sinais de recuperação. Todo o esforço de estímulo monetário do Federal Reserve continua se mostrando insuficiente para empurrar a maior economia do planeta para frente.

Já comentamos que os estímulos monetário, por si mesmos, são insuficientes para fazer as engrenagens do crescimento funcionarem. Com a baixa demanda global, com elevado desemprego e baixa propensão a investir, a moeda bombeada pelo FEd para os bancos acaba “empoçada” ali. No mês passado abordamos essa questão ilustrando-a com uma gráfico que mostra a relação entre a moeda emitida pelo FED (Base Monetária) e a moeda à disposição da sociedade (M1). Abaixo o gráfico:




Como pode ser observado a relação entre o total de moeda e o emitido pelo FED caiu fortemente e se mantém em níveis baixos, indicando que uma parte significativa das emissões do banco central acabam ficando em poder dos bancos que não conseguem (ou não querem) repassá-la para frente. Daí que mais dinheiro emitido pelo FED não tenha significado, até agora, mais crescimento.

Também foi divulgado o relatório de Perspectivas Econômicas Globais e o de Estabilidade financeira. Ambos mostram um Fundo Monetário mais preocupado com as perspectivas globais. A redução do crescimento esperado e o alerta para o aumento da fragilidade financeira global mostram que o os técnicos do Fundo continuam a ver com ceticismo o quadro europeu e suas consequências para as economias emergentes. Seguindo a revista The Economist, que em seu último número trouxe matéria sobre o sistema de crédito no Brasil, o FMI sugere cautela para avaliação de nosso sistema bancário. Como observado pelos editores da revista inglesa, a proporção entre o estoque de crédito e o PIB dobrou nos últimos anos, chegando a 50%. Um aumenta da inadimplência, como decorrência da desaceleração da economia, pode levar a um “tranco’ mais forte para a nossa economia e nosso sistema bancário do que estamos acostumados a ver. Ainda que a revista insista em não olharmos o novo quadro sob pânico, ela nos sugere cautela. Em nossa avaliação, nesse novo ciclo de desaceleração da economia brasileira, é a partir do comportamento do crédito, e suas inevitáveis consequências sobre o sistema bancário, que teremos os piores pesadelos para nossa economia.

A redução da estimativa para o crescimento global já havia sido antecipada pelam diretora do FMI, Christine Lagarde. No Comentário de amanhã, faremos nossa avaliação dos relatório do Fundo Monetário Internacional.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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