Com as expectativas em +0,2%, os dados
vieram em -0,5%, pelo terceiro mês consecutivo. Foi o suficiente para jogar os
mercados para baixo, inclusive o Brasil, que só se segura por conta de
Petrobrás que está no “zero a zero”. Abaixo o gráfico Bloomberg atualizado:
Desemprego em alta, investimentos paralisados
e o mercado imobiliário sem sinais de recuperação. Todo o esforço de estímulo
monetário do Federal Reserve continua
se mostrando insuficiente para empurrar a maior economia do planeta para
frente.
Já comentamos que os estímulos monetário,
por si mesmos, são insuficientes para fazer as engrenagens do crescimento funcionarem.
Com a baixa demanda global, com elevado desemprego e baixa propensão a investir,
a moeda bombeada pelo FEd para os bancos acaba “empoçada” ali. No mês passado
abordamos essa questão ilustrando-a com uma gráfico que mostra a relação entre
a moeda emitida pelo FED (Base Monetária) e a moeda à disposição da sociedade
(M1). Abaixo o gráfico:
Como pode ser observado a relação entre o
total de moeda e o emitido pelo FED caiu fortemente e se mantém em níveis
baixos, indicando que uma parte significativa das emissões do banco central
acabam ficando em poder dos bancos que não conseguem (ou não querem) repassá-la
para frente. Daí que mais dinheiro emitido pelo FED não tenha significado, até
agora, mais crescimento.
Também foi divulgado o relatório de
Perspectivas Econômicas Globais e o de Estabilidade financeira. Ambos mostram
um Fundo Monetário mais preocupado com as perspectivas globais. A redução do crescimento
esperado e o alerta para o aumento da fragilidade financeira global mostram que
o os técnicos do Fundo continuam a ver com ceticismo o quadro europeu e suas
consequências para as economias emergentes. Seguindo a revista The Economist, que em seu último número
trouxe matéria sobre o sistema de crédito no Brasil, o FMI sugere cautela para
avaliação de nosso sistema bancário. Como observado pelos editores da revista
inglesa, a proporção entre o estoque de crédito e o PIB dobrou nos últimos
anos, chegando a 50%. Um aumenta da inadimplência, como decorrência da
desaceleração da economia, pode levar a um “tranco’ mais forte para a nossa
economia e nosso sistema bancário do que estamos acostumados a ver. Ainda que a
revista insista em não olharmos o novo quadro sob pânico, ela nos sugere
cautela. Em nossa avaliação, nesse novo ciclo de desaceleração da economia
brasileira, é a partir do comportamento do crédito, e suas inevitáveis consequências
sobre o sistema bancário, que teremos os piores pesadelos para nossa economia.
A redução da estimativa para o crescimento
global já havia sido antecipada pelam diretora do FMI, Christine Lagarde. No Comentário
de amanhã, faremos nossa avaliação dos relatório do Fundo Monetário
Internacional.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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