As bolsas europeias operam com pequenas quedas,
alternando-se entre 0,1% e 0,5% negativos. Os futuros dos EUA também oscilam
levemente, mesmo que os dados positivos da economia possam nos fazer suspeitar
que há algum motivo para otimismo. O fato é que estamos à espera do anúncio
de medidas que podem retirar um peso enorme das costas das economias europeia,
ou podem afundá-las de vez. Até que o plano de recompra das dívidas esteja
completamente desenhado e seja anunciado, os mercados continuarão oscilando sem
direção, com os agentes atentos ao menor sinal de novidades.
Hoje começa a reunião do comitê de
política monetária do Federal Reserve
Bank e muita gente aguarda por algum sinal acerca da estratégia de
estímulos que Ben Bernanke tem anunciado como provável. Todos esperam pela
divulgação do comunicado a ser divulgado amanhã à tarde, ao final da reunião.
Ali será possível, ou não, encontrar os indícios das ações da autoridade monetária.
O mesmo vale para a reunião do BCE na quinta, quando Draghi pode anunciar, ou
não, algum indício do que será efetivamente o pacote de estabilização das
dívidas soberanas. É evidente que antes de qualquer anúncio, nenhum grande
movimento será feito.
Hoje foram divulgadas as estatísticas do
mercado de trabalho europeu e os 17 países da zona do Euro mostraram uma taxa
de desemprego de 11,2%, dentro do esperado pelos analistas. Esse número reflete
a desocupação de 17,8 milhões de pessoas, a mais alta desde a criação do euro.
Na Alemanha a taxa atingiu 6,8%, mantendo o número de junho, com 2,9 milhões de
desempregados.
Nos EUA, os dados econômicos foram
melhores do que se esperava. A renda pessoal dos americanos subiu 0,5% em junho,
ante uma expectativa de 0,4% e o índice de preços de casas de maio, S&P
Case Schiller veio com 0,9% de alta, contra as estimativas de 0,5%. O índice
subiu forte pelo terceiro mês consecutivo, vindo com 0,8% em março e em 0,7% em
abril. O índice PMI da região de Chicago veio em 53,7, contra as expectativas
de 52,5 e, finalmente, o índice de confiança dos consumidores veio em 65,9,
ante as expectativas de 61,5.
Em relação ao índice de confiança dos
consumidores, o gráfico abaixo, da Bloomberg mostra sua correlação com o volume
de vendas no varejo, dando a entender que uma alta dele, induz a uma alta das
vendas:
Como ilustra o gráfico, esse dado pode
indicar que as vendas do varejo, que vêm em queda desde o ano passado, podem
inverter essa tendência, já que a confiança dos consumidores está em alta. Esse
também pode ser o sinal dado pelo índice de preços das residências, cuja alta
implica em melhora do segmento que é visto como o potencial “motor” de uma
recuperação da economia dos EUA.
Acontece que esses indicadores estão
inseridos em um contexto que ainda é de
encolhimento do mercado de trabalho, que apesar de criar vagas, ainda não o faz
em um ritmo para assegurar a recuperação e de outros indicadores de atividade,
como a produção industrial e as vendas do varejo. Fica, então, o sentimento de
que o FED ainda precisará fazer mais para assegurar alguma recuperação em 2012.
Essa “divisão” nas estatísticas sobrea
economia acaba se refletindo nas posições dos dirigentes do banco central, de
analistas e políticos. Há quem acredite que a economia dos EUA dispensa novos
estímulos, chegando mesmo a acreditar que eles podem ser negativos, por
estimular a inflação.
Os mercados continuarão atentos aos novos
sinais, esperando pelos pacotes. Esses dados de hoje, nos EUA, ao mostrarem um
pouco mais de otimismo, podem fazer com que as chances do Q3 sejam vistas como
menores.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
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