quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O mercado em zigue zague


Apesar das boas notícias econômicas e da enorme injeção de dinheiro feita pelo Banco Central Europeu, os mercados estão em baixa. O Ibovespa chegou a atingir 66.661 pontos mas cedeu 700 pontos na esteira das quedas globais. O que tornou os mercados mais amargos foi o discurso de Ben Bernanke, visto pelos mercados como um sinal ruim para a recuperação econômica global.

A Alemanha divulgou a taxa de desemprego de fevereiro, que veio em linha com as expectativas, 6,8%, deixando a taxa inalterada em relação a janeiro. Além disso, o banco central europeu realizou a operação de financiamento de três anos aos bancos comerciais europeus e o resultado foi de 530 bilhões de euros, para mais de 800 bancos. Em dezembro, a primeira operação dessa natureza de 489 bilhões. Com essa injeção de mais de 1 trilhão de euros nos bancos comerciais, o Banco Central Europeu tinha duas metas e a primeira era a de estabilizar os preços dos títulos das dívidas soberanas dos países europeus, que vinham implodindo em função da crise de credibilidade. Na verdade o BCE contornou as restrições impostas por vários países da euro região para resgatar países em dificuldades capitaneados pela Alemanha. Com essa modalidade de financiamento, o BCE retirou uma enorme quantidade de títulos soberanos do mercado que, a partir de agora, ficarão na carteira da autoridade monetária. Sem essa medida, os bancos poderiam entrar em um movimento desordenado de vendas maciças e isso faria com que os preços desses títulos implodissem e, com eles, os próprios bancos comerciais. Mesmo sem um “pacote” europeu de resgate, tudo indica que as dívidas soberanas estarão um pouco mais seguras pelos próximos três anos. Mas vale lembrar que essa medida alternativa não resolve o problema fiscal que ainda se mantem nos países europeus: a grave crise recessiva tem piorado significativamente a capacidade fiscal dos governos e, provavelmente, uma boa parte dos países não conseguirá cumprir as metas fiscais impostas para 2012. A segunda meta era a de impulsionar o crédito bancário para famílias e empresas.  Com a crise, a capacidade financeira dos bancos, das famílias e das empresas entrou em colapso, fazendo com que boa parte do sistema bancário necessitasse aportes de capital para poder continuar operando. O sistema passou por uma grande desalavancagem, que nada mais é do que a redução dos estoques de crédito que os bancos tinham em seus ativos. Ao injetar esse trilhão o BCE espera sinceramente que os bancos emprestem para famílias e empresas. Mas isso parece realmente ser aquilo que economistas chamam de empurrar o cavalo com uma corda! Com essa recessão, nem empresas e, tampouco as famílias, estão tomando crédito. O desemprego europeu atinge cerca de 16 milhões de pessoas e isso conta muito para que os bancos, já pressionados pelos enormes prejuízos sofridos na grande crise, abram seus cofres para o público. O que está acontecendo, de fato, é que os bancos recebem esse dinheiro e não o repassam para a economia real diretamente, fazendo com que o crédito fique racionado, empossado no próprio sistema bancário. Esse tipo de comportamento dos bancos é muito difícil de ser revertido e expõe o verdadeiro limite dessa estratégia desesperada do BCE de contenção da depressão europeia. O que se pode esperar dessa injeção de liquidez, além da estabilização temporária das dívidas soberanas, é a alta de alguns preços (petróleo, ouro, títulos dos países emergentes, bolsas globais) e muita confusão nos mercados de moedas, com o aumento da volatilidade dos fluxos internacionais. Posto dessa maneira, o financiamento do BCE, que tenta substituir os pacotes fiscais de resgate, negados pelos líderes da euro região, podem aumentar a instabilidade e não diminuí-la, sem o benefício de reduzir de forma significativa o desemprego e a recessão.

E foi com isso em mente que Bernanke expôs as suas preocupações ao Congresso dos EUA em seu depoimento de hoje. Ele ressaltou que a trajetória de recuperação dos EUA se mantem, mas, como seria de se esperar, de forma lenta, muito lenta. Ele descartou a necessidade de um novo pacote de medidas, mas evidenciou que a inflação está sob controle, mesmo que venha a sofrer um pouco com a alta do petróleo. Vale notar que a economia dos EUA cresceu a 2,8% ao ano, no último trimestre. O consumo pessoal, os investimentos e a exportações impulsionaram essa alta de 0,7% no PIB americano do quarto trimestre.  Bernanke tem feito o mesmo que o BCE: na ausência de “pacotes” de resgate ele expande a liquidez diretamente  pelas operações do Federal Reserve. O mercado talvez tenha apenas reagido ao que já é sabido: o problema da Europa afeta a todos e está longe de ser resolvido. A volatilidade do mercado  de hoje expressa esse conjunto de incertezas que ainda paira na economia global.


Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dados aumentam incertezas

Os dados divulgados hoje foram suficientemente contraditórios para deixar os mercados sem tendência no dia de hoje. Conforme mostra a tabela abaixo, dados positivos na indústria e na confiança dos consumidores, foram confrontrados com péssimos dados de encomendas de bens duráveis e notícias bem ruins no setor imobiliário. Tudo indica que o otimismo do início do dia ficará contido pelas incertezas mostradas nos dados econômicos.



Agenda carregada nos EUA


A Bovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 1,06%, mas ainda acumula uma alta de 3,4% no mês e algo como 15% no ano. Hoje o dia começa com a Ásia e Europa em alta e futuros nos EUA na mesma direção. Contou para o otimismo um conjunto de fatores dos quais destacamos a redução dos preços do petróleo, a divulgação de dados de atividade e confiança na zona do euro e a proximidade da operação de financiamento do BCE.

Após atingir o patamar de US$ 125,00 o petróleo voltou a roubar a cena nos mercados internacionais, já que seu preço elevado conta como mais um fator para aprofundar a crise nos países em que ela existe e retardar a expansão, naqueles que a estão vivendo. Preço de petróleo em alta reduz a renda real das famílias (pelo custo da gasolina, derivados e toda a cadeia de produção dependente dela) e aumenta custos industriais (pelas matérias primas e pelo custo de energia ). O ciclo de alta atual é sustentado pela enorme liquidez internacional, que leva investidores institucionais a comprarem ativos e reais (o petróleo é um deles), e pela situação política do Oriente Médio. É muito provável que esses fatores de elevação dos preços continuem atuando: a liquidez global tende a aumentar e não há perspectiva de solução para os profundos conflitos que minam a estabilidade global. Esse é mais uma variável que influenciará a conjuntura global, aumentando os riscos sobre o nível de atividade global.

A queda do preço do barril impulsionou a alta das bolsas asiáticas (fechamentos: Nikkey +0,93%  e Hang Seng +1,65%) e da Europa, que estão com altas que variam de 0,5%  a 0,8%. Também colaborou para a alta europeia a divulgação de dados econômicos com surpresas positivas em relação ao que era esperado pelos economistas. O indicador de Confiança Econômica da zona do Euro, calculado pela Comissão Europeia, subiu para 94,4 quando o esperado era 93,9. A economia que puxou esse indicador, uma vez mais, foi a Alemanha. O euro manteve sua cotação inalterada até agora, indicando moderação dos mercados que aguardam a operação gigante de financiamento do BCE, que pode atingir um trilhão de euros.

No Brasil o dólar retomou sua trajetória de baixa, o que pode convocar o BC a entrar comprando divisas no mercado. As taxas de juros voltaram a cair e a Bovespa deve ter um dia de ganho.

As atenções vão se focar na divulgação dos indicadores americanos que são mais importantes: encomendas da indústria, índice Case-Schiller de preços de residências e o indicador de atividade industrial do FED Richmond.

O dia começou com o otimismo mandando, mas devemos ficar de olho nos indicadores dos EUA!

Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

28 de fevereiro de 2012


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

G-20 coloca bolsas em realização

A Bovespa fechou na sexta feira completando uma alta de 4% no mês e cerca de 16% no ano, mostrando uma recuperação razoável  em relação ao ano passado.  A inflação, por sua vez, mostrou desaceleração e as expectativas em relação ao seu comportamento futuro melhoraram ao longo do mês. Começamos a última semana do mês com os juros caindo levemente devolvendo um pouco do movimento realizado na sexta feira.

Os mercados globais estão em realização, motivados pelos resultados da reunião dos ministros do G-20, no México, nesse final de semana. A reunião não conseguiu estabelecer uma meta consensual para a gestão da crise global, mas colocou a Alemanha no centro das políticas, como maior responsável pela originação e gestão dos fundos europeus para a contenção da recessão e da crise das dívidas soberanas que assola o continente. É evidente que o país nutre profunda resistência a esse tipo de abordagem, preferindo encaminhar ações tópicas, com recomendações de fortes ajustes recessivos. O FMI, por seu lado, tem insistido que esse tipo de ação aprofunda a crise depressiva e que a melhor solução  é o reforço dos fundos para socorro aos países em maior dificuldade. A estratégia defendida pela instituição, ao contrário das políticas seguidas pelos países europeus, é a de priorizar a recuperação econômica, para depois acertar o lado fiscal. Essa falta de coordenação entre os diversos governos e instituições, que se desdobra em um conjunto desordenado de políticas que conflitam entre si, e que incluem protecionismo comercial e falta de coordenação das políticas cambiais, deve colaborar para manter o nível de incerteza elevado na economia global. Um dos reflexos palpáveis desse ambiente desordenado e incerto é o nível de risco embutido nos preços das dívidas europeias, que se mantém elevados, mesmo depois do acordo da dívida grega.

A percepção mais otimista fica nos mercados dos EUA, onde os analistas projetam uma recuperação mais rápida para esse ano, ainda que com desemprego elevado. Com a enorme liquidez proveniente do balanço do Federal Reserve de dos juros muito baixos até 2014, os ativos devem manter seus preços em alta. A mesma situação se coloca para a Europa, onde o BCE fará uma nova operação de financiamento de ativos bancários, por três, a custos bem baixos. A realização de hoje está limitada, portanto, pelo ambiente de alta liquidez internacional.



Pedro Paulo SilveiraEconomista






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27 de fevereiro de 2012


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eventos Econômicos da Semana


24 de fevereiro de 2012


A liquidez do BCE puxa mercados

 
Ontem o evento mais importante dos mercados foi o retorno do Banco Central ao mercado de câmbio, com duas atuações de compra.  O pregão iniciou com uma nova queda da moeda, que ameaçou romper o R$ 1,70. No fechamento, a moeda acabou ficando em R$ 1,704. Hoje a FGV  divulgou o índice de confiança dos consumidores, que apresentou alta em relação a janeiro, voltando ao patamar de dezembro, após três meses de queda contínua. Esse, talvez, seja o motivo para justificar as leves altas nas taxas de juros que encerram um série de pregões de queda.  Também pode ter colaborado para esse evento, a finalização da pesquisa feita pelo BC junto aos participantes do Sistema de Expectativas, que coletou as estimativas dos analistas em relação a uma série de variáveis, dentre as quais a taxa de juro real de equilíbrio e a taxa de desemprego de equilíbrio.

Na Europa as bolsas operam em alta em função das expectativas em torno dos resultados corporativos a serem divulgados a partir da semana que vem.  Também deve colaborar para a melhora do ambiente, a nova injeção de dinheiro que o Banco Central Europeu deve fazer na semana que vem. Essa é a segunda operação de financiamento de 3 anos das posições de ativos dos bancos comerciais europeus e pode chegar a 650 bilhões de euros. Esse montante, somado ao anterior, pode significar um a injeção de mais de 1,3 trilhões de euros no sistema bancário da Europa. Ainda que os dados econômicos mostrem que as economias estão patinando rumo a um recessão, esse nível de liquidez é suficiente para assegurar movimentos altistas nos preços dos ativos.

Nos EUA serão divulgados o Índice de Confiança da Universidade de Michigan e as vendas de imóveis novos. Ambos podem, juntamente com a liquides do BCE, colaborar para um fechamento positivo das bolsas globais, após uma série de pregões de baixa.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

23 de fevereiro de 2012


Europa revisa crescimento de 2012 para baixo


Hoje temos novamente um dia de fraco desempenho, motivado pela divulgação do PIB do quarto trimestre da Alemanha que, mesmo vindo dentro do esperado, apresentou queda de 0,2%. Também foram anunciadas as novas projeções da Comissão Europeia para o crescimento de 2012 das dezessete economias que fazem parte do bloco: de um crescimento de 0,5% projetados em dezembro, a estimativa passou para uma queda de 0,3% nesse ano. Dentre os países com maior contração estão a Espanha, com -1% e Itália, com 1,3%. Essas estimativas devem gerar novas dúvidas quanto à capacidade que os países membro terão em cumprir suas metas fiscais nesse ano. Se esse sentimento se dissemina, as preocupações com as dívidas soberanas deverão retornar, mesmo com o pacote grego tendo sido fechado. Essas notícias, pouco animadoras, foram compensadas  com a divulgação da pesquisa sobre o sentimento dos empresários, que veio positiva pelo quinto mês consecutivo.

Nos EUA, os principais indicadores são o índice de preços de imóveis e a pesquisa do FED de Kansas City sobre a atividade industrial. É pouco provável que tenhamos aí a fonte para a reversão desse clima pouco favorável instalado nos pregões de hoje.
 
No Brasil, foi divulgado o IPC-S da FGV, índice semanal de inflação ao consumidor, que veio em 0,27%, um pouco acima das expectativas de 0,22%, mas em desaceleração na comparação com o dado anterior, 0,30%. O Banco Central deve divulgar, às 11:30 hs, o saldo de transações correntes de janeiro, que é esperado em – US 6,9 bilhões e o investimento Estrangeiro. O dólar continua afundando e chegou a romper os R$ 1,70. Tanto o saldo de transações correntes, como a apreciação do dólar, serão, como sempre, motivo para muita discussão entre agentes do mercado e membros do governo


Pedro Paulo Silveira
Economista






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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

22 de fevereiro de 2012


PMI desanima os mercados


Hoje, quarta feira de cinzas, os mercados estão em clima de pouco otimismo: os dados da pesquisa PMI sobre a indústria da China e da Euro Zona saíram mostrando uma retração da atividade.

A pesquisa PMI divulgou um índice preliminar de 49,7 contra 48,8 em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado. Um número inferior a 50 indica que o nível de atividade do setor está se contraindo. Esse dado reforça a tese de que a força da economia chinesa pode estar sendo limitada pela crise da Europa, pelo canal das exportações. Vale lembrar que a crise retirou cerca de 18 milhões de europeu do mercado de trabalho nos últimos três anos e isso afeta a demanda por produtos chineses. Esse segundo índice abaixo de 50 colocou em dúvida a visão dos mais otimistas, segundo os quais a crise europeia é incapaz de frear o ímpeto da economia chinesa.

O índice europeu  caiu de 50,4 para 49,7, contrariando as expectativas dos analistas, sobretudo por mostrar que na Alemanha as encomendas à indústria estão caindo. Esses dados confirmam as expectativas de recessão para esse ano na Zona do Euro e retiram o espaço para mais otimismo.

Na Grécia, o parlamento deve votar as medidas de cortes de despesas até amanhã, para que o pacote aprovado pela comissão europeia seja liberado. O pacote de 130 bilhões de euros está condicionado a inúmeras medias que podemos elencar:

- A redução da dívida de 160% do PIB para 120,5% em 2020
- Criação de uma conta de bloqueio onde serão depositadas as receitas para pagamento do empréstimo.
- Perda de 70% do valor da dívida por parte dos credores.
- Monitoramento permanente por um  equipe da “Troika” (BCE, Comissão Européia e FMI).
- Aprovação de um conjunto de cerca de 80 medidas para redução do déficit público, até o fim do mês.

O que se discute agora é se as medidas serão aprovadas pelo parlamento, que será fortemente pressionado pela opinião pública. Dentre as medidas está a redução do salário mínimo de 751 euros em 22%, cortes na folha de pagamentos dos servidores e outras medidas que devem gerar uma economia de 3,3 bilhões de euros nesse ano. O Partido Comunista e a Central Geral dos Trabalhadores estão articulando protestos e greves contra as medidas e a situação política tende ficar mais confusa, já que estamos em um ano eleitoral.

Com um desemprego de 20%, uma queda de 7% no PIB do último trimestre e pouca perspectiva de recuperação econômica, pouca gente vê chance da Grécia conseguir atingir as metas traçadas pela Comissão Europeia.

No curto prazo é possível que a Grécia consiga receber os 130 bilhões de euros e evitar uma saída caótica. Mas no médio prazo é inevitável um colapso desse acordo. Agora resta saber se o colapso da Grécia será um evento sem importância em uma Europa bem blindada ou se será o Lehman Brothers do sistema financeiro europeu. O mais provável, em nossa análise, é a segunda hipótese.


Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Agenda Econômica


17 de fevereiro de 2012


Inflação em baixa, bolsas em alta

 
O IBGE acabou de divulgar o IPCA-15 de janeiro que veio em 0,53%, um pouco abaixo das expectativas. A Fundação Getúlio Vargas também divulgou o segundo decêndio do IGP-M, com deflação de 0,17%. Essa inflação contida motivou, uma vez mais, a queda das taxas de juros e o reforço da expectativa de que o ciclo de queda dos juros básicos deve continuar. O dólar futuro também abriu em queda, mostrando recuperação em relação ao pregão de ontem. A tendência baixista dos juros deve se manter por mais algum tempo, já que o governo, adicionalmente, promoveu um significativo corte das despesas orçamentárias. A Bovespa, por sua vez, continua a seguir a tendência global, ajustada pela divulgação de resultados corporativos.

Na Europa as bolsas estão em alta, impulsionadas pela expectativa de que o acordo de resgate da Grécia deve sair. Ontem o Banco Central Europeu promoveu uma operação de financiamento, no montante de 50 bilhões de euros, para as posições de títulos da dívida grega, que ajudou significativamente no otimismo. As altas estão ao redor de 1% nas principais bolsas e o euro sofre uma leve valorização.

Nos EUA será divulgado o índice de indicadores antecedentes, que mostra a tendência do nível de atividades. Espera-se uma alta de 0,5% em janeiro, o que pode reforçar o sentimento de que a economia dos EUA esteja em recuperação, impulsionando um pouco mais o otimismo dos mercados.

A semana tende a fechar com mais otimismo, depois de três dias de realização.

Bom dia e bom carnaval!

Pedro Paulo Silveira
Economista






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