segunda-feira, 27 de agosto de 2012

À espera do Q3.


 
Nessa semana sairão vários indicadores econômicos importantes, relativos à atividade econômica das principais regiões, mas o evento que monopolizará as atenções será o tradicional simpósio anual promovido pelo Federal Reserve de Kansas City em Jackson Hole, no dia 31. Lá estarão banqueiros centrais de vários países, membros da comunidade financeira e acadêmicos, para discutir temas de política monetária. O mercado espera que seja dado um sinal importante de que o FED irá fazer o Quantitative Easing 3 em breve, confirmando o que já é esperado. Em 2010 era esperado que Bernanke anunciasse em Jackson Hole o Quantitative Easing 1, mas ele só foi feito em novembro. A possiblidade mais elevada, portanto, é para que o presidente do banco central insista no comunicado que tem feito sistematicamente ao longo dos últimos meses, afirmando que “está pronto para agir quando for necessário”.

Hoje os mercados asiáticos caíram  com força reagindo aos dados ruins da economia chinesa, que teve suas empresas amargando queda forte dos lucros no primeiro semestre do ano. A reação de queda das bolsas também foi acompanhada pela queda do minério de ferro, que rompeu a marca dos US$ 100.

A Europa, por sua vez, abriu a semana com alta considerável das bolsas, das dívidas soberana s e da moeda, com a expectativa forte de que serão equacionados os planos de resgate da Grécia e da Espanha. Ainda que nenhum sinal mais claro tenha sido dado no final de semana exceto, uma vez mais, pelo fato do Bundesbak reafirmar que não apoia medidas expansionistas sem contrapartidas fiscais. Jens Weidmann, o presidente do Bund, é contra as compras massivas de dívidas porque elas podem causar inflação e desestimular os líderes políticos a providenciarem reformas (redução dos impostos para grandes empresas e fortunas, redução dos gastos sociais e redução dos benefícios trabalhistas). A bolsa alemã sobe quase 1% no dia e é provável que vá buscar seus máximos do ano, antes que sejam anunciados os dados de expansão do PIB.

Os mercados em alta confirmam que a confiança continua forte.

 



Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


Disclaimer:
"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A semana termina sem novidades.



A semana termina sem que nada de substancial tenha sido decidido na Europa ou nos EUA. A divulgação da ata da reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve mostra que a autoridade monetária dos EUA ainda enfrenta dificuldades de coordenação para colocar em prática alguma ação adicional para evitar a desaceleração da economia. Na  Europa as lideranças continuam sem rumo para implementar o resgate da Grécia e das dívidas soberanas da Espanha e da Itália. No Brasil os formuladores de política estão apertados para oferecer uma resposta coerente aos efeitos inevitáveis da crise externa sobre nossa economia. Espremidos entre o otimismo incentivado pela forte liquidez internacional e o ceticismo imposto pelas condições atuais da economia, os mercados estão aumentando os indicadores volatilidade.



Depois da divulgação da ata da reunião do FOMC, ficou claro que o banco central dos EUA ainda não tem condições de tomar qualquer decisão de política monetária por falta de consenso. Com vai prevalecendo a posição dos diretores que são mais conservadores em termos de política fiscal e monetária. Essa posição afirma que as medidas de expansão monetária esgotaram seus efeitos - a prova seria a recente desaceleração da atividade – e que a partir de agora o governo deve se focar na política fiscal. Cortar o déficit seria a medida mais importante, já que permitiria a recuperação dos investimentos no longo prazo. Há uma clara transferência de responsabilidade do FED para o governo e o Congresso, imobilizando a autoridade monetária. Apesar de Bernanke ter a maioria dos votos do FOMC, ele ainda não se sente à vontade de impor uma nova rodada de expansão monetária sem forte apoio. Ele continuou sinalizando, como tem feito há várias reuniões, de que fará algo se for preciso

A economia, por sua vez, continua sinalizando de forma contraditória o seu nível de atividades. Hoje foram divulgadas as encomendas de bens duráveis e elas vieram sinalizando forte alta para o índice como um todo e forte queda para o índice, excluídos os bens de transporte. Abaixo o gráfico Bloomberg que mostra o comportamento das encomendas:





O índice total veio com alta de incríveis 4%, puxada pelas encomendas da aviação civil, que haviam caído fortemente no mês anterior. Subtraído o efeito dessa alta, o índice caiu 0,4%, já queda maior parte dos componentes apresentou contração. O mercado considerou o dado positivo e inverteu o sinal das bolsas que estavam em queda e passaram a alta.


Na Europa o balanço é o mesmo que temos desde 24 de julho, quando Super Mário anunciou que iria fazer o que fosse necessário. A economia continua encolhendo (atividade na Alemanha e Reino Unido em queda) e o mercado continua esperando, com bastante certeza, a solução Draghi para a recessão. A Grécia anunciar que se dispõe a vender algumas ilhas parece uma ideia pitoresca daqui, mas sinaliza a total falta de perspectiva para aquela economia. No Brasil o significado de “vender o Pão de Açúcar” é conhecido de todos nós. Vender as ilhas Gregas é um sinal de que os acordos impostos no passado recente àquele país foram impossíveis. Quando o governo Grego sinaliza com isso, vemos que não há solução. A Grécia deve sair mesmo do euro, e essa é uma questão de tempo. Na agenda de Merkel e Draghi, o que deveria ser feito já foi: alvar os bancos que estavam entupidos de dívida do país.


No Brasil estamos às voltas, uma vez  mais com uma coleção de medidas tópicas para evitar que a crise global aumente seus efeitos sobre o nível de atividades. O ministro da fazendo continua sinalizando com a possiblidade de mais ações para incentivar segmentos específicos da economia, ao mesmo tempo em que limita qualquer ação da Petrobrás em reordenar seus preços para tentar conter a inflação, que deverá se acelerar em consequência das altas dos preço globais de grãos e petróleo. E como a soma das partes não pode ser maior que o todo, a economia cede aos impulsos da crise externa e aumenta as distorções internas, por conta das políticas “localizadas” de estímulos. Ainda que tenhamos um crescimento pequeno, o que tornará a nossa economia mais desequilibrada, serão os efeitos das políticas de “estabilização” que estão sendo adotadas toda semana.


Para confirmar o estado de incerteza global, o gráfico abaixo do VIX, indicador da volatilidade do mercado acionário do EUA, mostra a volatilidade (incerteza) subindo consistentemente:



 


Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Acomodando as expectativas.




Hoje o relatório Focus, do Banco Central, informa que a mediana das expectativas para o crescimento de 2012 caiu para 1,75%. A produção industrial segundo informa o Focus vai cair 1,2% no ano. O mergulho das expectativas aconteceu, é bom que se diga, com grande defasagem de tempo. O mercado até demorou para revisar as suas estimativas para 2012, começando o ano com um crescimento perto de 3,5%. Somente agora, no final do primeiro semestre que houve forte queda, de 1,5%. Abaixo o gráfico da evolução das expectativas do crescimento de 2012:





O número está em 1,75%, e para que ele efetivamente ocorra, é necessário que os três trimestres restantes para a divulgação sejam fortes. Ocorre que esperar que a economia simplesmente se recupere, sem que nada de efetivo tenha ocorrido no ambiente que causou a desaceleração é pouco razoável. E esse é o ponto: a Europa e os EUA ainda carecem de eventos que nos permitam vislumbrar a inflexão do cenário, apesar do mercado ter antecipado isso nos preços.

A queda da produção industrial, uma das principais causas para a desaceleração de nossa economia, tem ocorrido em todo o mundo e de forma acentuada. Ela reflete a desaceleração na Europa, região que é grande consumidora desse segmento. A forte queda na renda afeta de forma direta e indireta a demanda local por produtos industrializados. E tem sido difícil para os economistas explicarem exatamente os efeitos da crise europeia sobre as suas próprias economias. Paul Krugman, vários meses atrás comemorava o fato da economia americana ter pouca dependência da demanda europeia. Dessa forma, pensava o Nobel de economia especializado em economia internacional, a desaceleração Europa não prejudicaria a dinâmica dos EUA, mais dependente de outras regiões, como América Latina e Ásia. Ele reviu essa afirmação pouco depois, com os dados decepcionantes do crescimento no primeiro semestre. Na semana passada os economistas do FED de Saint Louis divulgaram artigo mostrando a baixa dependência das exportações americanas do mercado europeu. Se uma queda nas importações europeias ocorre, elas podem ser compensadas pelo crescimento “robusto’ das importações de emergentes. “Se” a crise afeta, ela o faz por outros canais, como o de capitais ou bancário.

Mas o fato é que quando a demanda global cai, puxada pela recessão europeia, a taxa de crescimento das exportações totais cai. A ideia de que a queda de uma região pode ser compensada pela alta de outra está mais do que descartada com a constatação de que a China está com sua economia em desaceleração. No mundo “super” globalizado de hoje, a queda da Europa afeta a China e ela afeta os EUA, por exemplo. Ganha peso adicional,  o fato de ser a Europa um mercado de altíssimo poder aquisitivo e, por conta disso, fortemente comprador de produtos industrializados. A recessão europeia desacelera a produção industrial em todo o mundo. O que talvez ocorra com mais intensidade, é uma distribuição desigual dos efeitos dessa recessão no curto prazo. No longo prazo, com a grande mobilidade do comércio internacional, sofrerão menos os países que tiverem melhores preços relativos. Os EUA não parecem ser os mais bem posicionados para “levar a melhor” daqui para a frente. Países com salários mais baixos e com taxas de câmbio mais desvalorizadas, deverão sofrer menos. Mas ninguém sai ileso desse quadro. A recessão da Europa é decisiva para a produção industrial global e ninguém poderá compensá-la.

A semana começa com os agentes econômicos pensando um pouco mais a respeito da viabilidade do socorro “sonhado” nas últimas semanas. Nenhum político da União Europeia trouxe novidades nesse final de semana.

Pedro Paulo Silveira (Economista)
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Treze por cento de alta em 17 pregões.



A bolsa de São Paulo está com alta de quase 5% no ano, acumulando 13% de alta desde 25 de julho. E esse movimento ocorreu por conta das altas globais. O quadro abaixo faz um resumo das globais:

 




Impressionam as altas dos EUA e Alemanha, que têm acumulado no ano um ganho de mais de 15%.  Como temos colocado em nossos relatórios, essas altas refletem uma melhora substancial d confiança dos investidores, a partir do discurso de Mário Draghi sobre o pacote de salvamento da Espanha. Hoje o risco da dívida espanhola está abaixo dos 500 pontos, mostrando o estado de confiança dos mercados em melhora. O mesmo pode ser dito sobre a dívida italiana, que também está na mira dos mercados.

Todo esse cenário de otimismo foi confirmado por alguns dados econômicos da semana no EUA: mercado imobiliário, produção industrial e indicadores antecedentes mostraram melhoras em relação aos dados anteriores e às expectativas. Somados aos resultados corporativos, os dados turbinaram o otimismo que já vinha sendo expresso nos relatórios das principais casas globais.

No Brasil, vem ganhando peso a ideia de que estamos prontos para uma RECUPERAÇÃO, com o nível de atividades voltando a se acelerar depois de ter apresentado resultado ruins no primeiro semestre. Vendas no Varejo, divulgadas ontem pelo IBGE e o Índice de Atividade do Banco Central, mostram uma expansão inesperada em junho, liderada pelo setor automotivo. O Ministério do Trabalho, por sua vez, divulgou as contratações de julho, e o mercado comemorou uma “melhora” da contratações. Primeiro o Índice do Banco Central:







Como pode ser observado o índice bateu o seu maior valor, desde que a série foi construída. Ele subiu 0,75% no mês, com alta forte! Se o PIB se comportar exatamente como o Indicador, ele poderá ter subido 0,38% no segundo trimestre, o que nos faria “melhorar” nossa projeção de PIB de 1,52% para 1,75% no ano. Um incremento nada substancial, mas é um dado melhor do que vinha sendo esperado. O importante, no entanto, é que o mercado já trabalhava, antes de ser divulgado esse indicador, com altas fortes para o terceiro e quarto trimestres.  O indicador não incorpora, portanto, uma grande melhora em  relação às expectativas para o segundo semestre, já que a maior parte do mercado estava trabalhando com um segundo semestre MUITO MELHOR que o primeiro. Em relação às vagas divulgadas pelo Ministério do Trabalho, elas foram melhores que as do mês anterior, mas continuam em um patamar ruim, indicando que a economia está em ritmo lento. Abaixo o gráfico com os dados do CAGED, de contratações mensais, mostra duas linhas. A azul, com os dados verificados no mês e a vermelha, com ajuste sazonal. Além disso, a linha vermelha é continuada até metade de ano vem, com uma tendência dada pelo comportamento mais recente dos dados. Nota-se que desde o início do ano passado a contratação de pessoas com carteira assinada vem caindo drasticamente e os dados recentes não mostram recuperação para a frente. Apesar do mês de julho ter sido melhor, a tendência do mercado de trabalho ainda é estacionária, indicando que ele ficará “morno”, ao contrário do que tem sido dito.





Agora olhando para a frente: a recuperação da confiança, que impulsionou os mercados de ativos, em particular as bolsas, está forte. Mas ela se baseia em um forte componente especulativo. O pacote de liquidez da Europa não existe, a não ser em promessa. Mesmo que ela seja implementado, ele conseguirá segurar os mercados de dívidas soberanas, mas será pouco eficiente para estimular as economias em queda livre. A tendência, para o PIB global no segundo semestre continua de baixo crescimento nas economias emergentes e forte contração na Europa. Nessa semana o minério de ferro atingiu seu valor mais baixo em muito anos na China, indicando que a desaceleração por lá continua forte e não há sinais de reversão. Mesmo na Espanha, que assistiu a uma alta de 25% em sua bolsa, anunciou que a inadimplência bancária consumiu 9,5% dos ativos de crédito bancário no mês passado, pior marca desde 1962.

A semana termina com muita comemoração por parte dos investidores, com algumas notícias pontuais de recuperação. Mas nosso cenário básico, que associa contração econômica na Europa, ao baixo crescimento do resto do mundo ainda permanece inalterado.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Produção industrial dos EUA sobe acima do esperado.




O Federal Reserve Bank divulgou a produção industrial de julho, e ela veio com alta de 0,6%, levemente acima do consenso de 0,5%. Em contrapartida, o dado de junho foi revisto para baixo, de 0,4% para 0,1%. Esse comportamento deveu-se, sobretudo, ao setor automotivo que respirou um pouco no mês passado. Abaixo o comportamento da produção industrial. Pelo gráfico da Bloomberg:







Outro dado importante, que deveria sugerir uma melhora, é o da utilização da capacidade instalada, que pode indicar o quanto a indústria pode estar induzindo o investimento ou não. Elevada utilização da capacidade indica que a indústria pode estar induzindo o investimento; baixa utilização, indica recessão e queda dos investimentos. Abaixo o gráfico da NUCI:






Como pode ser observado, a utilização da capacidade está praticamente no mesmo patamar desde o fim do ano passado, em um nível bem mais elevado que o da crise. A indústria dos EUA se recuperou, mas ainda não conseguiu atingiu um patamar que induza a um ciclo de investimentos. Contrariando a tendência do índice nacional, o FED de Nova York divulgou sua própria pesquisa industrial, o Empire Manufactoring. E ela veio com queda forte, indicando retração da atividade no mês de julho. Abaixo o gráfico do indicador:






Os EUA, como o resto do mundo, continuam a receber sinais contraditórios de sua economia. Apesar do quadro global francamente ruim, as maciças injeções de liquidez promovidas pelo FED têm conseguido segurar a atividade em um patamar razoável. Ontem foram divulgadas as vendas do varejo de julho e elas vieram, também, surpreendendo para cima.

A Europa também sinalizou de forma positiva para os mercados, com o PIB da Alemanha e da França. Apesar de terem vindo bastante fracos no segundo trimestre, eles não apresentaram queda, o que deixou os mercados eufóricos. Mas a produção industrial de junho apresentou queda de -0,9% para o Z27 - grupo de vinte e sete países que fazem parte da União Europeia. A Alemanha apresentou queda da produção industrial de -0,8% e a França de -0,1%.

A dívida espanhola continua a apresentar valorização, tendo batido hoje o menor valor em vários meses, aos 515 pontos. Isso revela que todos dão como certa a ação de resgate do BCE, já que Mariano Rajoy, primeiro ministro espanhol tem emitido sinais, ainda que tímidos, de que solicitará socorro ao banco central.

Aqui no Brasil seguimos o mesmo caminho. Apesar de todos os dados mostrarem desaceleração econômica, queda dos investimentos e resultados corporativos contaminados pelo quadro global, os mercados esboçam uma enorme boa vontade no sentido de acreditarem em “recuperação”.

Com dados econômicos mistos, com predominância para os ruins, a semana continua mostrando que o otimismo está vencendo nos mercados globais de ações.

Abaixo o quadro com os dados de PIB e produção industrial da Europa. Eles mostram, como sempre, que não há nada a comemorar:






Pedro Paulo Silveira (Economista)
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Os bancos globais estimulam a especulação.


Com as cotações recentes, a Bovespa pode fechar com alta de 2,6% na semana e o S&P500 em +0,7%. As quedas de hoje vieram na esteira das divulgações de dados de atividade na Ásia, com destaque para a desaceleração das exportações e importações da China. Esse dado, um dentre vários, confirma que as dinâmicas economias emergentes do continente estão sendo contaminadas pela recessão europeia e pela desaceleração dos EUA. Em linha com isso, a França divulgou que a sua produção industrial recuou 0,6% no segundo trimestre e o emprego industrial no Brasil, segundo o IBGE, caiu 0,2% em junho, acumulando queda de 1,2% no ano. Na semana, como um todo, não houve nenhuma notícia positiva acerca dos estímulos a serem executados pelos bancos centrais e as economias continuaram a mostrar desaceleração. Mesmo assim as bolsas fecham em alta semanal. O que motiva esse otimismo?

Várias instituições globais estão recomendando fortemente a compra de ações. A tese é a de que os EUA já exibem sinais de recuperação, liderada pelo setor imobiliário e que os resultados corporativos confirmam que a saúde das empresas americanas está em ordem. Some-se a esse cenário promissor, a enorme liquidez internacional, que conta com juros muito baixos até 2014. No final da análise, está aquela ideia de que tudo que cai tem que subir, algum dia. Claro que essas instituições globais têm tamanho suficiente para forçar as altas das bolsas (e de commodities) por algum tempo. Essa alta, inclusive, poderia ajudar a melhorar o estado de confiança e induzir à retomada dos investimentos globais. Mas tudo indica que o componente principal desse movimento é a especulação acerca do “provável” estímulo que estaria sendo articulado globalmente pelos bancos centrais. De fato, se essa política for implementada de forma coordenada, assistiremos a um salto formidável das expectativas. Ocorre que todos os sinais emitidos por todos os importantes agentes desse evento global desautorizam a esperança em uma ação tão cedo. Ao contrário, se houve algo importante nessa semana, foi a formalização por parte do BCE de que ele retirou seu otimismo quanto à possibilidade de implementar mais algumas medidas de aumento da liquidez.

Se essa semana teve algo de importante, foi o de “carimbar” a recente alta global das bolsas como um evento altamente especulativo.

Supondo que as instituições globais, que estão otimistas quanto à recuperação estejam certas, quando os pacotes saírem,  podemos ver mais altas fortes nas bolsas. Esse potencial de alta, up side, em grande medida já foi antecipado a partir do discurso de Mário Draghi em 24 de julho. O potencial de mais altas pode estar sendo super estimado. Por outro lado, se os pacotes não saírem, o potencial de queda das bolsas globais é difícil de ser estimado. O down side de um abandono oficial dos bancos centrais é um número que poucos conseguem estabelecer. Se a relação entre o up side e o down side não é tangível, então os riscos assumidos pelos agentes também não são. Podemos supor, a partir disso, que o movimento atual de alta, embute um componente especulativo potencialmente tóxico para o futuro. As mesmas instituições que nos levaram ao colapso de 2007/2008, podem estar nos encaminhando para algo não tão bom nesse futuro próximo: estão usando o dinheiro barato que arrecadaram para estimular suas economias, em apostas altamente especulativas nos ativos globais.

A tese que colocamos na mesa hoje – e que é defendida por vários economistas há algum tempo – é que os grandes bancos globais estão altamente líquidos, após os fantásticos pacotes de benefícios recebidos de seus tesouros e bancos centrais,  e estão usando essa liquidez para construir outro castelo de cartas.

O primeiro deles foi o das dívidas soberanas da Europa. Após a crise, com muito dinheiro em caixa, os bancos substituíram os ativos de crédito (imobiliário, cartão de crédito, automóveis, etc) pelas dívidas dos países europeus (como Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, etc) que pagavam bons retornos. A chegada da crise da dívida europeia levou os bancos a amargarem enormes perdas patrimoniais e foram elas que dispararam os pacotes de estabilização que ocorreram de 2010 até agora. Estabilizar as dívidas era necessário para salvar os bancos, novamente.

Agora, com o fim do “namoro” com as dívidas soberanas, os bancos estão “comprando” a recuperação global com apostas fortes nas bolsas.

Como no caso das estripulias do setor imobiliário (que estouraram em2007/8) e das dívidas europeias, esse tipo de comportamento, descolado dos fundamentos econômicos pode estar expondo, mais uma vez, a economia global a um problema que agravará, um pouco mais, o complicado estado de confiança do agentes globais. Definitivamente, se os bancos centrais não aumentarem a liquidez, poderemos assistir a mais um evento global nada emocionante; novamente, os bancos globais estão brincando com fogo.


Pedro Paulo Silveira (Economista)
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