Os últimos pregões vêm confirmando a
tendência dos agentes em “comprarem” a estabilização da Europa sem que o BCE
tenha conseguido algum progresso nesse sentido. Ao contrário, sinais dados pela
Alemanha, têm sido no sentido de dificultar qualquer ação no curto prazo. Nos
EUA cresce a tese de que a economia está melhorando, como mostram os resultados
corporativos e desprezando-se os insistentes sinais de que a economia continua
patinando em direção a uma desaceleração considerável. Hoje o presidente do FED
de Dallas discursou e avisou que os bancos centrais estão limitados em sua
capacidade de produzir mais estímulos às economias.
Na Europa continuam a pulular as notícias
ruins para a economia. Além das quedas na produção industrial, agora os bancos
centrais estão revisando para baixo suas expectativas para o crescimento de
suas economias. Ontem o Banco da Itália reduziu a projeção de crescimento do
PIB italiano para queda de 2% em 2012. Hoje o Banco da Inglaterra reduziu sua
estimativa para 1%, ante o anterior de 1,7% e o Banco da França falou em
recessão a partir do terceiro trimestre, com duas quedas consecutivas de -0,1%
no segundo e terceiro trimestres do ano. Já a Alemanha anunciou contração na
produção industrial de junho em 0,9%. Os
mercados, no entanto, continuam bem otimistas com o desenrolar da crise. As
bolsas tiveram os comportamentos abaixo:
Como se vê, desde o anúncio de Mario
Draghi - segundo o qual o BCE faria o possível para solucionar os problemas
atuais - as bolsas subiram fortemente. Destaque para Brasil, Espanha, França e
Itália. Isso foi no dia 24 de julho, dez pregões atrás. Já os dois países mais
industrializados e com maior peso global, EUA e Alemanha, acumulam altas de
países que estão inseridos em um ciclo de forte crescimento econômico. EUA com alta de 11% e Alemanha com 17%.
Com
esses dados é impossível desconsiderar a hipótese de que o otimismo, talvez,
esteja sendo excessivo demais...
No Brasil IBGE e FGV divulgaram seus índices
inflacionários e eles tendem a confirmar que a política monetária no Brasil
viverá, uma vez mais, um pesadelo bem particular. Após assistirmos a desaceleração
dos índices de inflação, eles voltam a subir fortemente. O IGP-M, um índice
para lá de polêmico do ponto de vista conceitual, nos dá uma dica do que vem
pela frente. Em apenas dez dias ele subiu 1,21%, com forte destaque para o
comportamento do milho (18%), café (6%) e soja (10%). O IPA (atacado) agrícola
subiu 4,39% entre 20 e 30 de julho. E ainda tivemos uma forte colaboração dos
preços de minério de ferro (-2,5%)e bovinos (-1,3%). Como falamos em nosso
relatório de segunda, essa alta reflete a quebra da safra dos EUA e vai se
agravar. Ela ainda não atingiu os consumidores (o IPC veio em 0,08%), mas vai
atingir.
Já o IPCA do IBGE, índice utilizado pelo
BC, a história ainda é outra. A inflação medida em julho subiu 0,43%, depois de
ficar em 0,08% em junho. O destaque de peso foi o tomate: alta de 11,5% no mês,
no que foi seguido pela cenoura, o alho, o feijão preto, o mulatinho e as
hortaliças. O grupo alimentação, com peso de 23% no IPCA veio com 0,93%.
Habitação subiu 0,51%, pressionado pelos aluguéis e os serviços pessoais
tiveram a forte contribuição do aumento dos empregados domésticos (1,37%). Os
combustíveis contribuíram negativamente para o índice (-0,65%), fazendo com que
o grupo transportes ficasse em -0,03%.
Evidentemente o tomate, a cenoura, os
feijões, o alho e as hortaliças voltarão a cair ao longo do ano, fazendo pressão
para que o grupo alimentação caia novamente. Mas todos os outros itens, como
comentado segunda feira, começarão a exercer forte pressão altista. O forte
choque de oferta de grãos vai atingir os preços dos alimentos em breve. A contribuição
baixista do grupo transportes vai cessar e inverter o sinal: os combustíveis,
inclusive o álcool, devem subir. A inflação começará a andar mais rápido,
pressionada pelos preços internacionais de grãos e petróleo, pela desvalorização
do real frente ao dólar e pelo esgotamento da capacidade do governo em jogar
prejuízos na Petrobrás. Abaixo um quadro
onde podem ser vistos os valores acumulados no ano nos principais grupos:
A pressão que os preços internacionais
exercerão sobre nossa inflação será grande, independente da situação do
crescimento global. Esse choque de preços continuará até 2014 e continuará a
puxar a inflação para cima. Diante disso, e da enorme euforia dos mercados
globais, não causará surpresa se as estimativas de inflação começaram a subir
e, junto com elas, a taxa Selic para o fim do ano.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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