sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A semana termina sem novidades.



A semana termina sem que nada de substancial tenha sido decidido na Europa ou nos EUA. A divulgação da ata da reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve mostra que a autoridade monetária dos EUA ainda enfrenta dificuldades de coordenação para colocar em prática alguma ação adicional para evitar a desaceleração da economia. Na  Europa as lideranças continuam sem rumo para implementar o resgate da Grécia e das dívidas soberanas da Espanha e da Itália. No Brasil os formuladores de política estão apertados para oferecer uma resposta coerente aos efeitos inevitáveis da crise externa sobre nossa economia. Espremidos entre o otimismo incentivado pela forte liquidez internacional e o ceticismo imposto pelas condições atuais da economia, os mercados estão aumentando os indicadores volatilidade.



Depois da divulgação da ata da reunião do FOMC, ficou claro que o banco central dos EUA ainda não tem condições de tomar qualquer decisão de política monetária por falta de consenso. Com vai prevalecendo a posição dos diretores que são mais conservadores em termos de política fiscal e monetária. Essa posição afirma que as medidas de expansão monetária esgotaram seus efeitos - a prova seria a recente desaceleração da atividade – e que a partir de agora o governo deve se focar na política fiscal. Cortar o déficit seria a medida mais importante, já que permitiria a recuperação dos investimentos no longo prazo. Há uma clara transferência de responsabilidade do FED para o governo e o Congresso, imobilizando a autoridade monetária. Apesar de Bernanke ter a maioria dos votos do FOMC, ele ainda não se sente à vontade de impor uma nova rodada de expansão monetária sem forte apoio. Ele continuou sinalizando, como tem feito há várias reuniões, de que fará algo se for preciso

A economia, por sua vez, continua sinalizando de forma contraditória o seu nível de atividades. Hoje foram divulgadas as encomendas de bens duráveis e elas vieram sinalizando forte alta para o índice como um todo e forte queda para o índice, excluídos os bens de transporte. Abaixo o gráfico Bloomberg que mostra o comportamento das encomendas:





O índice total veio com alta de incríveis 4%, puxada pelas encomendas da aviação civil, que haviam caído fortemente no mês anterior. Subtraído o efeito dessa alta, o índice caiu 0,4%, já queda maior parte dos componentes apresentou contração. O mercado considerou o dado positivo e inverteu o sinal das bolsas que estavam em queda e passaram a alta.


Na Europa o balanço é o mesmo que temos desde 24 de julho, quando Super Mário anunciou que iria fazer o que fosse necessário. A economia continua encolhendo (atividade na Alemanha e Reino Unido em queda) e o mercado continua esperando, com bastante certeza, a solução Draghi para a recessão. A Grécia anunciar que se dispõe a vender algumas ilhas parece uma ideia pitoresca daqui, mas sinaliza a total falta de perspectiva para aquela economia. No Brasil o significado de “vender o Pão de Açúcar” é conhecido de todos nós. Vender as ilhas Gregas é um sinal de que os acordos impostos no passado recente àquele país foram impossíveis. Quando o governo Grego sinaliza com isso, vemos que não há solução. A Grécia deve sair mesmo do euro, e essa é uma questão de tempo. Na agenda de Merkel e Draghi, o que deveria ser feito já foi: alvar os bancos que estavam entupidos de dívida do país.


No Brasil estamos às voltas, uma vez  mais com uma coleção de medidas tópicas para evitar que a crise global aumente seus efeitos sobre o nível de atividades. O ministro da fazendo continua sinalizando com a possiblidade de mais ações para incentivar segmentos específicos da economia, ao mesmo tempo em que limita qualquer ação da Petrobrás em reordenar seus preços para tentar conter a inflação, que deverá se acelerar em consequência das altas dos preço globais de grãos e petróleo. E como a soma das partes não pode ser maior que o todo, a economia cede aos impulsos da crise externa e aumenta as distorções internas, por conta das políticas “localizadas” de estímulos. Ainda que tenhamos um crescimento pequeno, o que tornará a nossa economia mais desequilibrada, serão os efeitos das políticas de “estabilização” que estão sendo adotadas toda semana.


Para confirmar o estado de incerteza global, o gráfico abaixo do VIX, indicador da volatilidade do mercado acionário do EUA, mostra a volatilidade (incerteza) subindo consistentemente:



 


Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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