A semana termina sem que nada de
substancial tenha sido decidido na Europa ou nos EUA. A divulgação da ata da
reunião do comitê de política monetária do Federal
Reserve mostra que a autoridade monetária dos EUA ainda enfrenta
dificuldades de coordenação para colocar em prática alguma ação adicional para
evitar a desaceleração da economia. Na
Europa as lideranças continuam sem rumo para implementar o resgate da
Grécia e das dívidas soberanas da Espanha e da Itália. No Brasil os formuladores
de política estão apertados para oferecer uma resposta coerente aos efeitos
inevitáveis da crise externa sobre nossa economia. Espremidos entre o otimismo
incentivado pela forte liquidez internacional e o ceticismo imposto pelas
condições atuais da economia, os mercados estão aumentando os indicadores
volatilidade.
Depois da divulgação da ata da reunião do
FOMC, ficou claro que o banco central dos EUA ainda não tem condições de tomar qualquer
decisão de política monetária por falta de consenso. Com vai prevalecendo a
posição dos diretores que são mais conservadores em termos de política fiscal e
monetária. Essa posição afirma que as medidas de expansão monetária esgotaram
seus efeitos - a prova seria a recente desaceleração da atividade – e que a
partir de agora o governo deve se focar na política fiscal. Cortar o déficit
seria a medida mais importante, já que permitiria a recuperação dos
investimentos no longo prazo. Há uma clara transferência de responsabilidade do
FED para o governo e o Congresso, imobilizando a autoridade monetária. Apesar
de Bernanke ter a maioria dos votos do FOMC, ele ainda não se sente à vontade
de impor uma nova rodada de expansão monetária sem forte apoio. Ele continuou
sinalizando, como tem feito há várias reuniões, de que fará algo se for preciso.
A economia, por sua vez, continua
sinalizando de forma contraditória o seu nível de atividades. Hoje foram
divulgadas as encomendas de bens duráveis e elas vieram sinalizando forte alta
para o índice como um todo e forte queda para o índice, excluídos os bens de
transporte. Abaixo o gráfico Bloomberg que mostra o comportamento das
encomendas:
O índice total veio com alta de incríveis
4%, puxada pelas encomendas da aviação civil, que haviam caído fortemente no
mês anterior. Subtraído o efeito dessa alta, o índice caiu 0,4%, já queda maior
parte dos componentes apresentou contração. O mercado considerou o dado
positivo e inverteu o sinal das bolsas que estavam em queda e passaram a alta.
Na Europa o balanço é o mesmo que temos
desde 24 de julho, quando Super Mário anunciou que iria fazer o que fosse necessário.
A economia continua encolhendo (atividade na Alemanha e Reino Unido em queda) e
o mercado continua esperando, com bastante certeza, a solução Draghi para a
recessão. A Grécia anunciar que se dispõe a vender algumas ilhas parece uma ideia
pitoresca daqui, mas sinaliza a total falta de perspectiva para aquela economia.
No Brasil o significado de “vender o Pão de Açúcar” é conhecido de todos nós.
Vender as ilhas Gregas é um sinal de que os acordos impostos no passado recente
àquele país foram impossíveis. Quando o governo Grego sinaliza com isso, vemos
que não há solução. A Grécia deve sair mesmo do euro, e essa é uma questão de tempo.
Na agenda de Merkel e Draghi, o que deveria ser feito já foi: alvar os bancos
que estavam entupidos de dívida do país.
No Brasil estamos às voltas, uma vez mais com uma coleção de medidas tópicas para
evitar que a crise global aumente seus efeitos sobre o nível de atividades. O
ministro da fazendo continua sinalizando com a possiblidade de mais ações para
incentivar segmentos específicos da economia, ao mesmo tempo em que limita
qualquer ação da Petrobrás em reordenar seus preços para tentar conter a
inflação, que deverá se acelerar em consequência das altas dos preço globais de
grãos e petróleo. E como a soma das partes não pode ser maior que o todo, a economia
cede aos impulsos da crise externa e aumenta as distorções internas, por conta
das políticas “localizadas” de estímulos. Ainda que tenhamos um crescimento
pequeno, o que tornará a nossa economia mais desequilibrada, serão os efeitos
das políticas de “estabilização” que estão sendo adotadas toda semana.
Para confirmar o estado de incerteza
global, o gráfico abaixo do VIX, indicador da volatilidade do mercado acionário
do EUA, mostra a volatilidade (incerteza) subindo consistentemente:
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
3027-3101 Email: pedrosilveira@tov.com.br
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