quinta-feira, 31 de maio de 2012

Agora a Espanha.



Dentro de um cenário absolutamente previsível, a Espanha mostra alto grau de deterioração das condições financeiras do sistema bancário e, com isso, piora a percepção em relação ao risco do tesouro do país para o resto do mundo. A diferença entre a remuneração dos títulos do tesouro espanhol e a do alemão chegou ao recorde de 540 pontos, ou 5,4% a.a para os bônus de dez anos. O IBEX, índice da bolsa de Madrid, cravou 30% de queda no ano e 42% em doze meses. A situação tende a se agravar já que o Banco Central europeu não sinalizou positivamente para um pacote de ajuda à Espanha, que precisa urgentemente resgatar seu sistema bancário. Nos os dados econômicos decepcionaram, mostrando uma economia muito mais fraca do que as expectativas do mercado. No Brasil, após a decisão do Copom de reduzir em 0,5% a taxa básica, tivemos  divulgação da produção industrial de abril que mostrou a indústria em queda pelo segundo mês consecutivo.


A Espanha caminha rapidamente para uma situação semelhante à da Grécia. A falência do Bankia exige que o governo faça um aporte de 19 bilhões de euros para o que o sistema bancário fique de pé. No entanto, o governo não tem dinheiro para isso, ao menos se levarmos em conta os compromissos assumidos com a União Europeia. Para piorar as coisas, o Banco da Espanha anunciou que a saída líquida de capitais do país foi de 66 bilhões de  euros em março, acumulando 99 bilhões no ano. Essa enorme saída de capitais nos dá uma medida da pressão que o banco central vem sofrendo para manter a economia funcionando. Os bancos privados espanhóis sofreram um saque de depósitos em abril de 31 bilhões de euros. É pouco provável que o país tenha assistido uma diminuição dessa saída em abril e maio e, portanto, é difícil imaginar uma saída para o país sem que a União Europeia faça, de forma urgente, um pacote de socorro ao país. Hoje a agência de risco Fitch rebaixou os ratings das províncias de  Andaluzia, Astúrias, Canárias, Cantábria, Catalunha, Murcia, Madrid e do País Basco. A evolução da crise espanhola tem tudo para assumir proporções muito graves, já que a capacidade de gerenciamento dos líderes europeus, mostrada com a Grécia, é muito pequena.  


Soma-se ao cenário europeu a divulgação de dados econômicos que mostram que a economia dos EUA vem perdendo, de forma consistente, o dinamismo mostrado nos últimos meses do ano passado. Acabou definitivamente o impulso dado pelos programas de estímulos levados a cabo pelo governo Obama e pelo Federal Reserve. Daqui para frente a economia dos EUA precisaria de novos pacotes, ou de um impulso externo, para que o mercado de trabalho e a atividade econômica em geral, voltassem a mostrar recuperação. Mas a corrida eleitoral entre Obama e Mitt Romney dificulta qualquer ação que precisa envolver o Congresso dos EUA. O impulso externo que a economia americana pode assistir daqui para a frente é negativo, já que estamos vendo confirmado um cenário de desaceleração global. Com isso os mercados de ações devem cair mais, levando, por sua vez, a uma piora das expectativas empresariais. Mesmo com juros em níveis historicamente mínimos, é difícil imaginar uma recuperação econômica global. Dentro desse cenário é fácil explicar porque os índices divulgados hoje vieram tão fracos. As contratações do mercado de trabalho, medidas pela empresa ADP foram inferiores às esperadas pelo mercado. Eram esperadas 133 mil vagas e ocorreram 113 mil. Esse indicador é importante para antecipar o número oficial de vagas criadas e calculadas pelo Departamento do Trabalho que devem ser divulgadas amanhã. Também foi divulgado índice PMI de Chicago, que mede a atividade da região. Veio em 52,7 ante o esperado 56,1, indicando a terceira queda consecutiva. Para jogar mais água fria ainda, o Departamento do Comércio revisou para baixo a sua estimativa de crescimento do PIB do primeiro trimestre, de 2,2% para 1,9%.

Aqui no Brasil o Copom reduziu os juros em 0,5%, dentro das expectativas dos agentes. Para confirmar o quadro não animador, o IBGE divulgou a produção industrial de abril. Ela caiu 0,2% no mês, 2,9% em doze meses e 2,8%. Reafirmamos nossa expectativa em relação à perspectiva da economia brasileira: mesmo com a redução dos juros, estamos a caminho de um crescimento bem modesto, por conta da desaceleração global. A piora das condições gerais da economia tem levado à queda sistemática dos investimentos. Mesmo com as contínuas ações do governo para mitigar os riscos da desaceleração, é pouco provável que uma ação local consiga superar os efeitos negativos da crise global. Amanhã será divulgado o PIB do primeiro trimestre e ele será crucial para confirmarmos essa hipótese.


O mundo continua sem sinais do lado político que nos permitam melhorar o cenário para os próximos meses.








Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Revisando PIB e Selic para baixo.


O relatório Focus de hoje traz as expectativas do mercado em relação ao PIB de 2012 abaixo de 3%. O número, 2,99%, reflete a expectativa de altas trimestrais do PIB de 0,70%, 1,35%, 1,10% e 1,15%. É bom lembrarmos que até bem pouco atrás o governo trabalhava com uma alta de 4,5% no ano e envidava todos  os esforços para atingir essa meta. O cenário, que já não era favorável meses atrás, só se deteriorou e engoliu o otimismo que ainda restava para o PIB de 2012. Abaixo o gráfico com a evolução das expectativas do mercado para o PIB de 2012, de janeiro até hoje:







Como pode ser observado, foi só em maio que o mercado passou a revisar para baixo o crescimento do ano de forma mais acentuada. A apuração dos indicadores parciais de atividade do primeiro trimestre, mostrou uma atividade mais fraca que o esperado. De uma expectativa de alta de 1,25 em janeiro, a alta do primeiro trimestre veio para 0,7% agora e pode cair um pouco mais.
O mercado ainda acredita que a atividade pode se acelerar a partir de agora, saindo de 0,7% para 1,35%. A causa provavelmente é a redução dos juros, iniciada meses atrás, e os pacotes de estímulos realizados no primeiro trimestre.   Mas é pouco provável que o trimestre atual se acelere de forma tão intensa, já que os sinais dados em abril e maio são decepcionantes.

Os impactos da redução dos juros básicos sobre a economia são limitados e não há muito consenso sobre como eles, efetivamente, atuam sobre o nível de atividade. É pouco provável que a sua redução, dos 12,50% no final de agosto para os atuais 9,00%, consiga reverter a situação do Investimento que, como já assinalado em relatório anterior, está em declínio há cinco trimestres. Os Investimentos são mais afetados pelos juros mais longos e eles não cairão mais com tanta intensidade. Da mesma forma, as exportações e o consumo das famílias têm mostrado pouco dinamismo e os gastos governamentais não conseguirão compensar esse marasmo.

Por tudo isso, estamos revendo nossa estimativa de PIB para 2012, imputadas no sistema de expectativas do BC no início de abril, dos atuais 2,82% para 2,32%, incorporando um primeiro trimestre mais fraco que o esperado, um segundo semestre de manutenção da taxa e um incremento a partir do terceiro trimestre. E essa taxa ainda depende de melhora do cenário externo, o que está um tanto distante, considerando-se a situação atual da Europa.

É provável que o Banco Central sinta-se motivado a reduzir ainda mais os juros básicos, já que a trajetória de desvalorização do câmbio foi contida, melhorando a perspectiva para a taxa de inflação. Também reduziremos a taxa  Selic de 8,25% para 7,50%, como forma de incorporar esses eventos em nosso cenário.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br

 
Disclaimer:
"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sem sinais de recuperação


A semana termina sem que a maior parte das dúvidas sobre os grandes problemas europeus sejam retiradas. Ao contrário, à medida que vai ficando claro que a posição europeia é de aguardar as eleições na Grécia para depois agir, vai fazendo cair o nível de confiança dos agentes. A demora em promover os resgates sempre torna o processo mais caro e menos eficiente, tal como vimos em 2.008/2.009. No Brasil, a confusão em torno dos efeitos da crise sobre nossa economia só aumentou e expôs os limites que o governo local tem para controlar as principais variáveis econômicas domésticas.

Os dirigentes da União Europeia adotaram a política de “esperar para ver” em relação à Grécia. Com o complicado quadro político do país, é quase impossível para a Europa assumir um pacote de ajuda sem que haja, do outro lado do balcão, um governo com o qual possa negociar as condições mínimas para a sua efetivação. Esse é o pesadelo político da Europa, já que a tentativa mais recente de composição de um governo foi desastrosa. O recrudescimento da crise econômica tem deteriorado as condições de vida do grego mediano, levando a população a um estado de revolta que impede a estabilidade política com base na manutenção dos cortes de gastos públicos, vistos como requisitos fundamentais pelos líderes europeus. Esse impasse político não deve ser resolvido com as eleições de junho a menos que haja uma séria concessão de ambos os lados. Difícil saber se os gregos aceitarão a liderança de um novo governo e se os setores mais conservadores da UE recuarão em suas posições atuais. A postura recente de Angela Merkel não nos permite ver alguma alteração nesse quadro, já que ela não admite negociar qualquer coisa no âmbito da austeridade fiscal imposta aos países membros. A entrada do presidente francês, Francois Hollande, apesar de representar um contrapeso à linha de Merkal, também tem mostrado que a chanceler alemã não recuará facilmente de suas posições. 

Enquanto o imbróglio político europeu não é resolvido, os mercados continuar a reagir com mais pessimismo. Os preços dos ativos reais (ações) e dos títulos soberanos continua em queda livre, sinalizando o incremento da recessão no continente e o distanciamento de uma saída rápida para crise. As tensões sobre o sistema bancário europeu estão aumentando e é provável que o Banco Central Europeu tenha que tomar mais medidas para impedir novas quebras. O lado real da economia reage como o esperado, com queda do nível de atividade e com aumento do desemprego. Em relação à Europa as perspectivas continuam a piorar rapidamente e podemos e um cenário de forte recessão à medida que a solução política é retardada.

No Brasil, vai ficando claro que a crise global é séria e que tem, realmente, atingido nossa economia. Um dos sintomas dessa percepção é a queda do crescimento esperado do PIB para 2012 que saiu de 3,5% há algumas semanas e veio para quase 3% nessa semana, segundo relatório Focus. As causas dessa desaceleração não constituem consenso para os analistas, mas a queda do crescimento, essa sim, é algo já presente em todos os relatórios. As reações do governo continuam se mostrando contraditórias e pouco eficientes, mas indicam que no Planalto a percepção já não é mais a de crescimento de 4,5%.
Apesar da natureza ruim das medidas pró estímulo (são pontuais, beneficiam a poucos e não tem caráter definitivo) o que mais tem colocado dúvida na política econômica é a forma de atuação sobre o câmbio. Após todo o discurso oficial, que colocava a desvalorização do real como saída para a desaceleração da indústria, com a adoção de medidas de restrição à entradas de dólares no país,  estamos assistindo a uma mudança total da postura. Agora o Banco Central está atuando no mercado para segurar a cotação da moeda.

É uma reviravolta total na política em relação ao câmbio e revela, no mínimo, que o diagnóstico anterior estava totalmente errado. Quando o governo assumiu a posição de incentivar a desvalorização cambial por meio de medidas “administrativas”, ele ignorou o cenário de crise global e seus impactos sobre o Balanço de Pagamentos. Hoje o câmbio está se desvalorizando porque há saída líquida de recursos do Brasil. A atuação do BC não visa “atenuar a volatilidade” como anunciado pela autoridade. O BC está atuando para dar liquidez a essas saídas. Essa atuação é absolutamente normal em momentos como esse e as reservas internacionais de US$ 350 bilhões garantem que a demanda do setor privado será atendida sem qualquer problema. Mas os sinais contraditórios, emitidos para o mercado, podem trazer mais ruído do que seria necessário. Hoje a atuação da autoridade no câmbio é vista como “queda de braço” com o mercado quando, na verdade, é uma atuação normal para “zerar” o buraco nos saldos do mesmo.

A queda da atividade e do crescimento esperado para 2012 ajudaram as taxas de juros caírem mais um pouco e mostram que a percepção de risco em relação à nossa economia está intacta. Via de regra, quando a política econômica é vista com muita desconfiança, os prêmios sobre as taxas de juros aumentam significativamente. Não temos assistido esse evento, mesmo com o desconforto causado pelas ações recentes do governo. Tudo indica que essa saída de capitais do Brasil tenha o mesmo significado que tem para outras economias emergente: aumento da aversão aos riscos por parte dos investidores globais.

 








Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br



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quarta-feira, 23 de maio de 2012

À espera de um milagre?



Os mercados europeus estão assistindo a uma forte queda antes da reunião informal dos líderes da União Europeia. Essa reunião foi vista como uma possível esperança de solução da crise, no final de semana, mas sua proximidade disseminou o sentimento de que nada de novo pode ser esperado. A Agência Estado entrevistou o economista James Galbraith, da Universidade de Austin, e ele resume o que pode ser o sentimento do mercado:



NOVA YOR - O risco de o mundo mergulhar numa recessão está de volta. O alerta é do economista James K. Galbraith, professor de Economia na Universidade de Austin, no Texas. "O risco é o mesmo de 2008, de que haja corrida, de que haja pânico", disse ele, em entrevista, por telefone, à Agência Estado. Aliás, diz ele, nem chegamos a sair da crise anterior. "Ainda estamos nela."
Nesse contexto tão incerto cabe à Alemanha e ao Banco Central Europeu agirem para evitar que a zona do euro desmorone. "É preciso que a Alemanha escolha se adotará políticas diferentes para salvar o euro ou se segue no caminho atual e quebra todo o sistema."


Difícil discordar do economista quando ele diz que não saímos ainda da crise de 2.008, já que o grande problema fiscal europeu é consequência dos programas de resgate ao sistema financeiro e da forte recessão que colapsou  as receitas dos estados. Ainda estamos submersos nos problemas causados pela crise financeira de 2.008 e o abandono das políticas de estímulo, realizadas a partir de 2.009, empurrou a Europa para o buraco em que está. Além disso, não haverá saída enquanto as políticas de austeridade não forem abandonadas. A reação dos mercados hoje, com quedas de 1,5% a 2,0% e com o derretimento do euro frente ao dólar, apenas mostra que é quase certo que os líderes europeus não conseguirão abandonar suas políticas nessa reunião. A parte importante da solução do problema, que é a mudança de políticas por parte da Alemanha, parece difícil de ocorrer hoje. Se verdade, a quebra do sistema, como alerta Galbraith, pode estar mais perto.

A exposição dos bancos europeus ao evento “saída da Grécia do euro” é suficientemente grande para que a sua ocorrência confirme a nossa tese de que a Grécia é o Lehman do momento. As dívidas soberanas das outras economias mais frágeis, como Espanha, Portugal e Irlanda poderão assistir um derretimento muito forte, exigindo novos programas de resgate, que superariam em larga escala os programas feitos para a Grécia e que são objeto de forte rejeição por parte dos atuais líderes da EU. Esse comportamento, de queda da confiança dos mercados em relação aos ativos europeus, pode empurrar os políticos a um pronunciamento mais amigável a uma mudança de política, nos moldes do que ocorreu na semana passada na relação entre Merkel e Hollande. Após um período de fortes críticas  ao socialista, Merkel acabou sendo obrigada pelos mercados a sinalizar com uma postura mais solidária. Talvez isso se repita hoje, mas o mercado passa a depender do tempo e discursos podem não fazer mais efeito. Caso a União Europeia não mostre iniciativas muito concretas no caminho de implantar políticas de estímulo à economia e mudança de abordagem em relação à Grécia, o cenário de Galbraith deve ocorrer.

Nos EUA os desdobramentos da queda de preços do Facebook têm colocado desconforto até para as autoridades que começam a se mexer parta investigar o que houve. O resultado ruim da Dell e a perspectiva de contração econômica em 2013, sinalizada pelo Congressional Budget Office, aumentou ainda mais o clima  de ceticismo dos mercados em relação às perspectivas econômicas.

Hoje foram divulgadas as últimas expectativas em relação à reunião do COPOM na semana que vem. A maioria dos analistas está esperando uma queda 0,5% nessa reunião e 8% de taxa no final do ano, implicando em mais 0,5%. Há gente esperando uma Selic um pouco mais baixa, em torno de 7,50%. Mas é importante salientar que há uma diferença fundamental entre o que podemos esperar da taxa Selic na semana que vem e a do fim do ano, por mais que isso pareça trivial. A taxa da semana que vem está nas mãos do Banco Central e ele tem total liberdade para decidir se a taxa cai 0,5% ou 0,75%, sem que isso promova uma enorme confusão nos mercados, ao menos uma que possa afetar a economia. Já a taxa Selic para o fim do ano não depende das decisões tomadas em Brasília; ela decorre, hoje, do que vai acontecer na economia global e isso está, ainda, totalmente indefinido. Ou a economia mergulha em uma enorme recessão, como dissemos no início do relatório, ou a mudança de política, por parte da Europa, reverte as expectativas e é capaz de atenuar os efeitos da crise na nossa economia. O primeiro cenário nos leva a uma taxa Selic muito inferior aos 8%, já que a desaceleração da economia seria forte. Na verdade, estaríamos vivendo um cenário inédito na economia global, com uma crise talvez pior do que a vivida em 2.008. Mas seria um ambiente deflacionário, exigindo uma queda também inédita dos juros. O segundo cenário já seria mais benéfico à economia brasileira, pois implicaria em uma expectativa de recuperação global, com efeitos significativos sobre os preços de commodities e os preços de ativos reais dos países emergentes. Nesse cenário, o ambiente seria mais inflacionário e deteria a queda dos juros a um nível próximo do que estamos. De qualquer maneira, o fundamental é que a decisão sobre os juros básicos no fim de 2.008 é fortemente dependente de uma variável que está indefinida. Em função do exposto, mantemos nossa expectativa de queda de 0,5% para a próxima reunião e 8,25% para o fim do ano. Mas essa estimativa para dezembro está dependendo muito mais do que fizerem os dirigentes europeus do que o cenário indicado por qualquer modelo de estimação.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
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