segunda-feira, 14 de maio de 2012

O mundo está um pouco mais maia.

A reunião dos dirigentes do BCE, da CE e do Eurogrupo terminou com o desfecho previsto: ou a Grécia faz o que sabemos que ela não pode fazer ou sai fora do euro. Essa postura foi reafirmada pelos minitros da região, sobretudo com o discurso nada simpático da austríaca Maria Feker (no Valor On Line): "temos um contrato e isso significa que suas condições têm de ser cumpridas e que só assim o dinheiro fluirá". Essa postura de endurecimento parece ser a contrapartida ao desabamento das superestruturas polítcas desse pequeno país em frangalhos.

Há quem se habilite a constatar que o custo para a saída dos gregos será baixo para os europeus, mas eu temo que haverá uma enorme frustração dos mercados ao perceber que boa parte dos problemas europeus não está na Grécia, mas em todos os países, e que a recessão será um evento independente do ocaso grego. A dilvulgação dos dados da pordução industrial de março (a Holanda teve um a queda de 9% em março após uma alta de 10% em fevereiro, para dar um exemplo) mostra que o problema de crescimento é aspecto mais sério e que demandará muito mais do que os líderes estão fazendo hoje. O aprofundamento da crise europeia deve muita coisa às políticas contracionistas adotadas em escala no continente, que faz questão de nos relembrar o que foi o receituário de Herbert Hoover para a crise dos anos 1930. Tirar a Grécia do bloco pode ser equivalente a demitirem o "bode"; eles perderão o culpado de sempre.

Após o pregão de hoje, muita gente pode pensar que o Maias, que "previram" o fim do mundo em 2012, estavam certos. Ainda que duvidemos disso, com estragos causados pela confusão européia e com a indisposição das lideranças em resolvê-la, estamos em um mundo um pouco mais Maia do que seria de se desejar...



Pedro Paulo Silveira (Economista)
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