Se considerarmos a quebra do
Lehman Brothers como a data de início da “Super Crise”, ela estará completando quatro anos em
agosto. A crise desatou uma enorme discussão sobre a falta de regulação do
sistema bancário, que permitiu que bancos, ao redor do mundo, se entupissem de
ativos tóxicos, levando o sistema bancário global ao colapso. Para tentar
segurar o derretimento das mais importantes economias do planeta, os governos e
seus bancos centrais atuaram coordenadamente com uma estratégia baseada em: (1)
estabilização das taxas de câmbio ; (2) estímulo à liberdade do comércio global
; (3) suporte aos sistemas bancários com forte injeção de dinheiro estatal e,
finalmente, (4) fortes estímulos fiscais. Paralelamente, os governos foram
aconselhados a adotarem regulações mais rígidas sobre os seus bancos, de sorte
a garantir que os erros cometidos no mercado sub prime se repetissem. A adoção dessas políticas, de forma coordenada,
em 2009, levou à estabilização do comércio global, com crescimento a partir de
2010 e recuperação dos mercado já em 2009. Houve forte intervenção dos governos
em seus sistemas bancários, com injeção de capital superior a USD 1,5 trilhão;
os governos passaram a expandir seus gastos, como forma de estimular suas taxas
de crescimento; as taxas de câmbio ficaram estabilizadas, evitando colapso dos
fluxos financeiros globais e, nos EUA, foi aprovada uma nova lei, a lei
Frank-Dodd, que tenta, ainda de forma modesta, regular melhor os mercados.
Após todos esses esforços
iniciais, a economia global está mostrando claros sinais de retrocesso, com a
queda da taxa de crescimento, com o recrudescimento da recessão europeia e com
a piora das condições do sistema bancário, novamente. Aos poucos, apesar dos
insistentes alertas de vários economistas, os governos foram abandonando a
estratégia inicial e repetindo boa parte dos equívocos cometidos na crise dos
anos 1930. Abandonaram a cooperação em termos de comércio e taxas de câmbio e
eliminaram os estímulos fiscais, passando a promover políticas de aperto
fiscal. As economias que estavam “subindo a ladeira” perderam seu impulso e
começaram a descê-la novamente.
Ontem, outra importante parte
da estratégia anti crise mostrou-se
completamente falha: o JP Morgan Chase anunciou que perdeu US$ 2 bilhões e que
pode, potencialmente, perder mais US$ 1 bi no próximo trimestre. Essa perda
ocorreu na “mesa proprietária” do banco, onde são feitas posições especulativas
em diversos mercados e tipos de ativos. O banco passou a aumentar suas posições
de risco após a crise, como forma de compensar a perda de receita em outras
áreas, típicas de banco, como crédito imobiliário. De acordo com matéria de 13
de abril, a Bloomberg informou que as posições de risco em derivativos de
crédito da mesa londrina do banco somavam US$ 200 bilhões. Ao anunciar essa
perda, o JP Morgan nos avisa que as autoridades estão ignorando os enormes
riscos oferecidos pelos grandes bancos globais, mesmo após enormes crises que
custaram vários trilhões de dólares aos contribuintes. Os bancos que assumiram
enormes riscos na crise na crise sub
prime - que hoje é responsável pelo desemprego de mais de 50 milhões de
pessoas no planeta - voltam a insistir nesse velho modelo sem que as autoridades
mostrem algum sinal de reação. As ações do banco estão caindo algo como 8%,
mas, muito mais importante que isso, essa aventura mal sucedida dos dirigentes
do JP Morgan indicam que estamos muito mais vulneráveis do que imaginávamos e confirmam
a tese de que os mercados não aprendem com seus erros. O prejuízo de US$ 2
bilhões do mais importante banco dos EUA, em apostas irresponsáveis, indica que
a crise atual está sendo gerenciada de forma insuficiente. Aumentam os riscos
sistêmicos para a economia global.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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