As bolsas da Europa estão
caindo cerca de 2%, já que os agentes não digeriram muito bem a falta de acordo
para composição do governo grego. Além disso, a divulgação da produção
industrial de março trouxe dados piores que o esperado; a produção de março na
Zona do Euro caiu 0,3 no mês de março e 2,2% nos doze meses de março de 2011 a
março de 2012. Adicionalmente, a situação política da primeira ministra Angela
Merkel ficou mais frágil com a derrota
de partido na eleição eleitoral da Renania (estado mais populoso do país) para a
aliança do SPD (social democrata) com o PV. No Brasil a bolsa abriu em queda, o
dólar está com alta e os juros caíram novamente. Os mercados estão colocando
nos preços os possíveis impactos da recessão na Europa, que implicam em redução
na atividade da economia brasileira e no aumento da aversão aos riscos. A bolsa
dos EUA sinaliza queda em seus futuros.
Na semana passada alguns
funcionário graduados dos organismos europeus, particularmente da Comissão
Europeia, avisavam que a possível saída da Grécia da Zona do Euro seria bem
suportada e não ameaçaria a continuidade da moeda. É quase certo que eles
estejam com toda razão, mas isso jamais implicaria que a saída do país seria
livre de custos para a região. A Grécia abandonar o euro implicaria em calote
na sua dívida externa e isso teria implicações pouco transparentes para o
sistema bancário. Ademais, essa saída poderia sinalizar o caminho para outros
países que estão sob forte pressão, com Portugal, Espanha e Irlanda. Mas não é
só o temor a respeito da Grécia que levou o mercado ao derretimento hoje; a
divulgação da produção industrial de março mostrou queda de 0,3% contra a
expectativa de alta de 0,4%. No acumulado de doze meses, a queda foi de 2,2%,
contra expectativa de -1,4%. Os agentes
começam a ver a recessão europeia como uma realidade bastante palpável e isso
contraria as expectativas geradas em torno da estratégia atual do BCE e da Comissão
Europeia de austeridade fiscal associada à expansão monetária. Se os países não
crescem, a arrecadação d e impostos tende a cair, piorando o já debilitado
quadro fiscal, aumentando as dúvidas em relação à sustentabilidade das dívidas
soberanas. Esse cenário sombrio, de pioria exponencial das condições de
crescimento e, portanto, fiscais dos países da Europa, vai se fortalecendo como
mais provável e vai aumentado as dúvidas em relação à capacidade que os líderes
majoritário do bloco têm de gerenciar essa super crise. A recente derrota de
Sarkozy na França sinaliza o que pode, potencialmente, acontecer aos políticos
europeus que não encontram respostas para o crescente descontentamento popular.
Angela Merkel e seu partido sofreram uma derrota importante nas eleições
realizadas nesse final de semana no maior estado alemão, a Renania. A aliança
entre os social democratas do SPD com os verdes do PV ganhou as eleições com
51% dos votos. Essa derrota enfraqueceu Merkel e colocou em questão se os
atuais políticos que lideram o bloco continuarão no poder por muito tempo. Um
mercado que já não sabe ao certo se todos os atuais membros do bloco
continuarão a ser membros nos próximos anos, passa a ter dúvidas muito
profundas em relação a quem comandará a crise nos próximos meses. A Europa vive
um processo no qual o econômico contamina o político que volta a contaminar o
econômico. Esse círculo vicioso, cuja ruptura que depende de um grau de coordenação
política muito grande, parece estar longe de ser dominado. Hoje haverá uma
reunião entre o presidente do BCE, Mario Draghi, o presidente da Comunidade
Europeia, João Manuel Barroso e o presidente do
Eurogrupo, Jean-Claude Junker. Eles discutirão a situação na
Grécia e na Espanha. Mas não devemos esperar alguma coisa de produtivo dessa reunião, afinal as propostas de solução geralmente apresentadas por Draghi mais agravam do que remediam as explosivas crises desses dois países.
Grécia e na Espanha. Mas não devemos esperar alguma coisa de produtivo dessa reunião, afinal as propostas de solução geralmente apresentadas por Draghi mais agravam do que remediam as explosivas crises desses dois países.
No Brasil, como resultado da
enorme confusão global , a bolsa está em queda forte e o dólar está firme rumo aos R$ 2,00, podendo
chegar a essa cotação ainda hoje. Esse quadro, de agravamento da recessão
europeia com reflexos em toda a economia global, deixa em segundo plano os
riscos inflacionários decorrentes da política econômica atual, baseada nas contínua
expansão dos gastos, afrouxamento monetário e desemprego baixo. A diminuição da
demanda global continuará a impactar a economia brasileira, reduzindo a demanda
total por manufaturados e pressionando o desemprego para cima, o que compensa
em parte as pressões decorrentes da política expansionista. Mas o que permanece
nesse cenário, é o aumento das incertezas em relação às perspectivas da
economia brasileira. O menor crescimento em 2012, poderá piorar as condições econômicas
que sustentam os ativos bancários no Brasil. Com o forte aumento dos ativos de
crédito, decorrente dos anos de crescimento elevado e redução dos juros, os impactos da desaceleração econômica ficam
cada vez mais elevados. É possível que a redução dos juros, associada à
atividade agressiva dos bancos oficiais na aquisição desses ativos (que tendem
a ficar piores à medida que a crise se aprofunda) atue como uma ação defensiva
em relação à uma crise sistêmica no sistema bancário nacional. Mas se a
economia se desacelerar de maneira agressiva no Brasil, com significativo
aumento do desemprego, a qualidade dos ativos de crédito pode piorar, nos
fazendo relembrar os piores momentos da crise de 2008/2009. Como já coloquei
várias vezes, o cobertor é curto, também para o governo brasileiro.
Com a falta de dados nos EUA,
os mercados devem ficar digerindo a crise europeia que tem amanhã um capítulo importante com a
divulgação do PIB do primeiro trimestre do ano. O mercado espera uma retração
de 0,2% para a Zona como um todo e crescimento de 0,1% na Alemanha. A confusão
deve continuar.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
3027-3101 Email: pedrosilveira@tov.com.br
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"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores
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