O relatório Focus de hoje traz
as expectativas do mercado em relação ao PIB de 2012 abaixo de 3%. O número,
2,99%, reflete a expectativa de altas trimestrais do PIB de 0,70%, 1,35%, 1,10%
e 1,15%. É bom lembrarmos que até bem pouco atrás o governo trabalhava com uma
alta de 4,5% no ano e envidava todos os
esforços para atingir essa meta. O cenário, que já não era favorável meses
atrás, só se deteriorou e engoliu o otimismo que ainda restava para o PIB de
2012. Abaixo o gráfico com a evolução das expectativas do mercado para o PIB de
2012, de janeiro até hoje:
Como pode ser observado, foi só
em maio que o mercado passou a revisar para baixo o crescimento do ano de forma
mais acentuada. A apuração dos indicadores parciais de atividade do primeiro
trimestre, mostrou uma atividade mais fraca que o esperado. De uma expectativa de
alta de 1,25 em janeiro, a alta do primeiro trimestre veio para 0,7% agora e
pode cair um pouco mais.
O mercado ainda acredita que a
atividade pode se acelerar a partir de agora, saindo de 0,7% para 1,35%. A
causa provavelmente é a redução dos juros, iniciada meses atrás, e os pacotes
de estímulos realizados no primeiro trimestre. Mas é pouco
provável que o trimestre atual se acelere de forma tão intensa, já que os
sinais dados em abril e maio são decepcionantes.
Os impactos da redução dos
juros básicos sobre a economia são limitados e não há muito consenso sobre como
eles, efetivamente, atuam sobre o nível de atividade. É pouco provável que a
sua redução, dos 12,50% no final de agosto para os atuais 9,00%, consiga
reverter a situação do Investimento que, como já assinalado em relatório
anterior, está em declínio há cinco trimestres. Os Investimentos são mais
afetados pelos juros mais longos e eles não cairão mais com tanta intensidade. Da
mesma forma, as exportações e o consumo das famílias têm mostrado pouco
dinamismo e os gastos governamentais não conseguirão compensar esse marasmo.
Por tudo isso, estamos revendo
nossa estimativa de PIB para 2012, imputadas no sistema de expectativas do BC
no início de abril, dos atuais 2,82% para 2,32%, incorporando um primeiro
trimestre mais fraco que o esperado, um segundo semestre de manutenção da taxa
e um incremento a partir do terceiro trimestre. E essa taxa ainda depende de
melhora do cenário externo, o que está um tanto distante, considerando-se a
situação atual da Europa.
É provável que o Banco Central
sinta-se motivado a reduzir ainda mais os juros básicos, já que a trajetória de
desvalorização do câmbio foi contida, melhorando a perspectiva para a taxa de
inflação. Também reduziremos a taxa Selic de 8,25% para 7,50%, como forma de
incorporar esses eventos em nosso cenário.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
3027-3101 Email: pedrosilveira@tov.com.br
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"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores
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com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com
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