segunda-feira, 28 de maio de 2012

Revisando PIB e Selic para baixo.


O relatório Focus de hoje traz as expectativas do mercado em relação ao PIB de 2012 abaixo de 3%. O número, 2,99%, reflete a expectativa de altas trimestrais do PIB de 0,70%, 1,35%, 1,10% e 1,15%. É bom lembrarmos que até bem pouco atrás o governo trabalhava com uma alta de 4,5% no ano e envidava todos  os esforços para atingir essa meta. O cenário, que já não era favorável meses atrás, só se deteriorou e engoliu o otimismo que ainda restava para o PIB de 2012. Abaixo o gráfico com a evolução das expectativas do mercado para o PIB de 2012, de janeiro até hoje:







Como pode ser observado, foi só em maio que o mercado passou a revisar para baixo o crescimento do ano de forma mais acentuada. A apuração dos indicadores parciais de atividade do primeiro trimestre, mostrou uma atividade mais fraca que o esperado. De uma expectativa de alta de 1,25 em janeiro, a alta do primeiro trimestre veio para 0,7% agora e pode cair um pouco mais.
O mercado ainda acredita que a atividade pode se acelerar a partir de agora, saindo de 0,7% para 1,35%. A causa provavelmente é a redução dos juros, iniciada meses atrás, e os pacotes de estímulos realizados no primeiro trimestre.   Mas é pouco provável que o trimestre atual se acelere de forma tão intensa, já que os sinais dados em abril e maio são decepcionantes.

Os impactos da redução dos juros básicos sobre a economia são limitados e não há muito consenso sobre como eles, efetivamente, atuam sobre o nível de atividade. É pouco provável que a sua redução, dos 12,50% no final de agosto para os atuais 9,00%, consiga reverter a situação do Investimento que, como já assinalado em relatório anterior, está em declínio há cinco trimestres. Os Investimentos são mais afetados pelos juros mais longos e eles não cairão mais com tanta intensidade. Da mesma forma, as exportações e o consumo das famílias têm mostrado pouco dinamismo e os gastos governamentais não conseguirão compensar esse marasmo.

Por tudo isso, estamos revendo nossa estimativa de PIB para 2012, imputadas no sistema de expectativas do BC no início de abril, dos atuais 2,82% para 2,32%, incorporando um primeiro trimestre mais fraco que o esperado, um segundo semestre de manutenção da taxa e um incremento a partir do terceiro trimestre. E essa taxa ainda depende de melhora do cenário externo, o que está um tanto distante, considerando-se a situação atual da Europa.

É provável que o Banco Central sinta-se motivado a reduzir ainda mais os juros básicos, já que a trajetória de desvalorização do câmbio foi contida, melhorando a perspectiva para a taxa de inflação. Também reduziremos a taxa  Selic de 8,25% para 7,50%, como forma de incorporar esses eventos em nosso cenário.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br

 
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