quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma trégua para os mercados


A falta de notícias econômicas e a possibilidade formação de um governo de unidade na Grécia permitiram que os mercados respirassem com mais alívio na abertura do pregão de hoje.  Na Espanha a nacionalização do quarto maior banco privado, o Bankia, sinalizou que a fragilidade bancária do país está em evolução, mas permitiu um alívio temporário nas opressões sobre o sistema espanhol. No Brasil, a divulgação da inflação no primeiro decêndio de maio pela FGV confirma as expectativas de alta da inflação.


Após cinco dias de bastante turbulência e aumento do pessimismo em relação às condições globais, os mercados estão em recuperação, motivados pela perspectiva de acordo política na Grécia. Ali, os partidos majoritários tentarão compor um novo governo para administrar a forte crise política e econômica que desmantelou os mercados. Também será paga a primeira parcela do pacote de socorro feito pela Comunidade Europeia, retirando as dúvidas que pairavam até ontem sobre a possibilidade de não liberação.  A Espanha nacionalizou o Bankia, quarto maior banco do país e, com isso, evitou o agravamento da crise que está sufocando o sistema bancário espanhol. Até mesmo o partido da oposição, o socialista PSOE, apoiou a operação, temendo o colapso. A bolsa espanhola, que acumula queda de quase 20% no ano, reagiu com uma forte alta de 3,5% no dia. Na esteira das bolsas, o euro também teve alta, ainda que mais moderada,  frente ao dólar e as dívidas soberanas interromperam o movimento de queda que fez com que os títulos espanhóis voltassem a pagar retornos superiores a 6% ontem. Nos EUA, a divulgação do número de seguros desemprego não apresentou nenhuma  surpresa, ao passo que o saldo da balança comercial piorou como consequência do aumento das importações, indicando um nível de atividade melhor do que o mercado esperava.


No Brasil, o IGP-M de maio tende a apresentar um número superior a 1%, já que os primeiros dez dias de coleta já levaram o índice a 0,89%. O principal acelerador dessa alta foi o grupo de alimentos, com 2,16%, puxado pela soja, com alta de mais de 7%. A reação do mercado foi a de continuar a puxar para cima os juros mais longos, aumentando os prêmios das aplicações. Esse movimento, que tende a continuar, deverá, mais uma vez, elevar as expectativas inflacionárias nos próximos pregões. É de se esperar que as expectativas sofram alguma deterioração no que diz respeito à manutenção do afrouxamento d apolítica monetária que pode ganhar, segundo rumores, impulso com a redução dos compulsórios. A alta do dólar também deu refresco para o real, que como o euro, apresenta leve valorização.


Após todo o pessimismo anterior, os mercados estão mais aliviados diante da trégua dos números e da política.


 
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br



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