A falta de notícias econômicas
e a possibilidade formação de um governo de unidade na Grécia permitiram que os
mercados respirassem com mais alívio na abertura do pregão de hoje. Na Espanha a nacionalização do quarto maior
banco privado, o Bankia, sinalizou que a fragilidade bancária do país está em
evolução, mas permitiu um alívio temporário nas opressões sobre o sistema
espanhol. No Brasil, a divulgação da inflação no primeiro decêndio de maio pela
FGV confirma as expectativas de alta da inflação.
Após cinco dias de bastante
turbulência e aumento do pessimismo em relação às condições globais, os mercados
estão em recuperação, motivados pela perspectiva de acordo política na Grécia.
Ali, os partidos majoritários tentarão compor um novo governo para administrar
a forte crise política e econômica que desmantelou os mercados. Também será
paga a primeira parcela do pacote de socorro feito pela Comunidade Europeia,
retirando as dúvidas que pairavam até ontem sobre a possibilidade de não
liberação. A Espanha nacionalizou o Bankia,
quarto maior banco do país e, com isso, evitou o agravamento da crise que está
sufocando o sistema bancário espanhol. Até mesmo o partido da oposição, o socialista
PSOE, apoiou a operação, temendo o colapso. A bolsa espanhola, que acumula
queda de quase 20% no ano, reagiu com uma forte alta de 3,5% no dia. Na esteira
das bolsas, o euro também teve alta, ainda que mais moderada, frente ao dólar e as dívidas soberanas
interromperam o movimento de queda que fez com que os títulos espanhóis voltassem
a pagar retornos superiores a 6% ontem. Nos EUA, a divulgação do número de
seguros desemprego não apresentou nenhuma surpresa, ao passo que o saldo da balança
comercial piorou como consequência do aumento das importações, indicando um
nível de atividade melhor do que o mercado esperava.
No Brasil, o IGP-M de maio
tende a apresentar um número superior a 1%, já que os primeiros dez dias de
coleta já levaram o índice a 0,89%. O principal acelerador dessa alta foi o grupo
de alimentos, com 2,16%, puxado pela soja, com alta de mais de 7%. A reação do
mercado foi a de continuar a puxar para cima os juros mais longos, aumentando
os prêmios das aplicações. Esse movimento, que tende a continuar, deverá, mais
uma vez, elevar as expectativas inflacionárias nos próximos pregões. É de se
esperar que as expectativas sofram alguma deterioração no que diz respeito à
manutenção do afrouxamento d apolítica monetária que pode ganhar, segundo
rumores, impulso com a redução dos compulsórios. A alta do dólar também deu
refresco para o real, que como o euro, apresenta leve valorização.
Após todo o pessimismo anterior,
os mercados estão mais aliviados diante da trégua dos números e da política.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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