Ontem o pregão terminou com
queda de 2,26% depois de abrir um pouco mais otimista, mas a bolsa brasileira
foi arrastada pelo mau humor em relação à Europa que teve a confirmação de que
a Grécia não conseguiria compor um novo governo e a sinalização de vários
líderes europeus de que a sua saída da moeda europeia era quase inevitável. Após
o fechamento dos mercados, porém, tivemos discursos bastante amigáveis de
Hollande e Merkel e o resultado da Petrobrás acima do esperado pelos analistas.
Com essa ajuda e com novas promessas e dados econômicos favoráveis, o dia promete
um pouco de otimismo.
A bolsa brasileira vem sofrendo
mais que a média das bolsas por conta da piora das expectativas em relação aos
impactos da crise global sobre nossa economia. E essas expectativas vêm sendo turbinadas
pela decepção resultante da divulgação dos balanços das empresas brasileiras do
primeiro trimestre do ano. Também aumentam as dúvidas e o nervosismo quanto à
perspectiva da inflação, do câmbio e os possíveis impactos sobre o sistema
bancário brasileiro. Soma-se a esse cenário pouco satisfatório, a insistência
do governo em manter o preço da gasolina sob controle total, subordinando os
resultados da maior companhia aberta do Brasil aos objetivos de política econômica.
Tudo isso colaborou para que a bolsa brasileira zerasse seus ganhos no ano e
passasse a ficar no vermelho no ano. O comportamento dos juros mais longos
indica que a percepção de risco em relação ao Brasil mantem-se favorável,
apesar dessas questões. Daí que a fuga de nossos ativos seja muito mais
resultado do comportamento global de realocação de portfólios, do que uma
agenda específica em relação ao país. Mas essa queda de juros indica, também,
que os agentes apostam vigorosamente em uma desaceleração da nossa economia
como evento mais provável do qualquer outro. Mesmo com a possibilidade bastante
palpável de aumento da inflação, já refletida nas expectativas coletadas pelo
Banco Central, as taxas mais longas continuam em nível bastante baixo. O real,
por seu turno, indica que a aversão ao risco continua aumentando, puxando o
dólar para cima, auxiliado pelos discursos do ministro Mantega, que considera a desvalorização
um impulso satisfatório para a nossa indústria. Esse cenário de curto prazo deve se
manter por mais tempo, já que os seus condicionantes não devem sofrer alteração
nas próximas semanas. Mas hoje a bolsa respirou um pouco mais aliviada por
conta da divulgação do balanço da Petrobrás, que apresentou um lucro de R$ 9,4
bilhões quando se esperava um lucro ao redor de R$ 8 bilhões. Mesmo com a
política de contenção dos preços da gasolina, diante do aumento dos preços
internacionais do petróleo e da desvalorização do câmbio, a empresa surpreendeu
o mercado e trouxe motivação para uma alta que chegou a superar 5% na abertura.
Na Europa, após todos os
discursos que lançaram enorme confusão a respeito da permanência da Grécia na
Zona do Euro, Angela Merkel e Francois Hollande se reuniram, mostrando um
discurso mais conciliador e acenando claramente para o desejo de colaborar com
o gregos. Adicionalmente, surgiram rumores de que o Banco Central Europeu pode
retomar os programas de compras de títulos soberanos para estabilizar os
mercados que vêm sendo pressionados nas últimas semanas. Bolsas, títulos
soberanos e o euro ficaram mais estáveis após esses eventos.
Nos EUA foram divulgados
indicadores econômicos mais positivos que as expectativas. A produção
industrial de abril subiu 1,1%, contra a expectativa de 0,9%; a Utilização da
Capacidade Instalada foi para 79,2% e o início de construção de residências
saltou para 717 mil, contra a expectativa de 690 mil. Esses são dados
importantes, afinal se referem a setores cruciais da economia dos EUA e podem
minar um pouco o pessimismo em torno da capacidade de recuperação da maior
economia do planeta. Esse otimismo poderá se reforçado, ou não, com a
divulgação da Ata do Federal Open Market
Committee à tarde. Ali os diretores do banco central indicam a sua visão em
relação ao estado atual e às perspectivas da economia americana e podem emitir
sinais sobre os passos da autoridade monetária na administração dessa crise.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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