quarta-feira, 16 de maio de 2012

O resultado da Petrobrás surpreende.



Ontem o pregão terminou com queda de 2,26% depois de abrir um pouco mais otimista, mas a bolsa brasileira foi arrastada pelo mau humor em relação à Europa que teve a confirmação de que a Grécia não conseguiria compor um novo governo e a sinalização de vários líderes europeus de que a sua saída da moeda europeia era quase inevitável. Após o fechamento dos mercados, porém, tivemos discursos bastante amigáveis de Hollande e Merkel e o resultado da Petrobrás acima do esperado pelos analistas. Com essa ajuda e com novas promessas e dados econômicos favoráveis, o dia promete um pouco de otimismo.


A bolsa brasileira vem sofrendo mais que a média das bolsas por conta da piora das expectativas em relação aos impactos da crise global sobre nossa economia. E essas expectativas vêm sendo turbinadas pela decepção resultante da divulgação dos balanços das empresas brasileiras do primeiro trimestre do ano. Também aumentam as dúvidas e o nervosismo quanto à perspectiva da inflação, do câmbio e os possíveis impactos sobre o sistema bancário brasileiro. Soma-se a esse cenário pouco satisfatório, a insistência do governo em manter o preço da gasolina sob controle total, subordinando os resultados da maior companhia aberta do Brasil aos objetivos de política econômica. Tudo isso colaborou para que a bolsa brasileira zerasse seus ganhos no ano e passasse a ficar no vermelho no ano. O comportamento dos juros mais longos indica que a percepção de risco em relação ao Brasil mantem-se favorável, apesar dessas questões. Daí que a fuga de nossos ativos seja muito mais resultado do comportamento global de realocação de portfólios, do que uma agenda específica em relação ao país. Mas essa queda de juros indica, também, que os agentes apostam vigorosamente em uma desaceleração da nossa economia como evento mais provável do qualquer outro. Mesmo com a possibilidade bastante palpável de aumento da inflação, já refletida nas expectativas coletadas pelo Banco Central, as taxas mais longas continuam em nível bastante baixo. O real, por seu turno, indica que a aversão ao risco continua aumentando, puxando o dólar para cima, auxiliado pelos discursos do ministro Mantega, que considera a desvalorização um impulso satisfatório para a nossa indústria. Esse cenário de curto prazo deve se manter por mais tempo, já que os seus condicionantes não devem sofrer alteração nas próximas semanas. Mas hoje a bolsa respirou um pouco mais aliviada por conta da divulgação do balanço da Petrobrás, que apresentou um lucro de R$ 9,4 bilhões quando se esperava um lucro ao redor de R$ 8 bilhões. Mesmo com a política de contenção dos preços da gasolina, diante do aumento dos preços internacionais do petróleo e da desvalorização do câmbio, a empresa surpreendeu o mercado e trouxe motivação para uma alta que chegou a superar 5% na abertura.


Na Europa, após todos os discursos que lançaram enorme confusão a respeito da permanência da Grécia na Zona do Euro, Angela Merkel e Francois Hollande se reuniram, mostrando um discurso mais conciliador e acenando claramente para o desejo de colaborar com o gregos. Adicionalmente, surgiram rumores de que o Banco Central Europeu pode retomar os programas de compras de títulos soberanos para estabilizar os mercados que vêm sendo pressionados nas últimas semanas. Bolsas, títulos soberanos e o euro ficaram mais estáveis após esses eventos.


Nos EUA foram divulgados indicadores econômicos mais positivos que as expectativas. A produção industrial de abril subiu 1,1%, contra a expectativa de 0,9%; a Utilização da Capacidade Instalada foi para 79,2% e o início de construção de residências saltou para 717 mil, contra a expectativa de 690 mil. Esses são dados importantes, afinal se referem a setores cruciais da economia dos EUA e podem minar um pouco o pessimismo em torno da capacidade de recuperação da maior economia do planeta. Esse otimismo poderá se reforçado, ou não, com a divulgação da Ata do Federal Open Market Committee à tarde. Ali os diretores do banco central indicam a sua visão em relação ao estado atual e às perspectivas da economia americana e podem emitir sinais sobre os passos da autoridade monetária na administração dessa crise.



Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


 
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