Após a enorme confusão
promovida nos mercados ontem, o dia começou um pouco melhor. A motivação foi a
divulgação do PIB da Zona do Euro do primeiro trimestre e dados da produção
manufatureira divulgados pelo Federal
Reserve de Nova York no relatório Empire
Manufacturing. Em relação à Grécia, os euro dirigentes revisaram o tom dos
discursos feitos ontem, empurrando o país para fora da moeda europeia. Na falta
de acordo para a composição do governo, o país deve fazer novas eleições, cuja
data ainda não foi marcada. No Brasil,
os juros seguem em queda forte e o dólar mantém a valorização frente o
real.
Com leves altas, alternadas a
leves quedas, os mercados europeus fazem um pregão um pouco menos pirotécnico
do que o de ontem. O euro continua sua trajetória de desvalorização em relação
ao dólar e as dívidas soberanas mantiveram as cotações estáveis. O PIB do
primeiro trimestre veio surpreendo as expectativas, com crescimento zero ante a
expectativa de contração de 0,2%. Ninguém comemorou, mas o pior foi evitado. O
número não entusiasma porque a surpresa veio apenas no crescimento alemão, que
foi de 0,5%, contra uma estimativa de 0,1%. Todo o resto veio mostrando uma
Europa em recessão por conta da adoção de políticas inadequadas para “resolver”
a crise atual. A insistência no diagnóstico de que essa é uma crise de dívidas
soberanas, leva à opção por políticas de aperto fiscal. Mas a crise atual é de
recessão, causada pelo impulso negativo da crise financeira que abalou o
sistema bancário em 2008/2009. O custo fiscal de suportar o combalido sistema
bancário é que piorou a situação fiscal desses países. Apertar ainda mais a
renda só vai produzir mais recessão e piora no quadro fiscal europeu. A
Alemanha, que tem se safado desse pesadelo pela via das exportações, prega que
os outros países devem segui-la. Mas isso tem se mostrado impossível, já que
poucos países têm a capacidade industrial da maior potência europeia. Com a
enorme distância entre a realidade e os discursos políticos, é provável que a
situação geral da Europa continue a se agravar. A Espanha apresentou contração de
0,3%, Itália de 0,8%, Holanda de 0,2%, Portugal de 0,1% e França, crescimento
zero. Os outros países não estão em situação muito melhor.
Nos EUA o FED de Nova York
mostrou o relatório sobre as condições da indústria na região com alta nas
expectativas e na produção. Já as vendas do varejo vieram com alta modesta de
0,1% em abril, após alta de 0,7% em março. De relevante, foi a divulgação da
pesquisa CBS/New York Times dá vantagem ao republicano Mitt Romney sobre Barack
Obama de três pontos percentuais (46% x 43%). A eleição de Romney marcaria um
sério ponto de inflexão na política econômica dos EUA. É mais um grande complicador
nesse cenário, já que o republicano promete reduzir ainda mais a regulação bancária
e interromper os programas de estímulo à economia.
Um dia melhor, mas dentro de um
cenário que ainda pode se agravar mais.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
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