terça-feira, 15 de maio de 2012

O crescimento europeu piora.


Após a enorme confusão promovida nos mercados ontem, o dia começou um pouco melhor. A motivação foi a divulgação do PIB da Zona do Euro do primeiro trimestre e dados da produção manufatureira divulgados pelo Federal Reserve de Nova York no relatório Empire Manufacturing. Em relação à Grécia, os euro dirigentes revisaram o tom dos discursos feitos ontem, empurrando o país para fora da moeda europeia. Na falta de acordo para a composição do governo, o país deve fazer novas eleições, cuja data ainda não foi marcada. No Brasil,  os juros seguem em queda forte e o dólar mantém a valorização frente o real.


Com leves altas, alternadas a leves quedas, os mercados europeus fazem um pregão um pouco menos pirotécnico do que o de ontem. O euro continua sua trajetória de desvalorização em relação ao dólar e as dívidas soberanas mantiveram as cotações estáveis. O PIB do primeiro trimestre veio surpreendo as expectativas, com crescimento zero ante a expectativa de contração de 0,2%. Ninguém comemorou, mas o pior foi evitado. O número não entusiasma porque a surpresa veio apenas no crescimento alemão, que foi de 0,5%, contra uma estimativa de 0,1%. Todo o resto veio mostrando uma Europa em recessão por conta da adoção de políticas inadequadas para “resolver” a crise atual. A insistência no diagnóstico de que essa é uma crise de dívidas soberanas, leva à opção por políticas de aperto fiscal. Mas a crise atual é de recessão, causada pelo impulso negativo da crise financeira que abalou o sistema bancário em 2008/2009. O custo fiscal de suportar o combalido sistema bancário é que piorou a situação fiscal desses países. Apertar ainda mais a renda só vai produzir mais recessão e piora no quadro fiscal europeu. A Alemanha, que tem se safado desse pesadelo pela via das exportações, prega que os outros países devem segui-la. Mas isso tem se mostrado impossível, já que poucos países têm a capacidade industrial da maior potência europeia. Com a enorme distância entre a realidade e os discursos políticos, é provável que a situação geral da Europa continue a se agravar. A Espanha apresentou contração de 0,3%, Itália de 0,8%, Holanda de 0,2%, Portugal de 0,1% e França, crescimento zero. Os outros países não estão em situação muito melhor.


Nos EUA o FED de Nova York mostrou o relatório sobre as condições da indústria na região com alta nas expectativas e na produção. Já as vendas do varejo vieram com alta modesta de 0,1% em abril, após alta de 0,7% em março. De relevante, foi a divulgação da pesquisa CBS/New York Times dá vantagem ao republicano Mitt Romney sobre Barack Obama de três pontos percentuais (46% x 43%). A eleição de Romney marcaria um sério ponto de inflexão na política econômica dos EUA. É mais um grande complicador nesse cenário, já que o republicano promete reduzir ainda mais a regulação bancária e interromper os programas de estímulo à economia.


Um dia melhor, mas dentro de um cenário que ainda pode se agravar mais.


Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


 
Disclaimer:
"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

Nenhum comentário: