quinta-feira, 6 de setembro de 2012

BCE, Ata do Copom e emprego nos EUA.





O presidente do Banco Central Europeu confirmou, em seu discurso de hoje, os rumores divulgados pela imprensa, de que a autoridade monetária europeia fará compras de títulos soberanos sem limite de valor e “esterilizadas”. Os mercados europeus ficaram eufóricos e apresentam fortes altas. No Brasil a divulgação da Ata do Copom aumenta a expectativa de que o ciclo de queda dos juros chegou ao fim. Nos EUA, os dados do mercado de trabalho divulgados hoje vieram melhores do que o esperado.

O presidente do BCE, Mario Draghi, fez um discurso ao final da reunião de política monetária confirmando os que os jornais divulgaram ontem. O banco comprará títulos soberanos no mercado secundário, sem limite de valor, mas sem emitir moeda, para evitar pressões inflacionárias. Como contrapartida, os governos em dificuldades devem pedir socorro de maneira formal aos fundos europeus de estabilização (EFSF/ESM). Essas condicionalidades – a “esterilização” e o pedido de socorro – tornam as coisas um poucos menos impactantes do que seria de se esperar. Ao “esterilizar” as compras de títulos, que ficarão restritas aos bônus de 1 a 3 anos, o BCE não emite moeda. Nesse caso ele impõe um limite aos juros pagos pelos tesouros em dificuldades, mas deixa a liquidez do sistema europeu inalterada. O BCE não explicou como fará a “esterilização” das compras. No Brasil a “esterilização” das compras de dólares pelo BC são feitas com títulos do Tesouro (LFTs, NTNs, LTNs, etc). O mesmo ocorre com países que compram agressivamente reservas internacionais, como é o caso dos emergentes no ciclo atual. Mas no caso do BCE, ainda não é claro como será a “esterilização”. O que está sendo ressaltado por Draghi é que para conseguir equilibrar seus pagamentos, os governos deverão procurar os fundos de resgate, o que implicará em aceitar as condicionalidades para os empréstimos. Em geral as mesmas consistem em pacotes de ajustes extremamente severos e que tendem a acentuar o quadro recessivo das economias. A Espanha tem relutado em recorrer ao resgate porque já enfrenta uma recessão que levou o desemprego a 25,5%. E a situação econômica da Europa continua se deteriorando, com o PIB caindo em 0,2% no segundo trimestre após ter crescido 0% no primeiro. Infelizmente esse desenho atual do “pacote de resgate” da Europa não nos permite uma avaliação final a respeito das perspectivas. Ele pode trazer alguma tranquilidade no curto prazo, permitindo que os credores com títulos de curto prazo empurrem suas dívidas ao BCE. Mas ele não altera a difíceis condições fiscais dos países em crise e que devem continuar afundando no segundo semestre.

Nos EUA foram divulgados os dados do mercado de trabalho: as contratações medidas pela empresa ADP superaram as estimativas do mercado e vieram em 201 mil e os pedidos de seguro desemprego caíram frente os dados da semana anterior e vieram em 365 mil. Abaixo o gráfico da Bloomberg com o comportamento das contratações, medido pela ADP e pelo Departamento do Trabalho:







Como pode ser notado, as contratações do setor privado se mantém em alta pelo quarto mês consecutivo e isso já é suficiente para trazer algum otimismo ao mercado. A tendência mostrada pelos pedidos de seguro desemprego também animaram o mercado e, como pode ser notado no gráfico abaixo, a queda dessa semana foi expressiva se comprada às semanas anteriores:




Como resultado, os mercados confirmaram seu ciclo de otimismo, apostando nas medidas de estímulo. É possível que esse ambiente permaneça turbinado por mais algumas semanas. Mas é bom alertar que, dadas as limitações impostas ao plano de resgate de Draghi, a Europa deve continuar a demandar muita preocupação quanto às suas perspectivas.










Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


Disclaimer:
"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

IPCA dentro do esperado.




O IBGE divulgou hoje a pesquisa mensal de preços e o IPCA de agosto ficou em 0,41%, dentro das expectativas. A inflação acumulada em doze meses, importante para a formulação da política monetária do Banco Central ficou em 5,2%, confirmando o fim do ciclo de queda. Abaixo o gráfico com o comportamento da inflação acumulada em doze meses:







A inflação acumulada em doze meses veio caindo desde setembro do ano passado, quando atingiu seu máximo de 7,3%, batendo o mínimo do período de 4,9% em junho desse ano.  As principais contribuições para a inflação de agosto foram da alimentação, saúde e artigos de residência. Houver desaceleração do grupo artigos de residência e despesas pessoais e aceleração  em todos os outros.
Abaixo o gráfico com os grupos de inflação em julho e agosto:




A perspectiva da inflação para o segundo semestre é a de continuidade da alta da inflação acumulada em doze meses. Abaixo o gráfico com a inflação acumulada em doze meses, de agosto passado a setembro do ano que vem, com base nas expectativas do mercado coletadas pela GERIN do Banco Central:






Pelas expectativas de mercado, a inflação deve subir dos atuais 5,2 para até 5,9% no ano que vem, para depois se desacelerar. Essas expectativas têm total aderência com o que esperamos para o comportamento dos preços internacionais de commodities agrícolas, petróleo, nível de atividades no Brasil, comportamento do mercado de trabalho e, finalmente para o dólar. Todas essas variáveis estarão colaborando mais para a inflação subir do que fizeram ao longo dos últimos meses. A inflação do segundo semestre, portanto, deverá ser mais “acelerada” que a do primeiro. Essa tendência vai se acelerar com as recentes medidas adotadas pelo governo, com a sobretaxação de 100 produtos importados (cujas alíquotas subirão fortemente) e que terão reforços de mais 100 produtos até o final desse mês.

Caso os pacotes de resgate internacionais aumentem fortemente a liquidez dos mercados, os preços de ativos reais devem sofrer novos e poderosos impulsos, aumentando essa propensão da inflação medida pelo IPCA subir frente aos preços do primeiro semestre. Ainda que o BC não suba a taxa básica, é pouco provável que ele insista no ciclo de queda. Aumenta a probabilidade de ficarmos com os juros básicos parados onde estão, aos 7,5%.






Pedro Paulo Silveira (Economista)
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terça-feira, 4 de setembro de 2012

A produção industrial um pouco melhor no Brasil.




Segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada hoje pelo IBGE, a indústria brasileira cresceu 0,3% em julho em relação a junho. É o segundo mês de alta, acumulando alta de +0,5%. O setor automotivo acumulou alta de 8% nesses dois meses e é um principal responsável pela taxa de crescimento. Com esse comportamento, fica mais fácil justificar a manutenção da isenção do IPI para o setor, que poderá atingir um montante de R$ 5 bilhões, pelas estimativas de alguns analistas. Abaixo o gráfico com o comportamento da indústria, de 2010 para cá:







A possibilidade de olharmos esse comportamento como uma inversão da tendência que jogou a produção industrial em queda de maio do ano passado para cá é tentadora. Boa parte dos analistas já vê a possiblidade de manutenção dessa tendência. A queda anual, hoje acumulada em 3,7%, terminaria 2012 em  1,63%, marcando um crescimento médio de 1,08%. A menos que as estimativas Focus sejam revistas, o mercado já trabalha com uma recuperação da atividade industrial a partir de agosto, perdurando por todo o segundo semestre.

Apesar desse otimismo, é difícil identificar o setor que liderará essa retomada da atividade industrial. O quadro abaixo mostra o comportamento por categoria de produção:








Como pode ser notado, o setor de bens de capital tem uma queda acumulada de 9%, refletindo, em grande medida, o recuo dos Investimentos. É o volume de investimentos que determina a sustentabilidade de um ciclo de crescimento. A retomada atual está sendo impulsionada por um pacote de estímulos baseado no consumo e que  tem data para terminar (outubro). A retomada definitiva do ciclo de investimentos será completada apenas quando a economia global estiver em recuperação, mesmo que o pacote de estímulos ao investimento do governo seja implantado. A confiança dos agentes, no entanto, parece estar antecipando essa “virada”, tal como podemos ver no comportamento das bolsas aqui e lá fora, indicando um otimismo que mantem forte há semanas.


Já a indústria dos EUA mostrou, novamente, sinais contraditórios. O índice PMI de agosto, elaborado pela consultoria inglesa Markit, veio melhor que o esperado, em 51,5, um pouco superior ao do mês anterior, de 51,4. Um número superior a 50 indica que o setor está em expansão. Já o índice ISM veio abaixo do esperado, em 49,6 e do mês de julho, de 49,8. É o terceiro mês que o o instituto dos gerentes de compras observa contração na indústria dos EUA. O gráfico abaixo, da Bloomberg, mostra o comportamento do índice ISM:

  



Mas o dado que realmente “azedou” o mercado de hoje foi o de gastos em construção, divulgado hoje, veio bem abaixo do esperado, com queda de 0,9% em julho,  frente à alta esperada pelo mercado de 0,4%. O setor de construção, vale lembrar, é que o está motivando as esperanças fortes de recuperação da economia dos EUA. O setor responsável pela queda foi o de imóveis residenciais, e aí a queda foi liderada pelas reformas em imóveis usados. Os gastos em construções de novos imóveis se manteve em alta, confirmando a tendência dos meses anteriores. O pessimismo pode durar pouco.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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