terça-feira, 4 de setembro de 2012

A produção industrial um pouco melhor no Brasil.




Segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada hoje pelo IBGE, a indústria brasileira cresceu 0,3% em julho em relação a junho. É o segundo mês de alta, acumulando alta de +0,5%. O setor automotivo acumulou alta de 8% nesses dois meses e é um principal responsável pela taxa de crescimento. Com esse comportamento, fica mais fácil justificar a manutenção da isenção do IPI para o setor, que poderá atingir um montante de R$ 5 bilhões, pelas estimativas de alguns analistas. Abaixo o gráfico com o comportamento da indústria, de 2010 para cá:







A possibilidade de olharmos esse comportamento como uma inversão da tendência que jogou a produção industrial em queda de maio do ano passado para cá é tentadora. Boa parte dos analistas já vê a possiblidade de manutenção dessa tendência. A queda anual, hoje acumulada em 3,7%, terminaria 2012 em  1,63%, marcando um crescimento médio de 1,08%. A menos que as estimativas Focus sejam revistas, o mercado já trabalha com uma recuperação da atividade industrial a partir de agosto, perdurando por todo o segundo semestre.

Apesar desse otimismo, é difícil identificar o setor que liderará essa retomada da atividade industrial. O quadro abaixo mostra o comportamento por categoria de produção:








Como pode ser notado, o setor de bens de capital tem uma queda acumulada de 9%, refletindo, em grande medida, o recuo dos Investimentos. É o volume de investimentos que determina a sustentabilidade de um ciclo de crescimento. A retomada atual está sendo impulsionada por um pacote de estímulos baseado no consumo e que  tem data para terminar (outubro). A retomada definitiva do ciclo de investimentos será completada apenas quando a economia global estiver em recuperação, mesmo que o pacote de estímulos ao investimento do governo seja implantado. A confiança dos agentes, no entanto, parece estar antecipando essa “virada”, tal como podemos ver no comportamento das bolsas aqui e lá fora, indicando um otimismo que mantem forte há semanas.


Já a indústria dos EUA mostrou, novamente, sinais contraditórios. O índice PMI de agosto, elaborado pela consultoria inglesa Markit, veio melhor que o esperado, em 51,5, um pouco superior ao do mês anterior, de 51,4. Um número superior a 50 indica que o setor está em expansão. Já o índice ISM veio abaixo do esperado, em 49,6 e do mês de julho, de 49,8. É o terceiro mês que o o instituto dos gerentes de compras observa contração na indústria dos EUA. O gráfico abaixo, da Bloomberg, mostra o comportamento do índice ISM:

  



Mas o dado que realmente “azedou” o mercado de hoje foi o de gastos em construção, divulgado hoje, veio bem abaixo do esperado, com queda de 0,9% em julho,  frente à alta esperada pelo mercado de 0,4%. O setor de construção, vale lembrar, é que o está motivando as esperanças fortes de recuperação da economia dos EUA. O setor responsável pela queda foi o de imóveis residenciais, e aí a queda foi liderada pelas reformas em imóveis usados. Os gastos em construções de novos imóveis se manteve em alta, confirmando a tendência dos meses anteriores. O pessimismo pode durar pouco.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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