A inflação acumulada em doze meses veio
caindo desde setembro do ano passado, quando atingiu seu máximo de 7,3%,
batendo o mínimo do período de 4,9% em junho desse ano. As principais contribuições para a inflação de
agosto foram da alimentação, saúde e artigos de residência. Houver
desaceleração do grupo artigos de residência e despesas pessoais e
aceleração em todos os outros.
Abaixo o gráfico com os grupos de
inflação em julho e agosto:
A perspectiva da inflação para o segundo
semestre é a de continuidade da alta da inflação acumulada em doze meses.
Abaixo o gráfico com a inflação acumulada em doze meses, de agosto passado a
setembro do ano que vem, com base nas expectativas do mercado coletadas pela
GERIN do Banco Central:
Pelas expectativas de mercado, a inflação
deve subir dos atuais 5,2 para até 5,9% no ano que vem, para depois se
desacelerar. Essas expectativas têm total aderência com o que esperamos para o
comportamento dos preços internacionais de commodities
agrícolas, petróleo, nível de atividades no Brasil, comportamento do mercado de
trabalho e, finalmente para o dólar. Todas essas variáveis estarão colaborando
mais para a inflação subir do que fizeram ao longo dos últimos meses. A
inflação do segundo semestre, portanto, deverá ser mais “acelerada” que a do
primeiro. Essa tendência vai se acelerar com as recentes medidas adotadas
pelo governo, com a sobretaxação de 100 produtos importados (cujas alíquotas
subirão fortemente) e que terão reforços de mais 100 produtos até o final desse
mês.
Caso os pacotes de resgate internacionais
aumentem fortemente a liquidez dos mercados, os preços de ativos reais devem
sofrer novos e poderosos impulsos, aumentando essa propensão da inflação medida
pelo IPCA subir frente aos preços do primeiro semestre. Ainda que o BC não suba
a taxa básica, é pouco provável que ele insista no ciclo de queda. Aumenta a
probabilidade de ficarmos com os juros básicos parados onde estão, aos 7,5%.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
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