terça-feira, 27 de março de 2012

Bernanke devolve o otimismo aos mercados

Os mercados globais reagiram de forma positiva ao discurso de Ben Bernanke e fecharam com altas significativas em quase todas as bolsas. O Brasil pegou a carona e o Ibovespa registrou alta de 1,32%. Bernanke relembrou aos mercados que o FED está disposto a manter a política de estímulo à economia o tempo que for necessário e aliviou quem se assustou com o discurso de presidente do FED St. Louis da semana passada. James Buller havia defendido a tese de que a política atual de expansão monetária é inflacionária e que o FED deveria elevar os juros básicos  em 2013. Bernanke corrigiu as expectativas e voltamos ao cenário básico: juros próximos a zero até 2014. É importante anotar essa atitude do presidente do principal banco central do planeta, já que as perspectivas de recuperação da economia global estão sendo cada vez mais questionadas à medida em que a Europa mostra incapacidade de estimular suas economias em recessão e em que os efeitos dessa recessão vão se fazendo mostrar em todos os continentes. Estímulo nos EUA é um alívio às expectativas, contrabalançando o pessimismo gerado pela política de aperto fiscal realizada na Europa.

Na Alemanha foi divulgado o índice Gfk de confiança dos consumidores confirmou uma retração, interrompendo uma série de altas e, aumentando um pouco o pessimismo, o BC da Espanha confirmou as expectativas e soltou uma previsão de retração do primeiro trimestre. A autoridade monetária espanhola prevê uma retração de 1,5% no PIB em 2012. A única notícia positiva da Europa veio da França, que apontou melhora das expectativas dos consumidores.
No Brasil a inflação medida pela Fipe  ficou em 0,10% na terceira quadrissemana, confirmando um cenário benigno para a inflação. Esse dado, somado ao índice de atividade informado pelo BC ontem, com retração em fevereiro, aponta para um cenário positivo para a inflação.

Nos EUA foram divulgados os índices de atividade do setor imobiliário e eles vieram confirmando a falta de dinamismo do segmento. Mesmo confirmando as expectativas, os índices apontam para retração dos preços dos imóveis. Ainda serão divulgados o índice de confiança dos consumidores, feito pelo Conference Board, e o índice de atividade medido pelo FED de Richmond.

O comportamento das bolsas europeias e dos futuros nos EUA, indicam um pregão moderado. Juros e dólar em queda no Brasil confirmam um começo de pregão bastante calmo.



Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

27 de março de 2012


sexta-feira, 23 de março de 2012

EVENTOS ECONÔMICOS DA SEMANA


À espera das vendas de imóveis nos EUA

O IBGE divulgou os dados do comércio de janeiro, que apresentaram uma alta de 2,6% em relação a dezembro e de 7,3% em relação a janeiro do ano passado, um pouco acima do esperado. Esse número contribuirá para melhorar um pouco o PIB do primeiro trimestre, bastante prejudicado pelo comportamento da indústria. Mas esse dado afeta pouco as expectativas dos agentes, já se refere a janeiro e pouco revela sobre o momento atual.

Juros e câmbio devem seguir, de fato, o comportamento dos mercados globais que ainda estão inseridos em um movimento de queda motivado pela percepção de que a economia global não deve se recuperar tão facilmente quanto se planejava. A bolsa chinesa teve uma queda de cerca de 1% refletindo exatamente essa percepção. Os chineses, mais que analistas do mercado em geral, têm depositado grande preocupação em relação aos impactos da crise europeia sobre a sua economia. Os resultados divulgados e esperados para as empresas listadas em bolsa têm refletido esse momento de desaceleração da atividade econômica chinesa. Na Europa, as bolsas também caem, continuando o movimento de acomodação de preços em função da percepção de que a recessão na região pode ser mais intensa do que o inicialmente previsto.

O dado econômico mais significativo do dia será divulgado às 11 hs e, novamente, diz respeito ao mercado imobiliário dos EUA. O US Census Bureau divulgará o número de novas residências vendidas em fevereiro e o mercado espera estabilidade em relação a março. Esse dado, uma vez mais, poderá atestar se, de fato, a maior economia do planeta está em recuperação. Além desse dado, o discurso do presidente do FED,  Ben Bernanke, pode trazer alguma “emoção”. 

O presidente do FED de St. Louis, James Bullard, já fez o seu discurso de hoje, em Hong Kong, e mostrou que é uma voz dissonante no sistema do FED. Alertou o mundo em relação aos riscos inflacionários embutidos na política de aumento de liquidez efetuada pelos Bancos Centrais (e pelo próprio FED!). Esse discurso não traz muita novidade, já que o FED St.Louis é a Catedral do pensamento monetarista, que vê riscos inflacionários em todas as ações dos agentes econômicos. É curioso, no entanto, notar que Bullard foi um dos primeiros membros do sistema do FED a defender a expansão da liquidez em 2010. Os estragos causados por esse discurso altista de juros são limitados pelo fato de Bullard não votar no Comitê de Política Monetária do FED (o FOMC). Mas ele foi taxativo ao dizer que defende a tese de que o FED deveria elevar os juros básicos a partir de 2013 e não em 2014, como anunciou o presidente, Ben Bernanke.


Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

quinta-feira, 22 de março de 2012

Desvalorização cambial: o mundo de cabeça para baixo

Depois de estendido o IOF para empréstimos externos de até 5 anos, o real não interrompeu mais a sua trajetória de desvalorização frente ao dólar. Depois de operar abaixo de R$ 1,70, o dólar parece ter como piso os R$ 1,80. Além disso, o governo tem se mostrado disposto a introduzir mais medidas para proteger nossa indústria, que tem se mostrado frágil diante da concorrência externa. O culpado de sempre é o câmbio valorizado. 

Gostaríamos de fazer, basicamente, duas perguntas acerca do câmbio e da política cambial: (1) em quanto o câmbio está valorizado? e (2) é possível levar o câmbio ao suposto câmbio de equilíbrio?

Essas perguntas esboçam o tema de discussões que estão presentes na teoria e na política econômicas desde que o capitalismo foi instituído como a economia global, no século XVIII. E as respostas a elas estão longe de constituírem consenso, aproximando-se muito mais às preferências políticas, do que às hipóteses científicas. Com a transformação do comércio internacional em comércio capitalista, a instituição de taxas de câmbio bilaterais, entre a moeda de um país em relação a de outro país, se tornou pré-condição para realização das trocas e do crescimento econômico global. E um dos fatos notadamente conhecidos em relação a esse tema, é que a determinação da taxa de câmbio “correta” é uma ilusão. Isso porque a norma para o comércio global é a da instabilidade e não o equilíbrio. Abaixo, uma citação de J.M.Keynes acerca do equilíbrio dos balanços de pagamentos:

O problema de manter o equilíbrio dos balanços de pagamentos entre os países nunca foi resolvido, desde que foram instituídos  diferentes meios para as trocas, como a moeda ou dívidas. Durante o período no qual o mundo moderno existiu e no qual as autarquias medievais foram sendo substituídas gradualmente pela divisão internacional do trabalho e pela exploração de novas fontes de matérias primas pelos empreendimentos ultramarinos, a falha para resolver esse problema tem sido a maior causa do empobrecimento e do descontentamento social e, até mesmo, das guerras e revoluções.”

A falha para resolver esse problema tem sido a maior causa para o empobrecimento... 

Keynes escrevia um esboço para a sua proposta para o Sistema Financeiro Internacional, em plena Segunda Grande Guerra, tentando encontrar um desenho no qual esses desequilíbrios fossem mitigados e evitassem os enormes custos das crises de balanço de pagamentos. Antes de se perguntar qual o melhor desenho, Keynes se preocupou em responder quais eram as causas básicas para o desequilíbrio dos balanços de pagamentos. Em sua pesquisa a resposta foi taxativa: os países têm, entre si, diferentes estágios de desenvolvimento econômico. Assim, alguns deles encontram-se em estágio de forte produção industrial, ao passo que outros estão em estágio de industrialização. Essas diferenças causam, grosso modo, os superávits de uns e os déficits de outros. As taxas de câmbio são os preços que resultam desses movimentos do comércio e, cada vez mais importantes, dos fluxos financeiros entre os países. Portanto, a questão da taxa de câmbio é séria e, infelizmente, tratada sem que exista um câmbio “correto”, "absoluto",  já que as economias estão sempre em movimento. Existem várias taxas de câmbio possíveis e cada uma delas reflete um arranjo político específico, um saldo de balanço de pagamentos específico, um saldo de reservas internacionais específico e, importante para nossa discussão, uma distribuição de renda específica.

Quando essa discussão é proposta em nossa sociedade, boa parte das considerações acima são desprezadas e a desvalorização da taxa de câmbio aparece como um remédio que salvará nossa indústria e que trará benefícios a todos os brasileiros. Mas essa desvalorização, que só causa o bem para todos os brasileiros, está longe de ser verdadeira: como toda ação de política econômica, ela tem benefícios e custos, que serão distribuídos de forma desigual pelos agentes da sociedade. Haverá os que ganham e os que pagam a conta. Dito isso, vamos à primeira pergunta:


(1  (1) Em quanto o real está valorizado?


Como dito acima, há um câmbio para cada situação de equilíbrio. Se algum agente econômico diz que o câmbio está fora do lugar, ‘valorizado’, está sugerindo que o atual equilíbrio é ruim e que deseja outro equilíbrio. Aqui no Brasil estão se referindo ao fato de que a indústria brasileira não cresce ao mesmo ritmo que o PIB, perdendo espaço para as mercadorias importadas e deixando de exportar porque o câmbio valorizado encarece nossas exportações em dólares. Então deve haver uma taxa de câmbio que torne os bens importados tão caros como os nacionais e, simultaneamente, torne nossos produtos exportados tão baratos como os dos nossos concorrentes vendidos nos mercados globais. Pouca gente tem se aventurado em dizer o quanto nossa moeda está valorizada e em quanto deveríamos desvalorizá-la. Alguns analistas, utilizando-se de modelos estatísticos simplificados, sugeriram algo como R$ 2,40 para nossa moeda em relação ao dólar. Isso resultaria em uma desvalorização de 41% em relação aos R$ 1,70 do ano passado e 33% em relação aos atuais R$ 1,80.

A essa nova taxa de câmbio, os preços dos bens importados subiriam fortemente, inibindo seu consumo por parte dos brasileiros e, simultaneamente, tornaria os preços em dólares dos bens exportados pelo Brasil, mais baratos no exterior, estimulando sua demanda. É assim que os modelos de balanço de pagamentos enxergam os ajustes a partir de desvalorizações cambiais e isso foi feito no Brasil diversas vezes. Nos anos 1980, por ocasião do aumento explosivo dos preços do petróleo; nos anos 1990, primeiro sob Collor, depois sob Fernando Henrique Cardoso e nos anos 2.000, por ocasião da primeira vitória de Lula para a presidência. Antes disso, em todas as décadas nosso pais registrou fortes desvalorizações cambiais , já que em todas elas apresentávamos crises de balanço de pagamentos, desde nossa independência. Somos, portanto, conhecedores dessa política há mais de um século!

Daí que muitos de nossos analistas, economistas, empresários, políticos e formuladores de política econômica tenham tamanha simpatia pelo remédio da desvalorização. Desvalorizar aumenta as exportações e reduz a importações. Vamos à segunda pergunta:


(2  (2)    É possível levar o câmbio ao suposto  câmbio de equilíbrio?


Precisamos, segundo a tese do câmbio a R$ 2,40, fazer uma desvalorização de 41% em nossa moeda. Ao fazer isso, os preços do que importamos e do que exportamos vão subir na mesma proporção. Esses bens que exportamos e importamos são chamados tradeables ou bens comercializáveis. Pelo PIB trimestral divulgado pelo IBGE, os bens comercializáveis representaram 25%, ou um quarto, dos bens produzidos em 2011. Dessa forma, em média, um quarto dos bens consumidos pelos brasileiros terá um aumento de preços da ordem de 41%, o que representa, em média, uma queda de 10% no poder de compra dos brasileiros.

Ressaltando: uma desvalorização dessa magnitude levará a uma queda de 10% na renda do brasileiro. 

É possível que os brasileiros estejam a favor desse sacrifício para o bem da indústria nacional, mas é necessário avisá-los que eles estão sendo convocados a fazer esse sacrifício.

Mas os brasileiros aceitarão esse sacrifício? A resposta é clara: DEPENDE. Essa queda na renda se fará sentir pela queda real dos salários, por meio da inflação. Os trabalhadores sempre relutam em aceitar a falta de correção de seus salários e isso é bem claro para todos nós. Essas quedas na renda real só são possíveis quando o desemprego é elevado! Situação totalmente adversa à que vemos hoje no Brasil: o mercado de trabalho está totalmente aquecido. O que nos leva a pensar que boa parte da desvalorização que se faça no real, virará inflação, convocando novas desvalorizaçãoes. Assim, se o governo planeja levar o real para R$ 2,4, pensando que aí está o seu equilíbrio, provavelmente ele terá que desvalorizar mais e mais, dependendo da taxa de desemprego. Quanto menor o desemprego, maior a taxa nominal do câmbio de equilíbrio e, simultaneamente, maior a inflação do país.

E essa é uma parte do problema: é preciso pensar se o mercado global está tão disposto a comprar produtos brasileiros, mesmo que oferaçamos um desconto nos preços em dólares, decorrente da desvalorização de nossa moeda. O mercado global está em desaquecimento: há cerca de 30 milhões de desempregados e as perspectivas de melhora estão muito longe! O quadro abaixo ilustra a situação atual da economia global:
   





Da mesma forma que a baixa taxa de desemprego no Brasil reduz os efeitos da desvalorização cambial sobre o ajuste do balanço de pagamentos, a alta taxa de desemprego global atua no mesmo sentido.

Com um mundo que está reduzindo suas compras, a competição global está aumentando. A taxa de câmbio requerida para colocar a nossa indústria em “equilíbrio” é, provavelmente, maior do que a planejada inicialmente. O que nos leva às questões anteriores: qual o sacrífico que é requerido para que tal equilíbrio seja atingido?

É necessário pontuar que o tal “equilíbrio” saudável para a nossa indústria irá requerer queda do emprego, nível maior de inflação e queda na renda. De certa forma, isso equivale a repetirmos o que fizemos nos anos 1980: exportar nosso consumo para o resto do mundo. Pena que alguém tente isso com uma economia doméstica tão dinâmica (nos anos 1980 já estávamos vivendo o ocaso do milagre) e com um mundo muito pior para nossas exportações (à época o mundo industrializado não estava em tamanha recessão).

Tudo indica que essa política nos levará a mais inflação, mesmo que o valor pensado pelo governo não seja o de R$ 2,40 para o real. Estranhamente, a saúde de nossa indústria traria custos equivalentes para os brasileiros aos que muitos europeus estão tendo em suas recessões.



Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

22 de março de 2012


Agenda lotada derruba bolsas

A agenda do dia estava lotada de indicadores e eles vieram muito ruins na Europa e na China. No Brasil os indicadores de emprego mostram o mercado de trabalho em aquecimento e a inflação menor do que o esperado. Os indicadores antecedentes dos EUA podem confirmar, ou não, a sensação de que a economia americana está em boa forma, a caminho da recuperação.

Os indicadores que levaram os mercados a uma nova queda mostraram a indústria se desacelerando na China e na Zona do Euro. O indicador industrial HSBC PMI, da China, veio em 48,1 em março contra 49,7 em fevereiro. Um indicador abaixo de 50 indica que o setor de atividades está em desaceleração ou contração. Somado aos temores do início da semana, que estavam baseados na percepção de menor produção de aço e menor crescimento, esse novo índice mostra o peso quer a desaceleração global tem sobre a segunda maior economia do planeta e a mais dinâmica para sustentação do crescimento global. Vale lembrar que um crescimento menor na China tem profundas consequências para a economia brasileira. Os dados europeus foram  tão decepcionantes quanto os chineses. O PMI da Zona do Euro veio em 47,7 contra um número esperado de 49,5. O mergulho desse indicador mostra a intensidade da retração da atividade econômica da Europa, acentuada pela desastrosa política de aperto fiscal promovidas pelos seus governos. Como temos comentado sistematicamente nesse blog, a política fiscal contracionista da Zona do Euro,  praticada para comprar a confiança dos mercados globais, está intensificando a recessão do continente. O desemprego de cerca de 16 milhões de pessoas tende a piorar ao longo do ano e um número como esse PMI nos faz lembrar que a euforia baseada na liquidez injetada pelo Banco Central Europeu ajuda muito pouco a economia real. Com essa lembrança, os mercados só podiam tomar o caminho que tomaram hoje, com quedas nas bolsas, fortes oscilações nas moedas e ligeira piora no mercado de renda fixa.

No Brasil o IBGE divulgou o desemprego de fevereiro em 5,7%, menor marca para o mês desde que essa série foi iniciada. O desemprego baixo, com a renda urbana atingindo seus máximos, tende a sugerir que estamos no pleno emprego (a redução do emprego só é conseguida com aumento de salários reais, o que causa inflação). Se isso é verdade, a estratégia de contenção das importações e incentivos às exportações, baseada na desvalorização do real tende ao fracasso. Em todas as oportunidades nas quais tentou-se desvalorizar a taxa de câmbio com o mercado de trabalho em nível de pleno emprego, isso resultou em inflação. Mais preocupante que a política monetária, que tem buscado a menor taxa Selic, é a política de estímulo ao nosso setor externo baseada na desvalorização do real. Com emprego elevado, vale repetir, a desvalorização vira inflação. O mercado de juros, no entanto, preferiu olhar para a taxa de inflação medida pelo IPCA-15 do IBGE que veio em 0,25%, contra as expectativas de 0,37%. Os juros caíram e o câmbio continua sua trajetória de desvalorização.

Para que o mercado consolide seu pessimismo, será necessário que o índice de Indicadores Antecedentes, dos EUA, saia pior do que as expectativas. Os economistas estão esperando uma alta de 0,6% no mês, contra uma alta anterior de 0,4%. Se esse número vier bem, no entanto, é os mercados tendem a melhor. No atual estado de expectativas, os agentes veem a Europa em recessão e os EUA em recuperação, hoje veremos...


Pedro Paulo Silveira
Economista






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quarta-feira, 21 de março de 2012

O mercado parado

O principal dado econômico do dia saiu com surpresa ruim: as vendas de imóveis usados nos EUA vieram abaixo do esperado. O número esperado pelo mercado era de 4,61 milhões de imóveis vendidos, em termos anualizados, e vieram 4,59 milhões, um pouco abaixo.  No mês isso representa algo como mil e seiscentas residências, algo que está dentro da margem de erro da pesquisa. Nenhuma novidade para o cenário macroeconômico dos EUA, que inspira otimismo na maioria dos analistas. A bolsa reagiu com ligeira queda e tende a ignorar esse dado. Mais importante foi o discurso de Bernanke no Congresso, no qual ele se focou nos efeitos da crise europeia sobre a atividade dos EUA. Alguns economistas têm que argumentado que a baixa participação das exportações para Europa no PIB total dos EUA torna sua economia praticamente “imune” à recessão europeia. Dessa forma, a recuperação dos EUA estaria praticamente assegurada, independente do destino da atividade econômica da Europa. Bernanke mostrou que discorda frontalmente dessa opinião quase geral. Em seu discurso aos deputados, o presidente do FED relembra que a Europa é o destino de um quinto das exportações dos EUA e que isso é importante para limitar as chances de recuperação da maior economia do planeta. Também ressaltou que, apesar das melhoras observadas no sistema financeiro europeu, a situação atual ainda inspira muita cautela e gerenciamento adequado. Em resumo, ele reafirmou que precisamos ter cautela em nosso otimismo. 

Esses dois eventos - o número de imóveis usados vendidos em março e o discurso de Bernanke - refletem, novamente, o atual estágio da economia global, de quase “inanição”, contaminando os mercados com a falta de entusiasmo.

No Brasil, a bolsa continua a queda iniciada ontem, realizando os lucros da alta de 18% no ano, sem um motivo específico. Os juros continuam em queda, mostrando que o mercado está relaxando o cenário inflacionário anunciado pela maioria dos analistas e o câmbio obedece à tendência de alta, turbinada pelas ações do Ministério da Fazendo e pelas atuações do Banco Central.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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terça-feira, 20 de março de 2012

Realização interrompe o otimismo

 
Hoje os mercados globais estão em realização, com quedas acentuadas na Europa, EUA e Brasil. O motivo para a realização, que contraria nossas expectativas para a semana de otimismo, estão baseadas na notícia de que a BHP está vendendo menos minério para a China, que está produzindo menos aço. Na esteira desse movimento, os juros voltaram a cair, depois das altas de ontem, mas o dólar acentuou sua alta em relação ao real.

A China vem reduzindo seu crescimento, acompanhando a tendência global, mas essa queda é atenuada pela expansão da demanda doméstica, que mantém o dinamismo dos últimos dez anos, baseado na incorporação de vastos contingentes populacionais à economia urbana. Mas o crescimento total da economia chinesa também dependia do crescimento dos mercados globais, fonte de demanda de uma parcela significativa de sua produção. O quadro abaixo mostra o crescimento chinês, brasileiro e global de 2010 e 2011 e as projeções do FMI para 2012 e 2013:




Há uma redução de 2,2% no crescimento chinês de 2010 para cá e isso resulta basicamente da queda de 2,0% do crescimento global. Foi esse o cenário montado pelo governo chinês ao anunciar a redução da meta de crescimento de 8% para 7,5% três semanas atrás. O esforço chinês se concentrará no fortalecimento da demanda doméstica para compensar a falta de crescimento global. O que o presidente da BHP disse, apenas ressalta o que já esperado pela grande maioria dos analistas internacionais: o crescimento da China estará baseado, cada vez mais, em uma demanda relativamente menor de matérias primas básicas, já que o nível de urbanização e industrialização está cada vez maior. Esse cenário prospectivo já era de conhecimento de todos e não podemos creditar a ele as quedas substanciais que os mercados globais estão promovendo em suas bolsas e nos preços das commodities. Tudo indica que estamos em um dia de realização e não em uma forte correção de trajetória do otimismo que tem imperado nos mercados globais. O crescimento da China é um evento crucial, de fato, para as perspectivas globais, mas as projeções de crescimento reduzidas já estavam feitas desde janeiro. 

Nos EUA, o dado econômico do dia foi divulgado pelo U.S. Census Bureau e diz respeito ao início de novas construções residenciais do setor privado. Elas vieram um pouco abaixo do esperado mas indicam estabilização em um patamar superior ao da crise de 2008-2009 e da queda de 2011. O gráfico abaixo mostra o volume de novas construções, tomadas mensalmente e anualizadas:




Note que antes da crise o volume mensal de novas residências era ao redor de dois milhões de residências/ano; com a crise o mercado encolheu dois terços. Os esforços estão sendo feitos para estabilizar o mercado nesse patamar atual e, depois, fazê-lo retornar aos padrões pré bolha imobiliária, que eram de 1,5 milhões de residências/ano. O mercado imobiliário dos EUA é um retrato do atual estágio da crise: parece que o pior já passou, mas temos um longo caminho para recuperar os patamares anteriores à crise.

Um dia de realização que não tem base em novas informações.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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20 de março de 2012


segunda-feira, 19 de março de 2012

19 de março de 2012


Semana tranquila pode turbinar otimismo


Depois de vencida a fase mais difícil de negociações na Europa, com a liberação de cerca de 18 bilhões de euros para a Grécia rolar suas dívidas nesse mês, o mercado pode respirar mais calmo. Até mesmo Cristine Lagarde, Diretora do FMI já está relaxando seu cenário mais pessimista e vendo a possibilidade de estabilização da economia global. Na sua visão anterior, os maiores riscos eram centrados em uma crise desordenada de calotes nas dívidas europeias que empurraria a economia global para um segundo ciclo de recessão como o de 2008. Agora ela vê o cenário um pouco mais equilibrado, a partir do pacote europeu de resgate à Grécia, mas mantém as preocupações quanto aos riscos de desaceleração da atividade global. Vale lembrar que a projeção para o crescimento da Europa está em -0,5%, dos países industrializados em 1,2% e da economia global em 3,3%, segundo projeções feitas pelo FMI em janeiro.

Quanto ao Brasil, as discussões continuarão voltadas para a inflação e para o câmbio. A primeira será mais forte nas expectativas dos agentes à medida que a percepção de recuperação global se consolide. Preços internacionais de commodities se mantêm elevados em um ambiente de crescimento. Assim, todo o esforço que o Banco Central fez para reduzir a Selic poderia, em tese, ser jogado no lixo, já que as expectativas fariam com que as taxas de juros mais longas passassem a incorporar um prêmio para o risco de elevação da inflação e, por decorrência, dos juros básicos. Já o câmbio passará a enfrentar um desafio, já que um cenário de economia dos EUA mais forte pode fazer com que os agentes passem a considerar como interessante investimentos naquela economia. A partir daí a economia dos EUA voltaria a drenar os capitais que têm saído de lá com destino aos emergentes e isso atenuaria o tsunami que vem fazendo com que o Ministério da Fazenda mantenha-se tão ativo na manutenção da taxa de câmbio. Em resumo: a melhora do quadro externo lança a possibilidade de juros e câmbio mais elevados no Brasil. Mas essa é uma tendência de curto prazo a ser verificada à medida que o otimismo com os EUA  se confirme e terá uma vida tão longa como a manutenção desse otimismo nas expectativas dos mercados globais.

Portanto, teremos uma semana mais tranquila, que nos fará olhar os dados dos EUA com mais atenção e que tende a colocar mais otimismo na tendência global de alta dos ativos reais.



Pedro Paulo Silveira
Economista






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segunda-feira, 12 de março de 2012

O Ministério da Fazenda atua novamente

 
O Ministério da Fazenda, observando os efeitos limitados da versão anterior, resolveu lançar nova medida, aumentando o leque de empréstimos externos sujeitos ao IOF de 6%: agora estão sujeitos os empréstimos com prazo de até cinco anos. A intenção, vale lembrar sempre, é limitar a valorização do real que tende a limitar as nossas exportações e baratear as nossas importações. Essa é, segundo o Ministério, a principal fonte de ameaça externa à nossa economia. A medida pode conter um pouco a valorização do real frente ao dólar e, com isso, amenizar os efeitos da competição que tem limitado o crescimento de nossa produção industrial.

Na Europa os mercados aguardam a reunião da Comunidade Europeia, na qual os dezessete países membros aprovarão, ou não, a liberação do pacote de ajuda à Grécia, de 130 bilhões de euros. Espera-se, adicionalmente, que a Comissão já providencie algumas medidas de incentivo à Espanha e a Portugal. De notícia econômica relevante, a Europa teve a queda do PIB da Itália no quarto trimestre de 2011, em 0,7%, confirmando as expectativas do mercado. O primeiro trimestre de 2012 será de recuo do PIB, novamente, e a esperança de uma melhora do nível de atividade da Itália é reduzida, ficando o otimismo restrito à contenção dos risco de calote da dívida soberana ou de forte crise bancária. No ano, a Itália ajudará a liderar a queda do PIB europeu, já que as perspectivas do comércio global estão piorando sensivelmente.

No âmbito do comércio global, a China divulgou um déficit da balança comercial de US$ 31 bilhões, reafirmando que as exportações já não são o carro chefe da economia chinesa e que o comércio global está se desacelerando. Essa constatação já fez com que as autoridades chinesas anunciassem a intenção de novas medidas de estímulo da economia doméstica, como forma de compensar a queda da demanda global.

Nos EUA não há divulgações de dados de atividade, ficando o calendário restrito ao anúncio do déficit do setor público.
A semana começa com a China mostrando o comércio global em desaceleração e com o Ministério da Fazenda reforçando as medidas de defesa do real.

Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

12 de março de 2012


sexta-feira, 9 de março de 2012

Emprego nos EUA


A primeira temporada da novela grega parece estar chegando ao final, já que a maioria dos credores aceitou os termos da renegociação e isso abriu espaço para que o país receba o segundo pacote de ajuda acertado com a Comissão Europeia. O total de desconto sobre a dívida chegou a 100 bilhões de euros e, ao menos em termos nominais, é um dos maiores coletes da história econômica. Agora abre-se o período para que a Europa aporte o pacote de ajuda aprovado em fevereiro e para que o país cumpra todas as condicionalidades acertadas em tal programa. Ainda que seja difícil acreditar que a Grécia consiga cumprir com todas as exigências, os mercados parecem respirar mais aliviados por enquanto. Aliviados se não considerarem os dados do PIB português, que encolheu 1,3% no quarto trimestre (são cinco semestres em queda) e o da própria Grécia que, revisado, caiu 7,5%  (com desemprego a 21%).Continuamos a encarar os arranjos europeus com um pouco de preocupação, já que as economias têm insistido em mostrar sinais claros de que o continente está afundando em uma recessão difícil de ser contornada com as políticas atuais. Essa visão é confirmada pelo comportamento dos mercados que têm reagido positivamente às injeções monetárias, sustentando os preços dos ativos reais (bolsas, moedas e commodities) mas que se assusta com os não raros dados de fracasso nos níveis de produção e emprego, que vão se espalhando por todas as economias.

No Brasil o IBGE divulgou o IPCA de fevereiro que veio dentro do esperado, em 0,45%, desacelerando-se em relação a janeiro, mas ainda em patamar elevado. O primeiro decêndio do IGP-M da FGV veio com 0,23%, numa importante aceleração em relação ao fechamento de fevereiro. Esses dados de inflação continuarão a dar espaço para as intermináveis discussões em torno do suposto abandono das regras do Sistema de Metas de Inflação por parte do Banco Central. Mesmo com os fracos dados de produção industrial e PIB, analistas não pouparam o COPOM de críticas quanto à condução da política monetária no Brasil. Isso, pelo menos por enquanto, não se reflete no comportamento efetivo do mercado de juros, que aceitou bem a decisão do COPOM. Tudo indica que repetiremos o que vem acontecendo desde agosto passado: o BC insiste em mostrar a recessão global como risco e os mercados, reticentes, acabam por segui-lo.

A notícia esperada do dia, que vai definir se a agitada semana que está acabando terminará com alta nas bolsas é sobre o emprego nos EUA. O Departamento do Trabalho divulga a criação de vagas de fevereiro e a expectativa do mercado é de 204 mil vagas criadas e um desemprego de 8,4%. Os EUA tem conseguido criar vagas sistematicamente desde outubro de 2010. Mas o ritmo de criação de vagas ainda não estava sendo suficiente para derrubar o desemprego. Com todos os pacotes que o governo dos EUA fez, intervindo diretamente por meio de obras e gastos e, indiretamente, com a expansão da liquidez pelo federal Reserve, a criação de vagas começou a aumentar a partir do segundo semestre do ano passado.  Esse evento tem dado algum alívio aos mercados, sinalizando que, ao menos nos EUA, o risco de uma nova recessão pode estar contido. Essa tese tem sido reforçada pela ideia de que a economia dos EUA é pouco afetada pela economia europeia, cuja participação no comércio externo é baixa.Ela é defendida por Krugman é para lá de duvidosa, mas tem sustentado o otimismo que reina entre governo, consumidores, empresários e mercados nos EUA. Se o dado sai em cima das expectativas, ou acima delas, deveremos fechar a semana com uma alta. A conferir...



Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

09 de março de 2012


quinta-feira, 8 de março de 2012

Juros mais baixos aqui também

Os mercados estão mais otimistas do que no início da semana, por conta do mercado de trabalho nos EUA, do quase fechamento do acordo entre credores e governo grego e com a queda dos juros de 0,75% no Brasil. A Alemanha sobe mais de 2% e as outras bolsas europeias estão em linha com ela. Os futuros nos EUA estão em alta e não há dados econômicos importantes a serem divulgados, restando ao mercado digerir, com algum otimismo, o anúncio feito pelo Federal Reserve, de que haverá outra compra maciça de títulos longos, reduzindo as taxas de juros de longo prazo.

A Europa está em festa com a possibilidade de acordo entre credores privados e o governo grego até amanhã. Uma novela que se desenrola há mais de 60 dias e que deixou os governantes europeus insones por muitas noites. É quase certo que a operação seja fechada até amanhã e isso é suficiente para impulsionar os mercados depois das quedas anteriores. Esse prova, com certeza, que a tese segundo a qual a Grécia era um “pequeno risco” era totalmente furada. A Grécia estava entre as maiores preocupações dos grandes bancos europeus e o reordenamento da dívida permite que todos respirem um pouco melhor. Vale notar que o acerto da dívida grega melhora a vida dos credores, mas é quase uma garantia de que a vida dos gregos será um inferno nos próximos anos. Não há garantia algum a de que a Grécia conseguirá manter seus compromissos firmados com a Comunidade Europeia, a partir do plano de resgate. As apostas eram, e devem continuar, no sentido de que a Grécia não conseguirá pagar pelo acordo. No curto prazo, pelo menos, o alívio é o motivo da festa.

No Brasil o Comitê de Política Monetária derrubou a Selic em 0,75%, para 9,75%. Há muita discussão entre técnicos, no sentido dessa medida representar o abandono, ao menos parcial, do sistema de metas de inflação. Com a inflação longe do centro de meta de 4,5%, a redução dos juros básicos pode refletir uma violação das regras de política; e de fato é isso mesmo. Aliás, depois do estouro da super crise, em 2008, os Banco Centrais passaram a utilizar velhos instrumentos não previstos no Sistema de Metas de Inflação: o gerenciamento dos estoques monetários e não monetários em poder dos bancos. Na queda da atividade e na piora das condições de liquidez, os BC´s têm atuado diretamente nas funções que, normalmente, ficam nas mãos dos bancos privados. Esse conjunto de atividades, que antes era denominada “discricionariedade” das autoridades monetárias, hoje tem sido chamado, de maneira mais simpática, de medidas macroprudenciais. De fato, o que os BC´s têm feito, é priorizar a solução da super crise global reconhecendo que o Sistema de Metas de Inflação é limitado demais para isso. Os bancos europeus têm inundado, junto com o Federal Reserve dos EUA e o Banco do Japão, suas economias com muito dinheiro e o BC brasileiro, na mesma direção e pelo mesmo motivo, reduz a taxa Selic mesmo que as inflações corrente e  esperada estejam acima da meta.

Nos EUA, Obama respira aliviado com a melhora, ainda que muito tímida, do mercado de trabalho. A pesquisa ADP de ontem mostrou que foram criados 216 mil empregos em fevereiro e amanhã esse número poderá (ou não) ser confirmado pela pesquisa do Dpto do Trabalho. O fato é que vai se consolidando a expectativa de que a economia dos EUA está em recuperação, ainda que modesta. Outra tese que, tal como o acordo grego, precisa ser acompanhada todos os dias.

O mercado mais otimista, bolsas em alta e moedas em volatilidade.       


Pedro Paulo Silveira
Economista






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quarta-feira, 7 de março de 2012

Economia brasileira empacando de vez.


É muito comum atribuir-se o mérito do cavalo ao cavaleiro e tem sido assim com o câmbio. Hoje o IBGE divulgou os dados da produção industrial de janeiro e ela caiu impressionantes 2,1%. Analistas e governo atribuem esse ocaso à valorização do câmbio, decorrente da enxurrada monetária promovida pelos países industrializados. Mas essa emissão de moeda é uma reação à crise recessiva que vem dinamitando empregos e investimentos nos países industrializados há quatro anos e pode se converter em um problema muito maior caso os Banco Centrais adotem uma posição “comedida’, como têm sugerido alguns brasileiros, do setor público e do setor privado. Essas quedas contínuas de nossa economia são uma lembrança clara que estamos em um mundo globalizado, por mais trivial que isso possa parecer. Desemprego no hemisfério norte afeta as economias de todo o planeta. É possível que o Banco Central brasileiro venha a reduzir a nossa taxa básica em um ritmo mais acelerado  hoje -talvez 0,75 – como forma de compensar simultaneamente a valorização cambial e a desaceleração da indústria. Mas é preocupante observar os sinais emitidos pela imprensa de que o governo pode preparar mais um conjunto de medidas para a “defesa” de nossa indústria, por meio de controles de câmbio e medidas comerciais protecionistas. O desastre dos anos 1930 consistiu nessa receita que o governo brasileiro vem receitando para o Brasil e para o mundo. Estranho notar que um governo de esquerda, uma vez mais, venha a adotar o discurso que no passado pertenceu aos mais ávidos conservadores. Estranho observar que o ministro Mantega assuma o programa que um dia foi de H Hoover. Esse cenário da economia brasileira está suficientemente complicado para continuarmos a dizer que passaremos incólumes à crise global, baseados, apenas, no dinamismo de nossa demanda doméstica.

Depois da queda de ontem, os mercados globais esboçam uma recuperação ,ainda que tímida. O dado crucial para sustentar o ligeiro otimismo global foi o de criação de empregos nos EUA, medido pela ADP. Em fevereiro, segundo a processadora de folhas de pagamento, foram criados 216 mil empregos, indicando que o mercado de trabalho dos EUA continua melhorando. Vale lembrar que o estoque de desempregados e empregados em situação precária é de cerca de 15,5 milhões de pessoas e Bem Bernanke avisou que demorará até que o mercado de trabalho se estabilize.
Com os dados todos já divulgados, é de se crer que o mercado passe a se focar no resultado da reunião do comitê de Política Monetária do Banco Central, ao final da tarde.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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terça-feira, 6 de março de 2012

A recessão está aí, na Europa


A Europa está em queda pelo terceiro dia consecutivo e, dessa vez,  o gatilho foi a divulgação do PIB da Zona do Euro, que veio em queda de 0,3%, conforme o esperado. Todas as contas mostraram encolhimento, inclusive as exportações, o que mostra, em grande medida, a tendência à queda do comércio global. Mesmo dentro das expectativas, o dado fez com que as bolsas mergulhassem e que o Euro se desvalorizasse um pouco mais. A média das quedas é ao redor de 1,2% e espelha o temor de que a recessão se torne uma depressão. Os últimos três meses do ano passado, que compreendem o PIB divulgado hoje, não se beneficiaram da primeira operação de liquidez do tipo LTRO do BCE, que só foi feita no final do mês de dezembro, no montante de quase 500 bilhões de euros. Mesmo com as duas operações LTRO, que somaram 1 trilhão de euros, o primeiro trimestre desse ano também será de contração, já que todos os agentes domésticos estão contraindo seus gastos (investimentos em queda, governos cortando gastos e famílias poupando em meio ao desemprego). A estratégia do bloco vai se mostrando limitada para conter os efeitos deletérios da recessão: os cortes de gastos associados à expansão de liquidez do BCE são ineficientes para conter a queda do PIB europeu.

No Brasil o IBGE divulgou o PIB do quarto trimestre, que veio em 0,3%, totalizando 2,7% de crescimento em 2011, muito abaixo do desejado pelo governo. O destaque é a indústria, que apresentou queda de 0,5% no período e foi a principal contribuição para o PIB fraco. Governo e a maior parte dos analistas vão indicar como “culpado” por esse desempenho a taxa de câmbio valorizada. Talvez isso seja importante para nosso posicionamento global, talvez seja uma importante arma diplomática, mas é muito mais importante que nossos governantes e formuladores de política não acreditem nesse argumento. O que vem jogando nossa indústria para baixo, com queda nas exportações e aumento das importações  de manufaturados é a QUEDA DO COMÉRCIO GLOBAL       , induzida pela recessão da Europa. Esse é o preço que a economia global tem a pagar pelos 16 milhões de desempregados na Europa e 15 milhões nos EUA. A China já vem demonstrando preocupação com a queda de suas exportações de manufaturados e sinalizou isso na redução de sua meta de crescimento de 2012. Mas aqui no Brasil temos ignorado os efeitos devastadores dessa recessão sobre a nossa própria economia. A estratégia de atacar o “Tsunami” da liquidez internacional, adotado pela nossa presidente, tem importância para defender nossa produção local, mas é alarmante como solução global. A Grande Depressão dos anos 1930 foi aprofundada pela enorme competição entre os países. Nessa crise, iniciada em 2008, começamos bem com o G-20 de 2009, no qual os países se comprometeram no âmbito das políticas econômicas: salvar bancos, liberar o comércio global, juros baixos e moedas estáveis. Essa nova fase da crise fez com que a cooperação do passado fosse desmantelada e substituída por políticas competitivas e desordenadas. A liquidez bombeada pelos Bancos Centrais é uma SOLUÇÃO para a crise global e não um problema adicional: ela evita que as quedas do PIB sejam maiores e, portanto, contribuem para manter a nossa própria economia. Se não houvesse essa liquidez, a nossa indústria estaria ainda pior! O câmbio é apenas uma consequência de algo mais atemorizante: a recessão profunda que consome os  países do bloco europeu.  

A posição brasileira é a mesma que vem sendo adotada individualmente por cada economia: buscar resolver o “seu” problema desconsiderando as relações intrínsecas de cada um com o comércio e as finanças globais. Esse caminho, desordenado e competitivo é a maior força que pode nos arrastar para um segundo mergulho na recessão global.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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06 de março dse 2012


sexta-feira, 2 de março de 2012

Estoicismo de Merkel recebido com frieza

Hoje os mercados europeus estão em leve queda, refletindo a falta de notícias importantes nas principais economias da região. Hoje foi concluído um pacto fiscal entre 25 dos 27 países que norteará as metas fiscais da euro região a partir de agora.  A Inglaterra e República Tcheca se recusaram a participar do pacto e isso impediu que ele se tornasse lei dentro da euro região. O fato é que Merkel e os principais líderes do bloco querem conquistar a confiança dos mercados em relação à solidez das finanças públicas das abaladas economias em desaceleração ou recessão. Os mercados apreciam essa disposição dos líderes europeus em mostrar algum estoicismo fiscal, mas parece que entendem, também, que políticas conservadoras agora podem colaborar para levar o bloco um pouco mais ao fundo do poço em que se encontra. Daí essa fria recepção dos mercados, seja nas bolsas, seja no mercado de moedas, onde o euro afundou um pouco mais. Para acrescentar um pouco mais de desânimo, a Itália divulgou o PIB de 2011 em 0,4%, com aumento da relação dívida / pib de 118% para 120%. E as projeções apontam uma retração de 1% em 2012, piorando tanto o cenário de emprego, como o cenário fiscal. Tome-se que a Itália tenha se beneficiado com a desvalorização do euro e tenha conseguido uma performance excelente no setor externo e imagine-se, então, o que esperar da Espanha, que não conta com o mesmo dinamismo industrial que a Itália. A Espanha que divulgou hoje o número de pedidos de seguro desemprego em fevereiro, em cerca de 112 mil pessoas, o que leva o total de pessoas debaixo do seguro desemprego em 4,7 milhões de espanhóis. Isso explica a resistência da Inglaterra em entrar no pacto fiscal e a frieza do mercado quanto às boas intenções dos líderes políticos.

No Brasil o dólar está em alta hoje, depois de ter caído fortemente ontem , apesar da introdução de mais IOF sobre as operações de empréstimo externo. É possível que o mercado passe a esperar mais algum tipo de medida por parte do governo para tentar deter a valorização do real, mas sabemos que essas políticas têm limites muito estreitos diante do tamanho da onda que atua sobre a nossa moeda. A Bovespa deve oscilar junto com a bolsa dos EUA, em um dia de poucas notícias econômicas.


Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

02 de março de 2012


quinta-feira, 1 de março de 2012

Europa em alta e IOF no Brasil


Após as quedas de ontem, os mercados apresentam recuperação;  as altas na Europa giram ao redor de 0,8%. A causa básica dessa melhora é a valorização das dívidas soberanas, por conta da operação feita ontem pelo BCE. Aqui no Brasil, o governo anunciou o aumento do leque de empréstimos externos sujeitos ao IOF de 6% e, nos EUA, serão divulgados dados importantes da atividade econômica.

Primeiro a Europa: a liquidez injetada ontem pelo BCE já atua para manter os preços das dívidas soberanas em patamares mais confortáveis. As dívidas da França e Espanha sofreram valorização no pregão de hoje, permitindo que os mercados relevassem o azedo discurso de Bernanke, feito ontem no Congresso.  Hoje foi divulgado o desemprego na região do Euro e veio para cima, uma vez mais. A taxa veio em 10,7%, com 16,925 milhões de pessoas desempregadas.  É esse desemprego que torna a vida dos formuladores de política um pesadelo na atualidade. Para que o desemprego retorne aos patamares anteriores à super crise, seriam necessárias 8,5 milhões de vagas criadas. Mas as políticas em curso, que apertam os gastos governamentais, destroem  e não criam vagas de trabalho. O otimismo dos preços de ativos reais (ações, moedas e commodities) não espelha o estado real da economia.

Aqui no Brasil o governo reagiu desesperadamente à forte pressão dos fluxos financeiros que apreciam nossa taxa de câmbio. Aumentou o prazo dos empréstimos sujeitos à tributação de 6% de IOF. Ainda que pareça uma medida forte, ela é muito parcial para o tamanho da onda que valoriza nossa moeda. Os fluxos internacionais estão turbinados pela enorme liquidez que os Bancos Centrais têm jogado em suas economias e é pouco provável que essa medida detenha a valorização do real. O que pode ser feito, e já está sendo feito, é a compra maciça de reservas por parte do BC. Hoje nossas reservas estão em US$ 355 bilhões e deverão continuar a crescer em ritmo acelerado. Os custos dessa política são elevados, já que o Tesouro emite títulos da dívida interna a cerca de 10% e recebe uma remuneração nas reservas internacionais de 2%. Esse diferencial é um custo arcado pela nossa política fiscal para manter a taxa de câmbio em um patamar menos tóxico para as exportações brasileiras. A solução para essa questão (a taxa de câmbio valorizada) não existe sem que custos elevados sejam incorridos pelos brasileiros.

Nos EUA, os dados de Renda e Gastos Pessoais de fevereiro saíram abaixo do esperado. A Renda Pessoal subiu 0,3%, quando o esperado era 0,5% e os Gastos 0,2% contra 0,4%.  A contrapartida é que o número de pedidos de seguro desemprego caiu em fevereiro, atingindo o menor nível em quatro anos. Os dados mostram o que tem sido avisado por Bernanke: a economia dos EUA melhora, mas devagar, bem devagar.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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1o. de março de 2012