É muito comum atribuir-se o mérito do cavalo ao cavaleiro e tem
sido assim com o câmbio. Hoje o IBGE divulgou os dados da produção industrial
de janeiro e ela caiu impressionantes 2,1%. Analistas e governo atribuem esse
ocaso à valorização do câmbio, decorrente da enxurrada monetária promovida
pelos países industrializados. Mas essa emissão de moeda é uma reação à crise
recessiva que vem dinamitando empregos e investimentos nos países industrializados
há quatro anos e pode se converter em um problema muito maior caso os Banco
Centrais adotem uma posição “comedida’, como têm sugerido alguns brasileiros,
do setor público e do setor privado. Essas quedas contínuas de nossa economia
são uma lembrança clara que estamos em um mundo globalizado, por mais trivial
que isso possa parecer. Desemprego no hemisfério norte afeta as economias de
todo o planeta. É possível que o Banco Central brasileiro venha a reduzir a
nossa taxa básica em um ritmo mais acelerado
hoje -talvez 0,75 – como forma de compensar simultaneamente a valorização
cambial e a desaceleração da indústria. Mas é preocupante observar os sinais
emitidos pela imprensa de que o governo pode preparar mais um conjunto de
medidas para a “defesa” de nossa indústria, por meio de controles de câmbio e
medidas comerciais protecionistas. O desastre dos anos 1930 consistiu nessa
receita que o governo brasileiro vem receitando para o Brasil e para o mundo. Estranho
notar que um governo de esquerda, uma vez mais, venha a adotar o discurso que
no passado pertenceu aos mais ávidos conservadores. Estranho observar que o
ministro Mantega assuma o programa que um dia foi de H Hoover. Esse cenário da
economia brasileira está suficientemente complicado para continuarmos a dizer
que passaremos incólumes à crise global, baseados, apenas, no dinamismo de
nossa demanda doméstica.
Depois da queda de ontem, os mercados globais esboçam uma recuperação
,ainda que tímida. O dado crucial para sustentar o ligeiro otimismo global foi
o de criação de empregos nos EUA, medido pela ADP. Em fevereiro, segundo a processadora
de folhas de pagamento, foram criados 216 mil empregos, indicando que o mercado
de trabalho dos EUA continua melhorando. Vale lembrar que o estoque de
desempregados e empregados em situação precária é de cerca de 15,5 milhões de
pessoas e Bem Bernanke avisou que demorará até que o mercado de trabalho se estabilize.
Com os dados todos já divulgados, é de se crer que o mercado
passe a se focar no resultado da reunião do comitê de Política Monetária do
Banco Central, ao final da tarde.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para
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