quarta-feira, 7 de março de 2012

Economia brasileira empacando de vez.


É muito comum atribuir-se o mérito do cavalo ao cavaleiro e tem sido assim com o câmbio. Hoje o IBGE divulgou os dados da produção industrial de janeiro e ela caiu impressionantes 2,1%. Analistas e governo atribuem esse ocaso à valorização do câmbio, decorrente da enxurrada monetária promovida pelos países industrializados. Mas essa emissão de moeda é uma reação à crise recessiva que vem dinamitando empregos e investimentos nos países industrializados há quatro anos e pode se converter em um problema muito maior caso os Banco Centrais adotem uma posição “comedida’, como têm sugerido alguns brasileiros, do setor público e do setor privado. Essas quedas contínuas de nossa economia são uma lembrança clara que estamos em um mundo globalizado, por mais trivial que isso possa parecer. Desemprego no hemisfério norte afeta as economias de todo o planeta. É possível que o Banco Central brasileiro venha a reduzir a nossa taxa básica em um ritmo mais acelerado  hoje -talvez 0,75 – como forma de compensar simultaneamente a valorização cambial e a desaceleração da indústria. Mas é preocupante observar os sinais emitidos pela imprensa de que o governo pode preparar mais um conjunto de medidas para a “defesa” de nossa indústria, por meio de controles de câmbio e medidas comerciais protecionistas. O desastre dos anos 1930 consistiu nessa receita que o governo brasileiro vem receitando para o Brasil e para o mundo. Estranho notar que um governo de esquerda, uma vez mais, venha a adotar o discurso que no passado pertenceu aos mais ávidos conservadores. Estranho observar que o ministro Mantega assuma o programa que um dia foi de H Hoover. Esse cenário da economia brasileira está suficientemente complicado para continuarmos a dizer que passaremos incólumes à crise global, baseados, apenas, no dinamismo de nossa demanda doméstica.

Depois da queda de ontem, os mercados globais esboçam uma recuperação ,ainda que tímida. O dado crucial para sustentar o ligeiro otimismo global foi o de criação de empregos nos EUA, medido pela ADP. Em fevereiro, segundo a processadora de folhas de pagamento, foram criados 216 mil empregos, indicando que o mercado de trabalho dos EUA continua melhorando. Vale lembrar que o estoque de desempregados e empregados em situação precária é de cerca de 15,5 milhões de pessoas e Bem Bernanke avisou que demorará até que o mercado de trabalho se estabilize.
Com os dados todos já divulgados, é de se crer que o mercado passe a se focar no resultado da reunião do comitê de Política Monetária do Banco Central, ao final da tarde.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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