Hoje os mercados europeus estão em leve queda, refletindo a
falta de notícias importantes nas principais economias da região. Hoje foi concluído
um pacto fiscal entre 25 dos 27 países que norteará as metas fiscais da euro
região a partir de agora. A Inglaterra e
República Tcheca se recusaram a participar do pacto e isso impediu que ele se
tornasse lei dentro da euro região. O fato é que Merkel e os principais líderes
do bloco querem conquistar a confiança dos mercados em relação à solidez das
finanças públicas das abaladas economias em desaceleração ou recessão. Os
mercados apreciam essa disposição dos líderes europeus em mostrar algum
estoicismo fiscal, mas parece que entendem, também, que políticas conservadoras
agora podem colaborar para levar o bloco um pouco mais ao fundo do poço em que
se encontra. Daí essa fria recepção dos mercados, seja nas bolsas, seja no mercado
de moedas, onde o euro afundou um pouco mais. Para acrescentar um pouco mais de
desânimo, a Itália divulgou o PIB de 2011 em 0,4%, com aumento da relação
dívida / pib de 118% para 120%. E as projeções apontam uma retração de 1% em
2012, piorando tanto o cenário de emprego, como o cenário fiscal. Tome-se que a
Itália tenha se beneficiado com a desvalorização do euro e tenha conseguido uma
performance excelente no setor externo e imagine-se, então, o que esperar da
Espanha, que não conta com o mesmo dinamismo industrial que a Itália. A Espanha
que divulgou hoje o número de pedidos de seguro desemprego em fevereiro, em
cerca de 112 mil pessoas, o que leva o total de pessoas debaixo do seguro desemprego
em 4,7 milhões de espanhóis. Isso explica a resistência da Inglaterra em entrar
no pacto fiscal e a frieza do mercado quanto às boas intenções dos líderes
políticos.
No Brasil o dólar está em alta hoje, depois de ter caído
fortemente ontem , apesar da introdução de mais IOF sobre as operações de
empréstimo externo. É possível que o mercado passe a esperar mais algum tipo de
medida por parte do governo para tentar deter a valorização do real, mas
sabemos que essas políticas têm limites muito estreitos diante do tamanho da
onda que atua sobre a nossa moeda. A Bovespa deve oscilar junto com a bolsa dos
EUA, em um dia de poucas notícias econômicas.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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