segunda-feira, 19 de março de 2012

Semana tranquila pode turbinar otimismo


Depois de vencida a fase mais difícil de negociações na Europa, com a liberação de cerca de 18 bilhões de euros para a Grécia rolar suas dívidas nesse mês, o mercado pode respirar mais calmo. Até mesmo Cristine Lagarde, Diretora do FMI já está relaxando seu cenário mais pessimista e vendo a possibilidade de estabilização da economia global. Na sua visão anterior, os maiores riscos eram centrados em uma crise desordenada de calotes nas dívidas europeias que empurraria a economia global para um segundo ciclo de recessão como o de 2008. Agora ela vê o cenário um pouco mais equilibrado, a partir do pacote europeu de resgate à Grécia, mas mantém as preocupações quanto aos riscos de desaceleração da atividade global. Vale lembrar que a projeção para o crescimento da Europa está em -0,5%, dos países industrializados em 1,2% e da economia global em 3,3%, segundo projeções feitas pelo FMI em janeiro.

Quanto ao Brasil, as discussões continuarão voltadas para a inflação e para o câmbio. A primeira será mais forte nas expectativas dos agentes à medida que a percepção de recuperação global se consolide. Preços internacionais de commodities se mantêm elevados em um ambiente de crescimento. Assim, todo o esforço que o Banco Central fez para reduzir a Selic poderia, em tese, ser jogado no lixo, já que as expectativas fariam com que as taxas de juros mais longas passassem a incorporar um prêmio para o risco de elevação da inflação e, por decorrência, dos juros básicos. Já o câmbio passará a enfrentar um desafio, já que um cenário de economia dos EUA mais forte pode fazer com que os agentes passem a considerar como interessante investimentos naquela economia. A partir daí a economia dos EUA voltaria a drenar os capitais que têm saído de lá com destino aos emergentes e isso atenuaria o tsunami que vem fazendo com que o Ministério da Fazenda mantenha-se tão ativo na manutenção da taxa de câmbio. Em resumo: a melhora do quadro externo lança a possibilidade de juros e câmbio mais elevados no Brasil. Mas essa é uma tendência de curto prazo a ser verificada à medida que o otimismo com os EUA  se confirme e terá uma vida tão longa como a manutenção desse otimismo nas expectativas dos mercados globais.

Portanto, teremos uma semana mais tranquila, que nos fará olhar os dados dos EUA com mais atenção e que tende a colocar mais otimismo na tendência global de alta dos ativos reais.



Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

Nenhum comentário: