Depois de vencida a fase mais difícil de negociações na
Europa, com a liberação de cerca de 18 bilhões de euros para a Grécia rolar suas
dívidas nesse mês, o mercado pode respirar mais calmo. Até mesmo Cristine
Lagarde, Diretora do FMI já está relaxando seu cenário mais pessimista e vendo
a possibilidade de estabilização da economia global. Na sua visão anterior, os
maiores riscos eram centrados em uma crise desordenada de calotes nas dívidas europeias
que empurraria a economia global para um segundo ciclo de recessão como o de
2008. Agora ela vê o cenário um pouco mais equilibrado, a partir do pacote europeu
de resgate à Grécia, mas mantém as preocupações quanto aos riscos de desaceleração
da atividade global. Vale lembrar que a projeção para o crescimento da Europa
está em -0,5%, dos países industrializados em 1,2% e da economia global em 3,3%,
segundo projeções feitas pelo FMI em janeiro.
Quanto ao Brasil, as discussões continuarão voltadas
para a inflação e para o câmbio. A primeira será mais forte nas expectativas dos
agentes à medida que a percepção de recuperação global se consolide. Preços internacionais
de commodities se mantêm elevados em
um ambiente de crescimento. Assim, todo o esforço que o Banco Central fez para
reduzir a Selic poderia, em tese, ser jogado no lixo, já que as expectativas fariam
com que as taxas de juros mais longas passassem a incorporar um prêmio para o
risco de elevação da inflação e, por decorrência, dos juros básicos. Já o
câmbio passará a enfrentar um desafio, já que um cenário de economia dos EUA
mais forte pode fazer com que os agentes passem a considerar como interessante investimentos
naquela economia. A partir daí a economia dos EUA voltaria a drenar os capitais
que têm saído de lá com destino aos emergentes e isso atenuaria o tsunami que vem fazendo com que o Ministério
da Fazenda mantenha-se tão ativo na manutenção da taxa de câmbio.
Em resumo: a melhora do quadro externo lança a possibilidade de juros e câmbio
mais elevados no Brasil. Mas essa é uma tendência de curto prazo a ser
verificada à medida que o otimismo com os EUA se confirme e terá uma
vida tão longa como a manutenção desse otimismo nas expectativas dos mercados
globais.
Portanto, teremos uma semana mais tranquila, que nos
fará olhar os dados dos EUA com mais atenção e que tende a colocar mais
otimismo na tendência global de alta dos ativos reais.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade
única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir
qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem
delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para
trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer
forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os
indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste
informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem
necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma
maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra
ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório
não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa,
para quaisquer fins."
Nenhum comentário:
Postar um comentário