quinta-feira, 1 de março de 2012

Europa em alta e IOF no Brasil


Após as quedas de ontem, os mercados apresentam recuperação;  as altas na Europa giram ao redor de 0,8%. A causa básica dessa melhora é a valorização das dívidas soberanas, por conta da operação feita ontem pelo BCE. Aqui no Brasil, o governo anunciou o aumento do leque de empréstimos externos sujeitos ao IOF de 6% e, nos EUA, serão divulgados dados importantes da atividade econômica.

Primeiro a Europa: a liquidez injetada ontem pelo BCE já atua para manter os preços das dívidas soberanas em patamares mais confortáveis. As dívidas da França e Espanha sofreram valorização no pregão de hoje, permitindo que os mercados relevassem o azedo discurso de Bernanke, feito ontem no Congresso.  Hoje foi divulgado o desemprego na região do Euro e veio para cima, uma vez mais. A taxa veio em 10,7%, com 16,925 milhões de pessoas desempregadas.  É esse desemprego que torna a vida dos formuladores de política um pesadelo na atualidade. Para que o desemprego retorne aos patamares anteriores à super crise, seriam necessárias 8,5 milhões de vagas criadas. Mas as políticas em curso, que apertam os gastos governamentais, destroem  e não criam vagas de trabalho. O otimismo dos preços de ativos reais (ações, moedas e commodities) não espelha o estado real da economia.

Aqui no Brasil o governo reagiu desesperadamente à forte pressão dos fluxos financeiros que apreciam nossa taxa de câmbio. Aumentou o prazo dos empréstimos sujeitos à tributação de 6% de IOF. Ainda que pareça uma medida forte, ela é muito parcial para o tamanho da onda que valoriza nossa moeda. Os fluxos internacionais estão turbinados pela enorme liquidez que os Bancos Centrais têm jogado em suas economias e é pouco provável que essa medida detenha a valorização do real. O que pode ser feito, e já está sendo feito, é a compra maciça de reservas por parte do BC. Hoje nossas reservas estão em US$ 355 bilhões e deverão continuar a crescer em ritmo acelerado. Os custos dessa política são elevados, já que o Tesouro emite títulos da dívida interna a cerca de 10% e recebe uma remuneração nas reservas internacionais de 2%. Esse diferencial é um custo arcado pela nossa política fiscal para manter a taxa de câmbio em um patamar menos tóxico para as exportações brasileiras. A solução para essa questão (a taxa de câmbio valorizada) não existe sem que custos elevados sejam incorridos pelos brasileiros.

Nos EUA, os dados de Renda e Gastos Pessoais de fevereiro saíram abaixo do esperado. A Renda Pessoal subiu 0,3%, quando o esperado era 0,5% e os Gastos 0,2% contra 0,4%.  A contrapartida é que o número de pedidos de seguro desemprego caiu em fevereiro, atingindo o menor nível em quatro anos. Os dados mostram o que tem sido avisado por Bernanke: a economia dos EUA melhora, mas devagar, bem devagar.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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