Após as quedas de ontem, os mercados apresentam recuperação;
as altas na Europa giram ao redor de 0,8%.
A causa básica dessa melhora é a valorização das dívidas soberanas, por conta
da operação feita ontem pelo BCE. Aqui no Brasil, o governo anunciou o aumento
do leque de empréstimos externos sujeitos ao IOF de 6% e, nos EUA, serão
divulgados dados importantes da atividade econômica.
Primeiro a Europa: a liquidez injetada ontem pelo BCE já
atua para manter os preços das dívidas soberanas em patamares mais
confortáveis. As dívidas da França e Espanha sofreram valorização no pregão de hoje,
permitindo que os mercados relevassem o azedo discurso de Bernanke, feito ontem
no Congresso. Hoje foi divulgado o desemprego
na região do Euro e veio para cima, uma vez mais. A taxa veio em 10,7%, com
16,925 milhões de pessoas desempregadas. É esse desemprego que torna a vida dos
formuladores de política um pesadelo na atualidade. Para que o desemprego
retorne aos patamares anteriores à super crise, seriam necessárias 8,5 milhões
de vagas criadas. Mas as políticas em curso, que apertam os gastos
governamentais, destroem e não criam vagas
de trabalho. O otimismo dos preços de ativos reais (ações, moedas e commodities) não espelha o estado real
da economia.
Aqui no Brasil o governo reagiu desesperadamente à forte
pressão dos fluxos financeiros que apreciam nossa taxa de câmbio. Aumentou o
prazo dos empréstimos sujeitos à tributação de 6% de IOF. Ainda que pareça uma
medida forte, ela é muito parcial para o tamanho da onda que valoriza nossa
moeda. Os fluxos internacionais estão turbinados pela enorme liquidez que os
Bancos Centrais têm jogado em suas economias e é pouco provável que essa medida
detenha a valorização do real. O que pode ser feito, e já está sendo feito, é a
compra maciça de reservas por parte do BC. Hoje nossas reservas estão em US$
355 bilhões e deverão continuar a crescer em ritmo acelerado. Os custos dessa
política são elevados, já que o Tesouro emite títulos da dívida interna a cerca
de 10% e recebe uma remuneração nas reservas internacionais de 2%. Esse
diferencial é um custo arcado pela nossa política fiscal para manter a taxa de
câmbio em um patamar menos tóxico para as exportações brasileiras. A solução
para essa questão (a taxa de câmbio valorizada) não existe sem que custos
elevados sejam incorridos pelos brasileiros.
Nos EUA, os dados de Renda e Gastos Pessoais de fevereiro
saíram abaixo do esperado. A Renda Pessoal subiu 0,3%, quando o esperado era
0,5% e os Gastos 0,2% contra 0,4%. A
contrapartida é que o número de pedidos de seguro desemprego caiu em fevereiro,
atingindo o menor nível em quatro anos. Os dados mostram o que tem sido avisado
por Bernanke: a economia dos EUA melhora, mas devagar, bem devagar.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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