A agenda do dia estava lotada
de indicadores e eles vieram muito ruins na Europa e na China. No Brasil os
indicadores de emprego mostram o mercado de trabalho em aquecimento e a
inflação menor do que o esperado. Os indicadores antecedentes dos EUA podem
confirmar, ou não, a sensação de que a economia americana está em boa forma, a
caminho da recuperação.
Os indicadores que levaram
os mercados a uma nova queda mostraram a indústria se desacelerando na China e
na Zona do Euro. O indicador industrial HSBC PMI, da China, veio em 48,1 em março contra
49,7 em fevereiro. Um indicador abaixo de 50 indica que o setor de atividades
está em desaceleração ou contração. Somado aos temores do início da semana, que
estavam baseados na percepção de menor produção de aço e menor crescimento,
esse novo índice mostra o peso quer a desaceleração global tem sobre a segunda
maior economia do planeta e a mais dinâmica para sustentação do crescimento global.
Vale lembrar que um crescimento menor na China tem profundas consequências para
a economia brasileira. Os dados europeus foram
tão decepcionantes quanto os chineses. O PMI da Zona do Euro veio em
47,7 contra um número esperado de 49,5. O mergulho desse indicador mostra a
intensidade da retração da atividade econômica da Europa, acentuada pela
desastrosa política de aperto fiscal promovidas pelos seus governos. Como temos
comentado sistematicamente nesse blog, a política fiscal contracionista da Zona
do Euro, praticada para comprar a confiança
dos mercados globais, está intensificando a recessão do continente. O
desemprego de cerca de 16 milhões de pessoas tende a piorar ao longo do ano e
um número como esse PMI nos faz lembrar que a euforia baseada na liquidez
injetada pelo Banco Central Europeu ajuda muito pouco a economia real. Com essa
lembrança, os mercados só podiam tomar o caminho que tomaram hoje, com quedas
nas bolsas, fortes oscilações nas moedas e ligeira piora no mercado de renda
fixa.
No Brasil o IBGE divulgou
o desemprego de fevereiro em 5,7%, menor marca para o mês desde que essa série
foi iniciada. O desemprego baixo, com a renda urbana atingindo seus máximos,
tende a sugerir que estamos no pleno emprego (a redução do emprego só é
conseguida com aumento de salários reais, o que causa inflação). Se isso é verdade,
a estratégia de contenção das importações e incentivos às exportações, baseada
na desvalorização do real tende ao fracasso. Em todas as oportunidades nas
quais tentou-se desvalorizar a taxa de câmbio com o mercado de trabalho em
nível de pleno emprego, isso resultou em inflação. Mais preocupante que a
política monetária, que tem buscado a menor taxa Selic, é a política de
estímulo ao nosso setor externo baseada na desvalorização do real. Com emprego
elevado, vale repetir, a desvalorização vira inflação. O mercado de juros, no
entanto, preferiu olhar para a taxa de inflação medida pelo IPCA-15 do IBGE que
veio em 0,25%, contra as expectativas de 0,37%. Os juros caíram e o câmbio
continua sua trajetória de desvalorização.
Para que o mercado consolide seu pessimismo, será necessário que o índice de Indicadores Antecedentes, dos EUA, saia pior do que as expectativas. Os economistas estão esperando uma alta de 0,6% no mês, contra uma alta anterior de 0,4%. Se esse número vier bem, no entanto, é os mercados tendem a melhor. No atual estado de expectativas, os agentes veem a Europa em recessão e os EUA em recuperação, hoje veremos...
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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