Os mercados estão mais otimistas do que no início da semana,
por conta do mercado de trabalho nos EUA, do quase fechamento do acordo entre
credores e governo grego e com a queda dos juros de 0,75% no Brasil. A Alemanha
sobe mais de 2% e as outras bolsas europeias estão em linha com ela. Os futuros
nos EUA estão em alta e não há dados econômicos importantes a serem divulgados,
restando ao mercado digerir, com algum otimismo, o anúncio feito pelo Federal
Reserve, de que haverá outra compra maciça de títulos longos, reduzindo as
taxas de juros de longo prazo.
A Europa está em festa com a possibilidade de acordo entre
credores privados e o governo grego até amanhã. Uma novela que se desenrola há
mais de 60 dias e que deixou os governantes europeus insones por muitas noites.
É quase certo que a operação seja fechada até amanhã e isso é suficiente para
impulsionar os mercados depois das quedas anteriores. Esse prova, com certeza,
que a tese segundo a qual a Grécia era um “pequeno risco” era totalmente
furada. A Grécia estava entre as maiores preocupações dos grandes bancos
europeus e o reordenamento da dívida permite que todos respirem um pouco
melhor. Vale notar que o acerto da dívida grega melhora a vida dos credores, mas
é quase uma garantia de que a vida dos gregos será um inferno nos próximos anos.
Não há garantia algum a de que a Grécia conseguirá manter seus compromissos
firmados com a Comunidade Europeia, a partir do plano de resgate. As apostas
eram, e devem continuar, no sentido de que a Grécia não conseguirá pagar pelo
acordo. No curto prazo, pelo menos, o alívio é o motivo da festa.
No Brasil o Comitê de Política Monetária derrubou a Selic em 0,75%, para 9,75%. Há muita discussão entre técnicos, no sentido dessa medida representar o abandono, ao menos parcial, do sistema de metas de inflação. Com a inflação longe do centro de meta de 4,5%, a redução dos juros básicos pode refletir uma violação das regras de política; e de fato é isso mesmo. Aliás, depois do estouro da super crise, em 2008, os Banco Centrais passaram a utilizar velhos instrumentos não previstos no Sistema de Metas de Inflação: o gerenciamento dos estoques monetários e não monetários em poder dos bancos. Na queda da atividade e na piora das condições de liquidez, os BC´s têm atuado diretamente nas funções que, normalmente, ficam nas mãos dos bancos privados. Esse conjunto de atividades, que antes era denominada “discricionariedade” das autoridades monetárias, hoje tem sido chamado, de maneira mais simpática, de medidas macroprudenciais. De fato, o que os BC´s têm feito, é priorizar a solução da super crise global reconhecendo que o Sistema de Metas de Inflação é limitado demais para isso. Os bancos europeus têm inundado, junto com o Federal Reserve dos EUA e o Banco do Japão, suas economias com muito dinheiro e o BC brasileiro, na mesma direção e pelo mesmo motivo, reduz a taxa Selic mesmo que as inflações corrente e esperada estejam acima da meta.
Nos EUA, Obama respira aliviado com a melhora, ainda que
muito tímida, do mercado de trabalho. A pesquisa ADP de ontem mostrou que foram
criados 216 mil empregos em fevereiro e amanhã esse número poderá (ou não) ser
confirmado pela pesquisa do Dpto do Trabalho. O fato é que vai se consolidando
a expectativa de que a economia dos EUA está em recuperação, ainda que modesta.
Outra tese que, tal como o acordo grego, precisa ser acompanhada todos os dias.
O mercado mais otimista, bolsas em alta e moedas em
volatilidade.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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