A primeira temporada da novela grega parece estar chegando
ao final, já que a maioria dos credores aceitou os termos da renegociação e
isso abriu espaço para que o país receba o segundo pacote de ajuda acertado com
a Comissão Europeia. O total de desconto sobre a dívida chegou a 100 bilhões de
euros e, ao menos em termos nominais, é um dos maiores coletes da história
econômica. Agora abre-se o período para que a Europa aporte o pacote de ajuda
aprovado em fevereiro e para que o país cumpra todas as condicionalidades
acertadas em tal programa. Ainda que seja difícil acreditar que a Grécia
consiga cumprir com todas as exigências, os mercados parecem respirar mais
aliviados por enquanto. Aliviados se não considerarem os dados do PIB português,
que encolheu 1,3% no quarto trimestre (são cinco semestres em queda) e o da
própria Grécia que, revisado, caiu 7,5%
(com desemprego a 21%).Continuamos a encarar os arranjos europeus com um
pouco de preocupação, já que as economias têm insistido em mostrar sinais
claros de que o continente está afundando em uma recessão difícil de ser
contornada com as políticas atuais. Essa visão é confirmada pelo comportamento
dos mercados que têm reagido positivamente às injeções monetárias, sustentando
os preços dos ativos reais (bolsas, moedas e commodities) mas que se assusta com os não raros dados de fracasso nos
níveis de produção e emprego, que vão se espalhando por todas as economias.
No Brasil o IBGE divulgou o IPCA de fevereiro que veio
dentro do esperado, em 0,45%, desacelerando-se em relação a janeiro, mas ainda em
patamar elevado. O primeiro decêndio do IGP-M da FGV veio com 0,23%, numa
importante aceleração em relação ao fechamento de fevereiro. Esses dados de
inflação continuarão a dar espaço para as intermináveis discussões em torno do
suposto abandono das regras do Sistema de Metas de Inflação por parte do Banco
Central. Mesmo com os fracos dados de produção industrial e PIB, analistas não
pouparam o COPOM de críticas quanto à condução da política monetária no Brasil.
Isso, pelo menos por enquanto, não se reflete no comportamento efetivo do
mercado de juros, que aceitou bem a decisão do COPOM. Tudo indica que
repetiremos o que vem acontecendo desde agosto passado: o BC insiste em mostrar
a recessão global como risco e os mercados, reticentes, acabam por segui-lo.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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