sexta-feira, 9 de março de 2012

Emprego nos EUA


A primeira temporada da novela grega parece estar chegando ao final, já que a maioria dos credores aceitou os termos da renegociação e isso abriu espaço para que o país receba o segundo pacote de ajuda acertado com a Comissão Europeia. O total de desconto sobre a dívida chegou a 100 bilhões de euros e, ao menos em termos nominais, é um dos maiores coletes da história econômica. Agora abre-se o período para que a Europa aporte o pacote de ajuda aprovado em fevereiro e para que o país cumpra todas as condicionalidades acertadas em tal programa. Ainda que seja difícil acreditar que a Grécia consiga cumprir com todas as exigências, os mercados parecem respirar mais aliviados por enquanto. Aliviados se não considerarem os dados do PIB português, que encolheu 1,3% no quarto trimestre (são cinco semestres em queda) e o da própria Grécia que, revisado, caiu 7,5%  (com desemprego a 21%).Continuamos a encarar os arranjos europeus com um pouco de preocupação, já que as economias têm insistido em mostrar sinais claros de que o continente está afundando em uma recessão difícil de ser contornada com as políticas atuais. Essa visão é confirmada pelo comportamento dos mercados que têm reagido positivamente às injeções monetárias, sustentando os preços dos ativos reais (bolsas, moedas e commodities) mas que se assusta com os não raros dados de fracasso nos níveis de produção e emprego, que vão se espalhando por todas as economias.

No Brasil o IBGE divulgou o IPCA de fevereiro que veio dentro do esperado, em 0,45%, desacelerando-se em relação a janeiro, mas ainda em patamar elevado. O primeiro decêndio do IGP-M da FGV veio com 0,23%, numa importante aceleração em relação ao fechamento de fevereiro. Esses dados de inflação continuarão a dar espaço para as intermináveis discussões em torno do suposto abandono das regras do Sistema de Metas de Inflação por parte do Banco Central. Mesmo com os fracos dados de produção industrial e PIB, analistas não pouparam o COPOM de críticas quanto à condução da política monetária no Brasil. Isso, pelo menos por enquanto, não se reflete no comportamento efetivo do mercado de juros, que aceitou bem a decisão do COPOM. Tudo indica que repetiremos o que vem acontecendo desde agosto passado: o BC insiste em mostrar a recessão global como risco e os mercados, reticentes, acabam por segui-lo.

A notícia esperada do dia, que vai definir se a agitada semana que está acabando terminará com alta nas bolsas é sobre o emprego nos EUA. O Departamento do Trabalho divulga a criação de vagas de fevereiro e a expectativa do mercado é de 204 mil vagas criadas e um desemprego de 8,4%. Os EUA tem conseguido criar vagas sistematicamente desde outubro de 2010. Mas o ritmo de criação de vagas ainda não estava sendo suficiente para derrubar o desemprego. Com todos os pacotes que o governo dos EUA fez, intervindo diretamente por meio de obras e gastos e, indiretamente, com a expansão da liquidez pelo federal Reserve, a criação de vagas começou a aumentar a partir do segundo semestre do ano passado.  Esse evento tem dado algum alívio aos mercados, sinalizando que, ao menos nos EUA, o risco de uma nova recessão pode estar contido. Essa tese tem sido reforçada pela ideia de que a economia dos EUA é pouco afetada pela economia europeia, cuja participação no comércio externo é baixa.Ela é defendida por Krugman é para lá de duvidosa, mas tem sustentado o otimismo que reina entre governo, consumidores, empresários e mercados nos EUA. Se o dado sai em cima das expectativas, ou acima delas, deveremos fechar a semana com uma alta. A conferir...



Pedro Paulo Silveira
Economista






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