quarta-feira, 21 de março de 2012

O mercado parado

O principal dado econômico do dia saiu com surpresa ruim: as vendas de imóveis usados nos EUA vieram abaixo do esperado. O número esperado pelo mercado era de 4,61 milhões de imóveis vendidos, em termos anualizados, e vieram 4,59 milhões, um pouco abaixo.  No mês isso representa algo como mil e seiscentas residências, algo que está dentro da margem de erro da pesquisa. Nenhuma novidade para o cenário macroeconômico dos EUA, que inspira otimismo na maioria dos analistas. A bolsa reagiu com ligeira queda e tende a ignorar esse dado. Mais importante foi o discurso de Bernanke no Congresso, no qual ele se focou nos efeitos da crise europeia sobre a atividade dos EUA. Alguns economistas têm que argumentado que a baixa participação das exportações para Europa no PIB total dos EUA torna sua economia praticamente “imune” à recessão europeia. Dessa forma, a recuperação dos EUA estaria praticamente assegurada, independente do destino da atividade econômica da Europa. Bernanke mostrou que discorda frontalmente dessa opinião quase geral. Em seu discurso aos deputados, o presidente do FED relembra que a Europa é o destino de um quinto das exportações dos EUA e que isso é importante para limitar as chances de recuperação da maior economia do planeta. Também ressaltou que, apesar das melhoras observadas no sistema financeiro europeu, a situação atual ainda inspira muita cautela e gerenciamento adequado. Em resumo, ele reafirmou que precisamos ter cautela em nosso otimismo. 

Esses dois eventos - o número de imóveis usados vendidos em março e o discurso de Bernanke - refletem, novamente, o atual estágio da economia global, de quase “inanição”, contaminando os mercados com a falta de entusiasmo.

No Brasil, a bolsa continua a queda iniciada ontem, realizando os lucros da alta de 18% no ano, sem um motivo específico. Os juros continuam em queda, mostrando que o mercado está relaxando o cenário inflacionário anunciado pela maioria dos analistas e o câmbio obedece à tendência de alta, turbinada pelas ações do Ministério da Fazendo e pelas atuações do Banco Central.


Pedro Paulo Silveira
Economista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

Um comentário:

Mario disse...

Boa análise, todavia o cenário norte americano mereça mais enfase.