O principal dado econômico
do dia saiu com surpresa ruim: as vendas de imóveis usados nos EUA vieram
abaixo do esperado. O número esperado pelo mercado era de 4,61 milhões de
imóveis vendidos, em termos anualizados, e vieram 4,59 milhões, um pouco
abaixo. No mês isso representa algo como
mil e seiscentas residências, algo que está dentro da margem de erro da
pesquisa. Nenhuma novidade para o cenário macroeconômico dos EUA, que inspira
otimismo na maioria dos analistas. A bolsa reagiu com ligeira queda e tende a
ignorar esse dado. Mais importante foi o discurso de Bernanke no Congresso, no
qual ele se focou nos efeitos da crise europeia sobre a atividade dos EUA. Alguns
economistas têm que argumentado que a baixa participação das exportações para Europa
no PIB total dos EUA torna sua economia praticamente “imune” à recessão
europeia. Dessa forma, a recuperação dos EUA estaria praticamente assegurada, independente
do destino da atividade econômica da Europa. Bernanke mostrou que discorda
frontalmente dessa opinião quase geral. Em seu discurso aos deputados, o
presidente do FED relembra que a Europa é o destino de um quinto das exportações
dos EUA e que isso é importante para limitar as chances de recuperação da maior
economia do planeta. Também ressaltou que, apesar das melhoras observadas no
sistema financeiro europeu, a situação atual ainda inspira muita cautela e
gerenciamento adequado. Em resumo, ele reafirmou que precisamos ter cautela em
nosso otimismo.
Esses dois eventos - o
número de imóveis usados vendidos em março e o discurso de Bernanke - refletem,
novamente, o atual estágio da economia global, de quase “inanição”, contaminando
os mercados com a falta de entusiasmo.
No Brasil, a bolsa continua
a queda iniciada ontem, realizando os lucros da alta de 18% no ano, sem um
motivo específico. Os juros continuam em queda, mostrando que o mercado está
relaxando o cenário inflacionário anunciado pela maioria dos analistas e o
câmbio obedece à tendência de alta, turbinada pelas ações do Ministério da
Fazendo e pelas atuações do Banco Central.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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Um comentário:
Boa análise, todavia o cenário norte americano mereça mais enfase.
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