sexta-feira, 23 de março de 2012

À espera das vendas de imóveis nos EUA

O IBGE divulgou os dados do comércio de janeiro, que apresentaram uma alta de 2,6% em relação a dezembro e de 7,3% em relação a janeiro do ano passado, um pouco acima do esperado. Esse número contribuirá para melhorar um pouco o PIB do primeiro trimestre, bastante prejudicado pelo comportamento da indústria. Mas esse dado afeta pouco as expectativas dos agentes, já se refere a janeiro e pouco revela sobre o momento atual.

Juros e câmbio devem seguir, de fato, o comportamento dos mercados globais que ainda estão inseridos em um movimento de queda motivado pela percepção de que a economia global não deve se recuperar tão facilmente quanto se planejava. A bolsa chinesa teve uma queda de cerca de 1% refletindo exatamente essa percepção. Os chineses, mais que analistas do mercado em geral, têm depositado grande preocupação em relação aos impactos da crise europeia sobre a sua economia. Os resultados divulgados e esperados para as empresas listadas em bolsa têm refletido esse momento de desaceleração da atividade econômica chinesa. Na Europa, as bolsas também caem, continuando o movimento de acomodação de preços em função da percepção de que a recessão na região pode ser mais intensa do que o inicialmente previsto.

O dado econômico mais significativo do dia será divulgado às 11 hs e, novamente, diz respeito ao mercado imobiliário dos EUA. O US Census Bureau divulgará o número de novas residências vendidas em fevereiro e o mercado espera estabilidade em relação a março. Esse dado, uma vez mais, poderá atestar se, de fato, a maior economia do planeta está em recuperação. Além desse dado, o discurso do presidente do FED,  Ben Bernanke, pode trazer alguma “emoção”. 

O presidente do FED de St. Louis, James Bullard, já fez o seu discurso de hoje, em Hong Kong, e mostrou que é uma voz dissonante no sistema do FED. Alertou o mundo em relação aos riscos inflacionários embutidos na política de aumento de liquidez efetuada pelos Bancos Centrais (e pelo próprio FED!). Esse discurso não traz muita novidade, já que o FED St.Louis é a Catedral do pensamento monetarista, que vê riscos inflacionários em todas as ações dos agentes econômicos. É curioso, no entanto, notar que Bullard foi um dos primeiros membros do sistema do FED a defender a expansão da liquidez em 2010. Os estragos causados por esse discurso altista de juros são limitados pelo fato de Bullard não votar no Comitê de Política Monetária do FED (o FOMC). Mas ele foi taxativo ao dizer que defende a tese de que o FED deveria elevar os juros básicos a partir de 2013 e não em 2014, como anunciou o presidente, Ben Bernanke.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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