O IBGE divulgou os dados
do comércio de janeiro, que apresentaram uma alta de 2,6% em relação a dezembro
e de 7,3% em relação a janeiro do ano passado, um pouco acima do esperado. Esse
número contribuirá para melhorar um pouco o PIB do primeiro trimestre, bastante
prejudicado pelo comportamento da indústria. Mas esse dado afeta pouco as
expectativas dos agentes, já se refere a janeiro e pouco revela sobre o momento
atual.
Juros e câmbio devem
seguir, de fato, o comportamento dos mercados globais que ainda estão inseridos
em um movimento de queda motivado pela percepção de que a economia global não
deve se recuperar tão facilmente quanto se planejava. A bolsa chinesa teve uma
queda de cerca de 1% refletindo exatamente essa percepção. Os chineses, mais
que analistas do mercado em geral, têm depositado grande preocupação em relação
aos impactos da crise europeia sobre a sua economia. Os resultados divulgados e
esperados para as empresas listadas em bolsa têm refletido esse momento de
desaceleração da atividade econômica chinesa. Na Europa, as bolsas também caem,
continuando o movimento de acomodação de preços em função da percepção de que a
recessão na região pode ser mais intensa do que o inicialmente previsto.
O dado econômico mais
significativo do dia será divulgado às 11 hs e, novamente, diz respeito ao
mercado imobiliário dos EUA. O US Census
Bureau divulgará o número de novas residências vendidas em fevereiro e o
mercado espera estabilidade em relação a março. Esse dado, uma vez mais, poderá
atestar se, de fato, a maior economia do planeta está em recuperação. Além
desse dado, o discurso do presidente do FED, Ben Bernanke, pode trazer alguma “emoção”.
O presidente do FED de St. Louis, James Bullard, já fez o seu discurso de hoje,
em Hong Kong, e mostrou que é uma voz dissonante no sistema do FED. Alertou o
mundo em relação aos riscos inflacionários embutidos na política de aumento de liquidez
efetuada pelos Bancos Centrais (e pelo próprio FED!). Esse discurso não traz muita novidade, já que o
FED St.Louis é a Catedral do pensamento monetarista, que vê riscos
inflacionários em todas as ações dos agentes econômicos. É curioso, no entanto,
notar que Bullard foi um dos primeiros membros do sistema do FED a defender a
expansão da liquidez em 2010. Os estragos causados por esse discurso altista de juros são limitados pelo fato de Bullard não votar no Comitê de Política
Monetária do FED (o FOMC). Mas ele foi taxativo ao dizer que defende a tese de
que o FED deveria elevar os juros básicos a partir de 2013 e não em 2014, como
anunciou o presidente, Ben Bernanke.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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