Hoje os mercados globais estão em realização, com
quedas acentuadas na Europa, EUA e Brasil. O motivo para a realização, que
contraria nossas expectativas para a semana de otimismo, estão baseadas na notícia
de que a BHP está vendendo menos minério para a China, que está produzindo
menos aço. Na esteira desse movimento, os juros voltaram a cair, depois das
altas de ontem, mas o dólar acentuou sua alta em relação ao real.
A China vem reduzindo seu crescimento, acompanhando a
tendência global, mas essa queda é atenuada pela expansão da demanda doméstica,
que mantém o dinamismo dos últimos dez anos, baseado na incorporação de vastos
contingentes populacionais à economia urbana. Mas o crescimento total da
economia chinesa também dependia do crescimento dos mercados globais, fonte de
demanda de uma parcela significativa de sua produção. O quadro abaixo mostra o
crescimento chinês, brasileiro e global de 2010 e 2011 e as projeções do FMI
para 2012 e 2013:
Há uma redução de 2,2% no crescimento chinês de 2010
para cá e isso resulta basicamente da queda de 2,0% do crescimento global. Foi
esse o cenário montado pelo governo chinês ao anunciar a redução da meta de
crescimento de 8% para 7,5% três semanas atrás. O esforço chinês se concentrará
no fortalecimento da demanda doméstica para compensar a falta de crescimento global.
O que o presidente da BHP disse, apenas ressalta o que já esperado pela grande maioria
dos analistas internacionais: o crescimento da China estará baseado, cada vez
mais, em uma demanda relativamente menor de matérias primas básicas, já que o
nível de urbanização e industrialização está cada vez maior. Esse cenário
prospectivo já era de conhecimento de todos e não podemos creditar a ele as
quedas substanciais que os mercados globais estão promovendo em suas bolsas e
nos preços das commodities. Tudo indica
que estamos em um dia de realização e não em uma forte correção de trajetória
do otimismo que tem imperado nos mercados globais. O crescimento da China é um
evento crucial, de fato, para as perspectivas globais, mas as projeções de
crescimento reduzidas já estavam feitas desde janeiro.
Nos EUA, o dado econômico do dia foi divulgado pelo U.S. Census Bureau e diz respeito ao
início de novas construções residenciais do setor privado. Elas vieram um pouco
abaixo do esperado mas indicam estabilização em um patamar superior ao da crise
de 2008-2009 e da queda de 2011. O gráfico abaixo mostra o volume de novas
construções, tomadas mensalmente e anualizadas:
Note que antes da crise o volume mensal de novas residências
era ao redor de dois milhões de residências/ano; com a crise o mercado encolheu
dois terços. Os esforços estão sendo feitos para estabilizar o mercado nesse
patamar atual e, depois, fazê-lo retornar aos padrões pré bolha imobiliária,
que eram de 1,5 milhões de residências/ano. O mercado imobiliário dos EUA é um
retrato do atual estágio da crise: parece que o pior já passou, mas temos um
longo caminho para recuperar os patamares anteriores à crise.
Um dia de realização que não tem base em novas
informações.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade
única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir
qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem
delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para
trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer
forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os
indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste
informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem
necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma
maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra
ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório
não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa,
para quaisquer fins."


Nenhum comentário:
Postar um comentário