A Europa assistiu às primeiras horas do
pregão com mercados acionários em queda e o euro se desvalorizando. Após algum
tempo, no entanto, as bolsas passaram a subir consideravelmente, zerando parte
das perdas ocorridas ontem, após a frustração com o BCE. Esse entusiasmo ganhou
mais força após a divulgação dos dados de contratação, que atingiram 163 mil
pessoas em julho contra uma expectativa de 100 mil. Abaixo o gráfico da
Bloomberg sobre o comportamento das contratações:
O dado de junho foi revisado para baixo,
de 80 mil para 64 mil e a taxa de desemprego subiu de 8,2% para 8,3%. O mercado
preferiu interpretar o resultado positivo de contratações de julho,
desconsiderando a alta da taxa de desemprego e a revisão, para baixo, das
contratações de maio.
O mercado de trabalho desaquecido é um
dos pontos sensíveis para o Federal
Reserve Bank, que tem como metas de
sua política monetária a estabilidade de preços e o pleno emprego e para o governo
Obama, que precisa sinalizar com uma melhora do quadro econômico, seja para
avançar na disputa eleitoral contra Mitt Romney, seja para justificar novas
intervenções de estímulo na economia. A taxa de desemprego, no entanto, mostra
forte resistência para cair. Abaixo o gráfico Bloomberg com a evolução da taxa
de desemprego:
Como pode ser notado, a taxa de
desemprego subiu fortemente na crise de 2007-2008, atingindo 10% e depois
caindo lentamente. Mas ainda está longe de voltar ao patamar normal, entre 5,5%
e 6,0%, considerado o normal, o pleno emprego.
A euforia de hoje foi turbinada pelas
contratações nos EUA, mas indica que o pacote de resgate da Espanha é visto
como certo. O grande problema agora é que os dirigente estão em um jogo de
empurra empurra para ver quem dá o chute inicial para ações. O presidente do
BCE diz que somente andará com as ações de compra da dívida, se o país em crise
solicitar essa ação junto ao BCE e ao fundo EFSF. Já Mariano Rajoy, presidente
espanhol, disse que só fará alguma coisa depois de conhecer claramente quais
serão as condições para a ajuda. Enquanto isso, o mercado aumenta as apostas de
que as recompras da dívida começarão na semana que vem.
O risco da dívida espanhola abriu em
forte alta, saindo do fechamento de ontem de 550 de batendo 610. Depois do
início da euforia, que inverteu as quedas da bolsas, o risco voltou a cair para
580.
A semana vai terminando com essa
recuperação forte do otimismo, confirmando que a volatilidade tende a se
manter. Se, na semana que vem, as compras de dívidas começarem na Europa,
poderemos assistir a fortes altas das bolsas e dos demais ativos de risco.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
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