sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A volta da euforia.




A Europa assistiu às primeiras horas do pregão com mercados acionários em queda e o euro se desvalorizando. Após algum tempo, no entanto, as bolsas passaram a subir consideravelmente, zerando parte das perdas ocorridas ontem, após a frustração com o BCE. Esse entusiasmo ganhou mais força após a divulgação dos dados de contratação, que atingiram 163 mil pessoas em julho contra uma expectativa de 100 mil. Abaixo o gráfico da Bloomberg sobre o comportamento das contratações:







O dado de junho foi revisado para baixo, de 80 mil para 64 mil e a taxa de desemprego subiu de 8,2% para 8,3%. O mercado preferiu interpretar o resultado positivo de contratações de julho, desconsiderando a alta da taxa de desemprego e a revisão, para baixo, das contratações de maio.

O mercado de trabalho desaquecido é um dos pontos sensíveis para o Federal Reserve Bank,  que tem como metas de sua política monetária a estabilidade de preços e o pleno emprego e para o governo Obama, que precisa sinalizar com uma melhora do quadro econômico, seja para avançar na disputa eleitoral contra Mitt Romney, seja para justificar novas intervenções de estímulo na economia. A taxa de desemprego, no entanto, mostra forte resistência para cair. Abaixo o gráfico Bloomberg com a evolução da taxa de desemprego:







Como pode ser notado, a taxa de desemprego subiu fortemente na crise de 2007-2008, atingindo 10% e depois caindo lentamente. Mas ainda está longe de voltar ao patamar normal, entre 5,5% e 6,0%, considerado o normal, o pleno emprego.

A euforia de hoje foi turbinada pelas contratações nos EUA, mas indica que o pacote de resgate da Espanha é visto como certo. O grande problema agora é que os dirigente estão em um jogo de empurra empurra para ver quem dá o chute inicial para ações. O presidente do BCE diz que somente andará com as ações de compra da dívida, se o país em crise solicitar essa ação junto ao BCE e ao fundo EFSF. Já Mariano Rajoy, presidente espanhol, disse que só fará alguma coisa depois de conhecer claramente quais serão as condições para a ajuda. Enquanto isso, o mercado aumenta as apostas de que as recompras da dívida começarão na semana que vem.

O risco da dívida espanhola abriu em forte alta, saindo do fechamento de ontem de 550 de batendo 610. Depois do início da euforia, que inverteu as quedas da bolsas, o risco voltou a cair para 580.

A semana vai terminando com essa recuperação forte do otimismo, confirmando que a volatilidade tende a se manter. Se, na semana que vem, as compras de dívidas começarem na Europa, poderemos assistir a fortes altas das bolsas e dos demais ativos de risco.








Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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