quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O BCE surpreende negativamente.




Hoje o Banco Central Europeu e se reuniu e todos esperavam que anunciasse algo de concreto na direção do que o seu presidente antecipou duas semanas atrás. Mario Draghi havia “prometido” medidas concretas para sustentar os mercados dívidas soberanas da Itália e da Espanha. Hoje ele anunciou que o BCE aprovou nada de concreto e que precisará de mais algumas semanas para conseguir realizar essa tarefa urgente. Foi um sinal ruim, que demonstra a forte oposição que essa política encontra junto ao Bundesbank e ao governo alemão. Como resultado, os mercados caíram em toda Europa, nos EUA e no Brasil. Esse cenário de divisão política, mostrando o quão penoso será montar um sistema de financiamento para os dois países fez com que o mercado retirasse um pouco do entusiasmo mostrado nos últimos pregões. Para esperar o desenrolar de uma situação tão incerta como essa, é de provável que o mercado exija mais um pouco de prêmio.

Para alimentar um pouco mais o ceticismo, foram anunciadas a encomendas à indústria, de junho. E expectativa era de um aumento de +0,7% e veio uma queda de 0,7%. Abaixo o gráfico da Bloomberg sobre a evolução dos pedidos à indústria:






O destaque foi a queda nas encomendas de petróleo e carvão, mas o dado vem em linha com o ISM e o PMI divulgados ontem. A indústria dos EUA também está se desacelerando, a despeito do otimismo de alguns analistas em relação à perspectiva de recuperação no segundo semestre. Esse é mais um dado de reforça a hipótese que de que a desaceleração da economia dos EUA é muito mais provável do que uma recuperação e que o EUA terão que fazer uma nova rodada de estímulos monetários, a despeito do que fizer a Europa. A estratégia do governo americano tem sido a de compensar a “inação” do FED com pressões sobre a Comunidade Europeia para que ela faça alguma coisa. Essa foi a tônica da visita do secretário do tesouro americano em sua última visita à Europa. Mas vai ficando menor o espaço para Ben Bernanke não fazer nada.

No Brasil, a repercussão dos dados da atividade industrial foi, em nossa visão, surpreendente. Muitos analistas viram no aumento de 0,2% um presságio de que a trajetória da produção industrial está mudando de direção, no sentido de uma recuperação no segundo semestre. Mantemos  nossa visão segundo a qual o dado de ontem veio “inchado” com o setor automobilístico, ajudado pelos estímulos do governo, mas a tendência de desaceleração também é forte no Brasil.

Aumenta a tendência de alta da volatilidade dos mercados, já que uma solução, ainda que tímida e parcial, foi adiada na Europa.









Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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