Hoje o Banco Central Europeu e se reuniu
e todos esperavam que anunciasse algo de concreto na direção do que o seu
presidente antecipou duas semanas atrás. Mario Draghi havia “prometido” medidas
concretas para sustentar os mercados dívidas soberanas da Itália e da Espanha.
Hoje ele anunciou que o BCE aprovou nada de concreto e que precisará de mais algumas
semanas para conseguir realizar essa tarefa urgente. Foi um sinal ruim, que
demonstra a forte oposição que essa política encontra junto ao Bundesbank e ao governo alemão. Como
resultado, os mercados caíram em toda Europa, nos EUA e no Brasil. Esse cenário
de divisão política, mostrando o quão penoso será montar um sistema de
financiamento para os dois países fez com que o mercado retirasse um pouco do
entusiasmo mostrado nos últimos pregões. Para esperar o desenrolar de uma
situação tão incerta como essa, é de provável que o mercado exija mais um pouco
de prêmio.
Para alimentar um pouco mais o ceticismo,
foram anunciadas a encomendas à indústria, de junho. E expectativa era de um
aumento de +0,7% e veio uma queda de 0,7%. Abaixo o gráfico da Bloomberg sobre
a evolução dos pedidos à indústria:
O destaque foi a queda nas encomendas de
petróleo e carvão, mas o dado vem em linha com o ISM e o PMI divulgados ontem.
A indústria dos EUA também está se desacelerando, a despeito do otimismo de
alguns analistas em relação à perspectiva de recuperação no segundo semestre.
Esse é mais um dado de reforça a hipótese que de que a desaceleração da economia
dos EUA é muito mais provável do que uma recuperação e que o EUA terão que
fazer uma nova rodada de estímulos monetários, a despeito do que fizer a
Europa. A estratégia do governo americano tem sido a de compensar a “inação” do
FED com pressões sobre a Comunidade Europeia para que ela faça alguma coisa.
Essa foi a tônica da visita do secretário do tesouro americano em sua última
visita à Europa. Mas vai ficando menor o espaço para Ben Bernanke não fazer
nada.
No Brasil, a repercussão dos dados da
atividade industrial foi, em nossa visão, surpreendente. Muitos analistas viram
no aumento de 0,2% um presságio de que a trajetória da produção industrial está
mudando de direção, no sentido de uma recuperação no segundo semestre.
Mantemos nossa visão segundo a qual o
dado de ontem veio “inchado” com o setor automobilístico, ajudado pelos
estímulos do governo, mas a tendência de desaceleração também é forte no
Brasil.
Aumenta a tendência de alta da
volatilidade dos mercados, já que uma solução, ainda que tímida e parcial, foi
adiada na Europa.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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