sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Treze por cento de alta em 17 pregões.



A bolsa de São Paulo está com alta de quase 5% no ano, acumulando 13% de alta desde 25 de julho. E esse movimento ocorreu por conta das altas globais. O quadro abaixo faz um resumo das globais:

 




Impressionam as altas dos EUA e Alemanha, que têm acumulado no ano um ganho de mais de 15%.  Como temos colocado em nossos relatórios, essas altas refletem uma melhora substancial d confiança dos investidores, a partir do discurso de Mário Draghi sobre o pacote de salvamento da Espanha. Hoje o risco da dívida espanhola está abaixo dos 500 pontos, mostrando o estado de confiança dos mercados em melhora. O mesmo pode ser dito sobre a dívida italiana, que também está na mira dos mercados.

Todo esse cenário de otimismo foi confirmado por alguns dados econômicos da semana no EUA: mercado imobiliário, produção industrial e indicadores antecedentes mostraram melhoras em relação aos dados anteriores e às expectativas. Somados aos resultados corporativos, os dados turbinaram o otimismo que já vinha sendo expresso nos relatórios das principais casas globais.

No Brasil, vem ganhando peso a ideia de que estamos prontos para uma RECUPERAÇÃO, com o nível de atividades voltando a se acelerar depois de ter apresentado resultado ruins no primeiro semestre. Vendas no Varejo, divulgadas ontem pelo IBGE e o Índice de Atividade do Banco Central, mostram uma expansão inesperada em junho, liderada pelo setor automotivo. O Ministério do Trabalho, por sua vez, divulgou as contratações de julho, e o mercado comemorou uma “melhora” da contratações. Primeiro o Índice do Banco Central:







Como pode ser observado o índice bateu o seu maior valor, desde que a série foi construída. Ele subiu 0,75% no mês, com alta forte! Se o PIB se comportar exatamente como o Indicador, ele poderá ter subido 0,38% no segundo trimestre, o que nos faria “melhorar” nossa projeção de PIB de 1,52% para 1,75% no ano. Um incremento nada substancial, mas é um dado melhor do que vinha sendo esperado. O importante, no entanto, é que o mercado já trabalhava, antes de ser divulgado esse indicador, com altas fortes para o terceiro e quarto trimestres.  O indicador não incorpora, portanto, uma grande melhora em  relação às expectativas para o segundo semestre, já que a maior parte do mercado estava trabalhando com um segundo semestre MUITO MELHOR que o primeiro. Em relação às vagas divulgadas pelo Ministério do Trabalho, elas foram melhores que as do mês anterior, mas continuam em um patamar ruim, indicando que a economia está em ritmo lento. Abaixo o gráfico com os dados do CAGED, de contratações mensais, mostra duas linhas. A azul, com os dados verificados no mês e a vermelha, com ajuste sazonal. Além disso, a linha vermelha é continuada até metade de ano vem, com uma tendência dada pelo comportamento mais recente dos dados. Nota-se que desde o início do ano passado a contratação de pessoas com carteira assinada vem caindo drasticamente e os dados recentes não mostram recuperação para a frente. Apesar do mês de julho ter sido melhor, a tendência do mercado de trabalho ainda é estacionária, indicando que ele ficará “morno”, ao contrário do que tem sido dito.





Agora olhando para a frente: a recuperação da confiança, que impulsionou os mercados de ativos, em particular as bolsas, está forte. Mas ela se baseia em um forte componente especulativo. O pacote de liquidez da Europa não existe, a não ser em promessa. Mesmo que ela seja implementado, ele conseguirá segurar os mercados de dívidas soberanas, mas será pouco eficiente para estimular as economias em queda livre. A tendência, para o PIB global no segundo semestre continua de baixo crescimento nas economias emergentes e forte contração na Europa. Nessa semana o minério de ferro atingiu seu valor mais baixo em muito anos na China, indicando que a desaceleração por lá continua forte e não há sinais de reversão. Mesmo na Espanha, que assistiu a uma alta de 25% em sua bolsa, anunciou que a inadimplência bancária consumiu 9,5% dos ativos de crédito bancário no mês passado, pior marca desde 1962.

A semana termina com muita comemoração por parte dos investidores, com algumas notícias pontuais de recuperação. Mas nosso cenário básico, que associa contração econômica na Europa, ao baixo crescimento do resto do mundo ainda permanece inalterado.




Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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