Impressionam as altas dos EUA e Alemanha,
que têm acumulado no ano um ganho de mais de 15%. Como temos colocado em nossos relatórios,
essas altas refletem uma melhora substancial d confiança dos investidores, a
partir do discurso de Mário Draghi sobre o pacote de salvamento da Espanha. Hoje
o risco da dívida espanhola está abaixo dos 500 pontos, mostrando o estado de
confiança dos mercados em melhora. O mesmo pode ser dito sobre a dívida
italiana, que também está na mira dos mercados.
Todo esse cenário de otimismo foi
confirmado por alguns dados econômicos da semana no EUA: mercado imobiliário,
produção industrial e indicadores antecedentes mostraram melhoras em relação
aos dados anteriores e às expectativas. Somados aos resultados corporativos, os
dados turbinaram o otimismo que já vinha sendo expresso nos relatórios das principais
casas globais.
No Brasil, vem ganhando peso a ideia de
que estamos prontos para uma RECUPERAÇÃO, com o nível de atividades voltando a
se acelerar depois de ter apresentado resultado ruins no primeiro semestre.
Vendas no Varejo, divulgadas ontem pelo IBGE e o Índice de Atividade do Banco
Central, mostram uma expansão inesperada em junho, liderada pelo setor
automotivo. O Ministério do Trabalho, por sua vez, divulgou as contratações de
julho, e o mercado comemorou uma “melhora” da contratações. Primeiro o Índice
do Banco Central:
Como pode ser observado o índice bateu o
seu maior valor, desde que a série foi construída. Ele subiu 0,75% no mês, com
alta forte! Se o PIB se comportar exatamente como o Indicador, ele poderá ter
subido 0,38% no segundo trimestre, o que nos faria “melhorar” nossa projeção de
PIB de 1,52% para 1,75% no ano. Um incremento nada substancial, mas é um dado
melhor do que vinha sendo esperado. O importante, no entanto, é que o mercado
já trabalhava, antes de ser divulgado esse indicador, com altas fortes para o
terceiro e quarto trimestres. O
indicador não incorpora, portanto, uma grande melhora em relação às expectativas para o segundo
semestre, já que a maior parte do mercado estava trabalhando com um segundo semestre
MUITO MELHOR que o primeiro. Em relação às vagas divulgadas pelo Ministério do
Trabalho, elas foram melhores que as do mês anterior, mas continuam em um
patamar ruim, indicando que a economia está em ritmo lento. Abaixo o gráfico
com os dados do CAGED, de contratações mensais, mostra duas linhas. A azul, com
os dados verificados no mês e a vermelha, com ajuste sazonal. Além disso, a
linha vermelha é continuada até metade de ano vem, com uma tendência dada pelo comportamento
mais recente dos dados. Nota-se que desde o início do ano passado a contratação
de pessoas com carteira assinada vem caindo drasticamente e os dados recentes
não mostram recuperação para a frente. Apesar do mês de julho ter sido melhor, a
tendência do mercado de trabalho ainda é estacionária, indicando que ele ficará
“morno”, ao contrário do que tem sido dito.
Agora olhando para a frente: a recuperação
da confiança, que impulsionou os mercados de ativos, em particular as bolsas,
está forte. Mas ela se baseia em um forte componente especulativo. O pacote de
liquidez da Europa não existe, a não ser em promessa. Mesmo que ela seja
implementado, ele conseguirá segurar os mercados de dívidas soberanas, mas será
pouco eficiente para estimular as economias em queda livre. A tendência, para o
PIB global no segundo semestre continua de baixo crescimento nas economias
emergentes e forte contração na Europa. Nessa semana o minério de ferro atingiu
seu valor mais baixo em muito anos na China, indicando que a desaceleração por
lá continua forte e não há sinais de reversão. Mesmo na Espanha, que assistiu a
uma alta de 25% em sua bolsa, anunciou que a inadimplência bancária consumiu
9,5% dos ativos de crédito bancário no mês passado, pior marca desde 1962.
A semana termina com muita comemoração
por parte dos investidores, com algumas notícias pontuais de recuperação. Mas
nosso cenário básico, que associa contração econômica na Europa, ao baixo crescimento
do resto do mundo ainda permanece inalterado.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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