O Federal
Reserve Bank divulgou a produção industrial de julho, e ela veio com alta
de 0,6%, levemente acima do consenso de 0,5%. Em contrapartida, o dado de junho
foi revisto para baixo, de 0,4% para 0,1%. Esse comportamento deveu-se,
sobretudo, ao setor automotivo que respirou um pouco no mês passado. Abaixo o
comportamento da produção industrial. Pelo gráfico da Bloomberg:
Outro dado importante, que deveria
sugerir uma melhora, é o da utilização da capacidade instalada, que pode
indicar o quanto a indústria pode estar induzindo o investimento ou não. Elevada
utilização da capacidade indica que a indústria pode estar induzindo o
investimento; baixa utilização, indica recessão e queda dos investimentos.
Abaixo o gráfico da NUCI:
Como pode ser observado, a utilização da
capacidade está praticamente no mesmo patamar desde o fim do ano passado, em um
nível bem mais elevado que o da crise. A indústria dos EUA se recuperou, mas
ainda não conseguiu atingiu um patamar que induza a um ciclo de investimentos. Contrariando
a tendência do índice nacional, o FED de Nova York divulgou sua própria
pesquisa industrial, o Empire
Manufactoring. E ela veio com queda forte, indicando retração da atividade
no mês de julho. Abaixo o gráfico do indicador:
Os EUA, como o resto do mundo, continuam
a receber sinais contraditórios de sua economia. Apesar do quadro global
francamente ruim, as maciças injeções de liquidez promovidas pelo FED têm
conseguido segurar a atividade em um patamar razoável. Ontem foram divulgadas
as vendas do varejo de julho e elas vieram, também, surpreendendo para cima.
A Europa também sinalizou de forma positiva
para os mercados, com o PIB da Alemanha e da França. Apesar de terem vindo
bastante fracos no segundo trimestre, eles não apresentaram queda, o que deixou
os mercados eufóricos. Mas a produção industrial de junho apresentou queda de
-0,9% para o Z27 - grupo de vinte e sete países que fazem parte da União
Europeia. A Alemanha apresentou queda da produção industrial de -0,8% e a
França de -0,1%.
A dívida espanhola continua a apresentar
valorização, tendo batido hoje o menor valor em vários meses, aos 515 pontos.
Isso revela que todos dão como certa a ação de resgate do BCE, já que Mariano
Rajoy, primeiro ministro espanhol tem emitido sinais, ainda que tímidos, de que
solicitará socorro ao banco central.
Aqui no Brasil seguimos o mesmo caminho. Apesar
de todos os dados mostrarem desaceleração econômica, queda dos investimentos e
resultados corporativos contaminados pelo quadro global, os mercados esboçam
uma enorme boa vontade no sentido de acreditarem em “recuperação”.
Com dados econômicos mistos, com
predominância para os ruins, a semana continua mostrando que o otimismo está
vencendo nos mercados globais de ações.
Abaixo o quadro com os dados de PIB e
produção industrial da Europa. Eles mostram, como sempre, que não há nada a
comemorar:
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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