quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Produção industrial dos EUA sobe acima do esperado.




O Federal Reserve Bank divulgou a produção industrial de julho, e ela veio com alta de 0,6%, levemente acima do consenso de 0,5%. Em contrapartida, o dado de junho foi revisto para baixo, de 0,4% para 0,1%. Esse comportamento deveu-se, sobretudo, ao setor automotivo que respirou um pouco no mês passado. Abaixo o comportamento da produção industrial. Pelo gráfico da Bloomberg:







Outro dado importante, que deveria sugerir uma melhora, é o da utilização da capacidade instalada, que pode indicar o quanto a indústria pode estar induzindo o investimento ou não. Elevada utilização da capacidade indica que a indústria pode estar induzindo o investimento; baixa utilização, indica recessão e queda dos investimentos. Abaixo o gráfico da NUCI:






Como pode ser observado, a utilização da capacidade está praticamente no mesmo patamar desde o fim do ano passado, em um nível bem mais elevado que o da crise. A indústria dos EUA se recuperou, mas ainda não conseguiu atingiu um patamar que induza a um ciclo de investimentos. Contrariando a tendência do índice nacional, o FED de Nova York divulgou sua própria pesquisa industrial, o Empire Manufactoring. E ela veio com queda forte, indicando retração da atividade no mês de julho. Abaixo o gráfico do indicador:






Os EUA, como o resto do mundo, continuam a receber sinais contraditórios de sua economia. Apesar do quadro global francamente ruim, as maciças injeções de liquidez promovidas pelo FED têm conseguido segurar a atividade em um patamar razoável. Ontem foram divulgadas as vendas do varejo de julho e elas vieram, também, surpreendendo para cima.

A Europa também sinalizou de forma positiva para os mercados, com o PIB da Alemanha e da França. Apesar de terem vindo bastante fracos no segundo trimestre, eles não apresentaram queda, o que deixou os mercados eufóricos. Mas a produção industrial de junho apresentou queda de -0,9% para o Z27 - grupo de vinte e sete países que fazem parte da União Europeia. A Alemanha apresentou queda da produção industrial de -0,8% e a França de -0,1%.

A dívida espanhola continua a apresentar valorização, tendo batido hoje o menor valor em vários meses, aos 515 pontos. Isso revela que todos dão como certa a ação de resgate do BCE, já que Mariano Rajoy, primeiro ministro espanhol tem emitido sinais, ainda que tímidos, de que solicitará socorro ao banco central.

Aqui no Brasil seguimos o mesmo caminho. Apesar de todos os dados mostrarem desaceleração econômica, queda dos investimentos e resultados corporativos contaminados pelo quadro global, os mercados esboçam uma enorme boa vontade no sentido de acreditarem em “recuperação”.

Com dados econômicos mistos, com predominância para os ruins, a semana continua mostrando que o otimismo está vencendo nos mercados globais de ações.

Abaixo o quadro com os dados de PIB e produção industrial da Europa. Eles mostram, como sempre, que não há nada a comemorar:






Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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