Hoje, quarta feira de cinzas, os mercados estão em clima de
pouco otimismo: os dados da pesquisa PMI sobre a indústria da China e da Euro
Zona saíram mostrando uma retração da atividade.
A pesquisa PMI divulgou um índice preliminar de 49,7 contra
48,8 em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado. Um número inferior a 50
indica que o nível de atividade do setor está se contraindo. Esse dado reforça
a tese de que a força da economia chinesa pode estar sendo limitada pela crise
da Europa, pelo canal das exportações. Vale lembrar que a crise retirou cerca
de 18 milhões de europeu do mercado de trabalho nos últimos três anos e isso
afeta a demanda por produtos chineses. Esse segundo índice abaixo de 50 colocou
em dúvida a visão dos mais otimistas, segundo os quais a crise europeia é
incapaz de frear o ímpeto da economia chinesa.
O índice europeu caiu
de 50,4 para 49,7, contrariando as expectativas dos analistas, sobretudo por
mostrar que na Alemanha as encomendas à indústria estão caindo. Esses dados
confirmam as expectativas de recessão para esse ano na Zona do Euro e retiram o
espaço para mais otimismo.
Na Grécia, o parlamento deve votar as medidas de cortes de
despesas até amanhã, para que o pacote aprovado pela comissão europeia seja liberado.
O pacote de 130 bilhões de euros está condicionado a inúmeras medias que
podemos elencar:
- A redução da dívida de 160% do PIB para 120,5% em 2020
- Criação de uma conta de bloqueio onde serão depositadas as
receitas para pagamento do empréstimo.
- Perda de 70% do valor da dívida por parte dos credores.
- Monitoramento permanente por um equipe da “Troika” (BCE, Comissão Européia e
FMI).
- Aprovação de um conjunto de cerca de 80 medidas para
redução do déficit público, até o fim do mês.
O que se discute agora é se as medidas serão aprovadas pelo
parlamento, que será fortemente pressionado pela opinião pública. Dentre as
medidas está a redução do salário mínimo de 751 euros em 22%, cortes na folha
de pagamentos dos servidores e outras medidas que devem gerar uma economia de 3,3
bilhões de euros nesse ano. O Partido Comunista e a Central Geral dos
Trabalhadores estão articulando protestos e greves contra as medidas e a
situação política tende ficar mais confusa, já que estamos em um ano eleitoral.
Com um desemprego de 20%, uma queda de 7% no PIB do
último trimestre e pouca perspectiva de recuperação econômica, pouca gente vê
chance da Grécia conseguir atingir as metas traçadas pela Comissão Europeia.
No curto prazo é possível que a Grécia consiga receber os
130 bilhões de euros e evitar uma saída caótica. Mas no médio prazo é inevitável
um colapso desse acordo. Agora resta saber se o colapso da Grécia será um
evento sem importância em uma Europa bem blindada ou se será o Lehman Brothers
do sistema financeiro europeu. O mais provável, em nossa análise, é a segunda
hipótese.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para
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