quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PMI desanima os mercados


Hoje, quarta feira de cinzas, os mercados estão em clima de pouco otimismo: os dados da pesquisa PMI sobre a indústria da China e da Euro Zona saíram mostrando uma retração da atividade.

A pesquisa PMI divulgou um índice preliminar de 49,7 contra 48,8 em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado. Um número inferior a 50 indica que o nível de atividade do setor está se contraindo. Esse dado reforça a tese de que a força da economia chinesa pode estar sendo limitada pela crise da Europa, pelo canal das exportações. Vale lembrar que a crise retirou cerca de 18 milhões de europeu do mercado de trabalho nos últimos três anos e isso afeta a demanda por produtos chineses. Esse segundo índice abaixo de 50 colocou em dúvida a visão dos mais otimistas, segundo os quais a crise europeia é incapaz de frear o ímpeto da economia chinesa.

O índice europeu  caiu de 50,4 para 49,7, contrariando as expectativas dos analistas, sobretudo por mostrar que na Alemanha as encomendas à indústria estão caindo. Esses dados confirmam as expectativas de recessão para esse ano na Zona do Euro e retiram o espaço para mais otimismo.

Na Grécia, o parlamento deve votar as medidas de cortes de despesas até amanhã, para que o pacote aprovado pela comissão europeia seja liberado. O pacote de 130 bilhões de euros está condicionado a inúmeras medias que podemos elencar:

- A redução da dívida de 160% do PIB para 120,5% em 2020
- Criação de uma conta de bloqueio onde serão depositadas as receitas para pagamento do empréstimo.
- Perda de 70% do valor da dívida por parte dos credores.
- Monitoramento permanente por um  equipe da “Troika” (BCE, Comissão Européia e FMI).
- Aprovação de um conjunto de cerca de 80 medidas para redução do déficit público, até o fim do mês.

O que se discute agora é se as medidas serão aprovadas pelo parlamento, que será fortemente pressionado pela opinião pública. Dentre as medidas está a redução do salário mínimo de 751 euros em 22%, cortes na folha de pagamentos dos servidores e outras medidas que devem gerar uma economia de 3,3 bilhões de euros nesse ano. O Partido Comunista e a Central Geral dos Trabalhadores estão articulando protestos e greves contra as medidas e a situação política tende ficar mais confusa, já que estamos em um ano eleitoral.

Com um desemprego de 20%, uma queda de 7% no PIB do último trimestre e pouca perspectiva de recuperação econômica, pouca gente vê chance da Grécia conseguir atingir as metas traçadas pela Comissão Europeia.

No curto prazo é possível que a Grécia consiga receber os 130 bilhões de euros e evitar uma saída caótica. Mas no médio prazo é inevitável um colapso desse acordo. Agora resta saber se o colapso da Grécia será um evento sem importância em uma Europa bem blindada ou se será o Lehman Brothers do sistema financeiro europeu. O mais provável, em nossa análise, é a segunda hipótese.


Pedro Paulo Silveira
Economista






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