terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mercado morno com viés de alta

O esperado acordo entre o governo grego e seus credores ainda não saiu, mas poucos acreditam que ele não saia. Essa quase certeza pode ser vista no comportamento dos mercados ontem e hoje: bastante cautela, com leves quedas. Os EUA fecharam em leve queda (-0,04% para o S&P500) e hoje as bolsas europeias caem com pouca força. É provável que o anúncio do acordo seja encarado como um evento positivo que leve os mercados a novas altas, que já vinham ocorrendo em função da alta liquidez e dos juros muito baixos.  Esse momento é apenas de espera e cautela, que devem ser substituídos pelo otimismo.
 
Um aspecto importante do momento é o de que a liquidez internacional tem proporcionado ao Brasil (governo e empresas privadas) fontes abundantes de financiamento a baixo custo. O volume de emissões de dívida externa atingiu quase US$ 17 bilhões nesse ano, o que obrigou o Banco Central a voltar às compras no mercado cambial para impedir que o real se valorizasse demais. Esse movimento encerrou o ciclo de desvalorização que o real teve no último trimestre do ano passado e que levou a moeda à cotação de R$ 1,85. Tudo indica que a principal discussão em torno do real voltará a ser  a luta do BC para evitar a sua valorização e as ferramentas para neutralizar o excesso de liquidez gerado pelas compras da autoridade monetária no mercado cambial. A vantagem, também no curto prazo, é que a valorização do real amortece as pressões inflacionárias que tem preocupado os agentes econômicos nesse início de ano.
 
Quanto à sustentabilidade do otimismo global, mantemos nossas considerações habituais: a crise europeia está longe de terminar, já que o custo, em termos de crescimento econômico, será brutal. A Grécia, por exemplo, fará um corte de gastos de 1,5% do PIB, o que levará a uma contração ainda maior de seu crescimento (pelo efeito multiplicador, a queda do PIB tende a ser maior que 1,5%, podendo chegar ao dobro!). A forte recessão que o país enfrentará certamente colocará em questão a viabilidade do acordo da dívida no longo prazo. Mais que isso, a turbulência política poderá aumentar à medida em que a situação econômica não dê sinais de melhora. Outro aspecto que deve ser  monitorado, ao longo do tempo,  é a situação dos bancos europeus, em função de suas exposições ao setor privado, que tem sofrido bastante com a recessão. Mesmo que o acordo em torno da dívida grega solucione, no curto prazo, o problema das dívidas soberanas nos balanços dos bancos europeus, eles terão que equacionar os seus ativos privados que tendem a se deteriorar com o avanço da recessão no continente. No curto prazo devemos ficar otimistas, no longo, nem tanto.
 
De novo teremos um pregão morno, mas com viés de alta, dessa vez.

Pedro Paulo Silveira
Economista






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