terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Agenda carregada nos EUA


A Bovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 1,06%, mas ainda acumula uma alta de 3,4% no mês e algo como 15% no ano. Hoje o dia começa com a Ásia e Europa em alta e futuros nos EUA na mesma direção. Contou para o otimismo um conjunto de fatores dos quais destacamos a redução dos preços do petróleo, a divulgação de dados de atividade e confiança na zona do euro e a proximidade da operação de financiamento do BCE.

Após atingir o patamar de US$ 125,00 o petróleo voltou a roubar a cena nos mercados internacionais, já que seu preço elevado conta como mais um fator para aprofundar a crise nos países em que ela existe e retardar a expansão, naqueles que a estão vivendo. Preço de petróleo em alta reduz a renda real das famílias (pelo custo da gasolina, derivados e toda a cadeia de produção dependente dela) e aumenta custos industriais (pelas matérias primas e pelo custo de energia ). O ciclo de alta atual é sustentado pela enorme liquidez internacional, que leva investidores institucionais a comprarem ativos e reais (o petróleo é um deles), e pela situação política do Oriente Médio. É muito provável que esses fatores de elevação dos preços continuem atuando: a liquidez global tende a aumentar e não há perspectiva de solução para os profundos conflitos que minam a estabilidade global. Esse é mais uma variável que influenciará a conjuntura global, aumentando os riscos sobre o nível de atividade global.

A queda do preço do barril impulsionou a alta das bolsas asiáticas (fechamentos: Nikkey +0,93%  e Hang Seng +1,65%) e da Europa, que estão com altas que variam de 0,5%  a 0,8%. Também colaborou para a alta europeia a divulgação de dados econômicos com surpresas positivas em relação ao que era esperado pelos economistas. O indicador de Confiança Econômica da zona do Euro, calculado pela Comissão Europeia, subiu para 94,4 quando o esperado era 93,9. A economia que puxou esse indicador, uma vez mais, foi a Alemanha. O euro manteve sua cotação inalterada até agora, indicando moderação dos mercados que aguardam a operação gigante de financiamento do BCE, que pode atingir um trilhão de euros.

No Brasil o dólar retomou sua trajetória de baixa, o que pode convocar o BC a entrar comprando divisas no mercado. As taxas de juros voltaram a cair e a Bovespa deve ter um dia de ganho.

As atenções vão se focar na divulgação dos indicadores americanos que são mais importantes: encomendas da indústria, índice Case-Schiller de preços de residências e o indicador de atividade industrial do FED Richmond.

O dia começou com o otimismo mandando, mas devemos ficar de olho nos indicadores dos EUA!

Pedro Paulo Silveira
Economista






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