A Bovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 1,06%, mas
ainda acumula uma alta de 3,4% no mês e algo como 15% no ano. Hoje o dia começa
com a Ásia e Europa em alta e futuros nos EUA na mesma direção. Contou para o
otimismo um conjunto de fatores dos quais destacamos a redução dos preços do
petróleo, a divulgação de dados de atividade e confiança na zona do euro e a
proximidade da operação de financiamento do BCE.
Após atingir o patamar de US$ 125,00 o petróleo voltou a
roubar a cena nos mercados internacionais, já que seu preço elevado conta como
mais um fator para aprofundar a crise nos países em que ela existe e retardar a
expansão, naqueles que a estão vivendo. Preço de petróleo em alta reduz a renda
real das famílias (pelo custo da gasolina, derivados e toda a cadeia de
produção dependente dela) e aumenta custos industriais (pelas matérias primas e
pelo custo de energia ). O ciclo de alta atual é sustentado pela enorme
liquidez internacional, que leva investidores institucionais a comprarem ativos
e reais (o petróleo é um deles), e pela situação política do Oriente Médio. É muito provável que esses fatores de elevação dos preços continuem atuando: a
liquidez global tende a aumentar e não há perspectiva de solução para os profundos
conflitos que minam a estabilidade global. Esse é mais uma variável que
influenciará a conjuntura global, aumentando os riscos sobre o nível de
atividade global.
A queda do preço do barril impulsionou a alta das bolsas
asiáticas (fechamentos: Nikkey +0,93% e
Hang Seng +1,65%) e da Europa, que estão com altas que variam de 0,5% a 0,8%. Também colaborou para a alta europeia
a divulgação de dados econômicos com surpresas positivas em relação ao que era esperado
pelos economistas. O indicador de Confiança Econômica da zona do Euro,
calculado pela Comissão Europeia, subiu para 94,4 quando o esperado era 93,9. A
economia que puxou esse indicador, uma vez mais, foi a Alemanha. O euro manteve
sua cotação inalterada até agora, indicando moderação dos mercados que aguardam
a operação gigante de financiamento do BCE, que pode atingir um trilhão de
euros.
No Brasil o dólar retomou sua trajetória de baixa, o que
pode convocar o BC a entrar comprando divisas no mercado. As taxas de juros
voltaram a cair e a Bovespa deve ter um dia de ganho.
As atenções vão se focar na divulgação dos indicadores
americanos que são mais importantes: encomendas da indústria, índice Case-Schiller
de preços de residências e o indicador de atividade industrial do FED Richmond.
O dia começou com o otimismo mandando, mas devemos ficar de
olho nos indicadores dos EUA!
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
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