segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

G-20 coloca bolsas em realização

A Bovespa fechou na sexta feira completando uma alta de 4% no mês e cerca de 16% no ano, mostrando uma recuperação razoável  em relação ao ano passado.  A inflação, por sua vez, mostrou desaceleração e as expectativas em relação ao seu comportamento futuro melhoraram ao longo do mês. Começamos a última semana do mês com os juros caindo levemente devolvendo um pouco do movimento realizado na sexta feira.

Os mercados globais estão em realização, motivados pelos resultados da reunião dos ministros do G-20, no México, nesse final de semana. A reunião não conseguiu estabelecer uma meta consensual para a gestão da crise global, mas colocou a Alemanha no centro das políticas, como maior responsável pela originação e gestão dos fundos europeus para a contenção da recessão e da crise das dívidas soberanas que assola o continente. É evidente que o país nutre profunda resistência a esse tipo de abordagem, preferindo encaminhar ações tópicas, com recomendações de fortes ajustes recessivos. O FMI, por seu lado, tem insistido que esse tipo de ação aprofunda a crise depressiva e que a melhor solução  é o reforço dos fundos para socorro aos países em maior dificuldade. A estratégia defendida pela instituição, ao contrário das políticas seguidas pelos países europeus, é a de priorizar a recuperação econômica, para depois acertar o lado fiscal. Essa falta de coordenação entre os diversos governos e instituições, que se desdobra em um conjunto desordenado de políticas que conflitam entre si, e que incluem protecionismo comercial e falta de coordenação das políticas cambiais, deve colaborar para manter o nível de incerteza elevado na economia global. Um dos reflexos palpáveis desse ambiente desordenado e incerto é o nível de risco embutido nos preços das dívidas europeias, que se mantém elevados, mesmo depois do acordo da dívida grega.

A percepção mais otimista fica nos mercados dos EUA, onde os analistas projetam uma recuperação mais rápida para esse ano, ainda que com desemprego elevado. Com a enorme liquidez proveniente do balanço do Federal Reserve de dos juros muito baixos até 2014, os ativos devem manter seus preços em alta. A mesma situação se coloca para a Europa, onde o BCE fará uma nova operação de financiamento de ativos bancários, por três, a custos bem baixos. A realização de hoje está limitada, portanto, pelo ambiente de alta liquidez internacional.



Pedro Paulo SilveiraEconomista






"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

Nenhum comentário: