Depois de uma quinta feira serena, sem muita movimentação nos mercados acionários e valorização das commodities, a Europa sinaliza com leve alta enquanto aguardamos o principal evento do dia: os dados do mercado de trabalho dos EUA. A importância desses indicadores repousa no fato de que o mercado de trabalho dos EUA tem algo como 15 milhões de pessoas desempregadas ou empregadas em situação precária (em tempo parcial, sem benefícios). Esse foi o saldo da crise financeira que abateu a economia em 2008 e que se torna uma das prioridades da política econômica. Recuperar os empregos dessa imensa população é crucial para a estabilização política dos EUA, que tem eleições nesse ano, que precisa retomar o nível de atividade pré crise e que precisa ter vitalidade para sinalizar aos agentes globais que tem capacidade suavizar a questão fiscal, que tem acalorado os debates no Congresso e que já foi alvo das agências de rating. Um número em cima da expectativa do mercado (150 mil empregos criados em janeiro e taxa de desemprego de 8,5%) já será suficiente para manter o mercado nessa trajetória otimista, que tem mantido a valorização das bolsas e das commodities, ao mesmo tempo em que estabiliza as dívidas soberanas da Europa.
Aqui no Brasil devemos seguir a tendência global de valorização das ações (sobretudo pelo excesso de liquidez e pelos juros muito baixos), queda dos juros (os mais longos) e queda do dólar. O Brasil, em um ambiente em que os mercados europeus continuam em “banho maria”, se apresenta como forte alternativa para o dinheiro de Renda Fixa, Ações e Investimento Direto, daí o forte fluxo de capitais que inunda o país. Além do fluxo de capitais, temos uma enorme disposição dos agentes globais em tornarem o Brasil o destino para os bens que deixam de ser exportados para esses mesmos países: um a parte importante da explicação de nosso déficit comercial está no desemprego da Europa e dos EUA (a Europa tem algo como 18 milhões de desempregados), já que temos um potencial razoável para substituir, com nosso mercado interno, a queda da demanda global, sobretudo pelos bens manufaturados. Esse desemprego global, talvez muito mais que o “câmbio”, pode explicar a fraca atividade industrial no Brasil e a “enxurrada” das importações.
Na parte da tarde postaremos o calendário de eventos para
a semana que vem.
Bom pregão e bom final de semana.
Pedro Paulo Silveira
Economista
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e
Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade
única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir
qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem
delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para
trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer
forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os
indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste
informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem
necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma
maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra
ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório
não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa,
para quaisquer fins."
Nenhum comentário:
Postar um comentário