segunda-feira, 30 de julho de 2012

Em uma semana tumultuada, a corrida contra o tempo para viabilizar o resgate.



A Europa segue com suas bolsas em alta, absorvendo a confirmação de que haverá uma ação de resgate aos mercados de dívidas soberanas. No final de semana, Angela Merkel e Mario Monti confirmaram que atuarão para assegurar a estabilidade da região, no que foram seguidos por Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo. O mercado de dívidas soberanas está em alta, com destaque para o da Espanha. Abaixo, o gráfico do prêmio de risco da dívida espanhola, do jornal El País:






Os rumores são de que o Banco Central Europeu atuará no mercado secundário, comprando as dívidas da Espanha e da Itália, do sistema bancário e os fundos europeus, e o EFSF (European Financial Stability Facility) e o ESM (European Stability Mechanism) comprarão as dívidas no ato de sua emissão pelos tesouros.

As propostas de Merkel/Monti/Draghi/Juncker encontram oposição forte dentro do próprio BCE, no Bundesbank (banco central alemão), no partido aliado de Merkel, o Democrata Cristão e em  vários governos, que se mantêm discretamente na oposição. Um exemplo dessa firme oposição é a declaração informal de Jens Weidmann, presidente do “Bund”, de que ele discorda do resgate, já que ele é o tipo de política adotada “quando os políticos deliberadamente evitam tomar decisões, forcando os bancos centrais a tomar as providências.” De outra forma: os políticos deveriam forçar os ajustes fiscais mais intensos, deixando ao BCE apenas a tarefa de cuidar da inflação. Esse pensamento reflete, em grande medida, a visão predominante no mercado financeiro alemão.

Para que o plano seja implementado, na velocidade que os mercados necessitam, será  necessário que os dirigentes políticos consigam convencer nessa semana todos os governos da  Zona do Euro e obtenham sua aprovação. Merkel e Draghi, em particular, terão dezenas de encontros ao longo da semana para viabilizar a estruturação do resgate, tentando mitigar a forte oposição.

Pelo conjunto de ações necessárias para que as decisões sejam efetivamente tomadas, é de se prever que o pacote possa demorar um pouco mais de tempo do que seria recomendável e que vários “sustos” ainda vão mexer com as expectativas. Vale lembrar que os pacotes anteriores, responsáveis pela estruturação do EFSF, pelo aumento do ESM,  pelo resgate da Grécia e pelo próprio pacote de 100 bilhões de euros para o sistema bancário Espanha, foram longamente discutidos pela cúpula política da Europa e ensejaram forte volatilidade.

Após a forte de alta de sexta feira, que puxou o S&P 500 em 1,91% e o Ibovespa em 4,7%, é de se esperar um pouco mais de cautela no início dessa semana. Levando em conta a forte tendência ao aumento da volatilidade - forçada pela agenda carregada e pelas incertezas quanto à aprovação do pacote europeu – a tendência é de alta do otimismo, com forte recuperação dos preços dos ativos. Pode reforçar essa tendência a implantação do Quantitative Easing 3 (Q3), nos EUA. O aumento das operações de liquidez do FED aumentará a chance de reversão do pessimismo no médio prazo, jogando ainda mais combustível na tendência de recuperação dos preços.

Nesse cenário fica mais provável a manutenção dos preços das commodities agrícolas em patamares extra elevados, turbinados pela super seca dos EUA e pela forte liquidez internacional. A inflação no Brasil poderá ser revisada para cima, impactada pela disseminação das fortes altas dos grãos. O IGP-M de julho saltou para 1,35%, por conta da alta do IPA agrícola de 3,91%. Os grãos milho e soja turbinaram essa alta no atacado. O cenário de manutenção dos preços internacionais em patamares elevados forçará a transmissão dessa alta do atacado para o varejo. Também serão afetados os preços das carnes (os grãos são ração para aves) e combustíveis.






Pedro Paulo Silveira (Economista)
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