Os rumores são de que o Banco Central
Europeu atuará no mercado secundário, comprando as dívidas da Espanha e da
Itália, do sistema bancário e os fundos europeus, e o EFSF (European Financial
Stability Facility) e o ESM (European Stability Mechanism) comprarão as dívidas
no ato de sua emissão pelos tesouros.
As propostas de Merkel/Monti/Draghi/Juncker
encontram oposição forte dentro do próprio BCE, no Bundesbank (banco central
alemão), no partido aliado de Merkel, o Democrata Cristão e em vários governos, que se mantêm discretamente
na oposição. Um exemplo dessa firme oposição é a declaração informal de Jens
Weidmann, presidente do “Bund”, de que ele discorda do resgate, já que ele é o
tipo de política adotada “quando os políticos deliberadamente evitam tomar decisões,
forcando os bancos centrais a tomar as providências.” De outra forma: os
políticos deveriam forçar os ajustes fiscais mais intensos, deixando ao BCE
apenas a tarefa de cuidar da inflação. Esse pensamento reflete, em grande
medida, a visão predominante no mercado financeiro alemão.
Para que o plano seja implementado, na velocidade
que os mercados necessitam, será
necessário que os dirigentes políticos consigam convencer nessa semana
todos os governos da Zona do Euro e obtenham
sua aprovação. Merkel e Draghi, em particular, terão dezenas de encontros ao
longo da semana para viabilizar a estruturação do resgate, tentando mitigar a
forte oposição.
Pelo conjunto de ações necessárias para
que as decisões sejam efetivamente tomadas, é de se prever que o pacote possa
demorar um pouco mais de tempo do que seria recomendável e que vários “sustos”
ainda vão mexer com as expectativas. Vale lembrar que os pacotes anteriores,
responsáveis pela estruturação do EFSF, pelo aumento do ESM, pelo resgate da Grécia e pelo próprio pacote
de 100 bilhões de euros para o sistema bancário Espanha, foram longamente
discutidos pela cúpula política da Europa e ensejaram forte volatilidade.
Após a forte de alta de sexta feira, que
puxou o S&P 500 em 1,91% e o Ibovespa em 4,7%, é de se esperar um pouco
mais de cautela no início dessa semana. Levando em conta a forte tendência ao
aumento da volatilidade - forçada pela agenda carregada e pelas incertezas
quanto à aprovação do pacote europeu – a tendência é de alta do otimismo, com
forte recuperação dos preços dos ativos. Pode reforçar essa tendência a
implantação do Quantitative Easing 3 (Q3),
nos EUA. O aumento das operações de liquidez do FED aumentará a chance de
reversão do pessimismo no médio prazo, jogando ainda mais combustível na
tendência de recuperação dos preços.
Nesse cenário fica mais provável a
manutenção dos preços das commodities
agrícolas em patamares extra elevados, turbinados pela super seca dos EUA e
pela forte liquidez internacional. A inflação no Brasil poderá ser revisada
para cima, impactada pela disseminação das fortes altas dos grãos. O IGP-M de
julho saltou para 1,35%, por conta da alta do IPA agrícola de 3,91%. Os grãos
milho e soja turbinaram essa alta no atacado. O cenário de manutenção dos
preços internacionais em patamares elevados forçará a transmissão dessa alta do
atacado para o varejo. Também serão afetados os preços das carnes (os grãos são
ração para aves) e combustíveis.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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