A produção industrial dos EUA, relativa
ao mês de junho veio ligeiramente acima do esperado, em 0,4%, suficiente para
acalmar os mercados. Abaixo, gráfico da Bloomberg:
Com esse dado, e com a esperança de que o
presidente do Federal Reserve, Ben
Bernanke, fosse anunciar medidas adicionais de estímulo à economia dos EUA, os
mercados abriram otimistas, com leves altas. Mas o depoimento do presidente da
autoridade monetária no Senado em nada acrescentou ao que já sabemos: há
preocupações quanto ao ritmo da economia e do estado do mercado de trabalho.
Nada mais dito, e o mercado ignorou a boa notícia da produção industrial, que
se recuperou do leve tombo de maio. O índice de preços residenciais também veio
acima do esperado, mostrando recuperação forte desde agosto do ano passado,
acima da média das estimativas do mercado.
Junto com os mercados acionários, as
moedas estão mais voláteis, com euro e real declinando frente ao dólar.
Os mercados ainda se ressentem da falta
de uma liderança clara que possa atenuar os efeitos da erosão da confiança
global. Ontem o Fundo Monetário Internacional publicou a atualização do
Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global e o Relatório de Perspectivas
da Economia Global. Eles confirmam que as condições gerais das economias é pior
hoje do que era seis meses atrás e devem continuar a piorar. Além de reduzir as
estimativas de crescimento para esse ano, em função da crise que se arrasta na Europa,
o Fundo, no Relatório de Estabilidade Financeira alerta para alguns aspectos
que fazem com que a vulnerabilidade financeira global aumente fortemente:
· A Europa
ainda não conseguiu elaborar um plano para estabilização de suas economias.
Mesmo após o anúncio do pacote de resgate à Espanha, os prêmios de risco dos
títulos espanhóis e italianos dispararam. Os líderes europeus não conseguiram apresentar
uma solução confiável e, com isso, fazem aumentar o clima de incertezas acerca
da região, que vai piorando à medida em que a recessão piora seus fundamentos.
· A
economia americana apresenta um potencial elevado para aumentar a insegurança
dos mercados no segundo semestre. O problema fiscal da maior economia do
planeta é resumido na questão do teto legal
da dívida pública e o precipício
fiscal, ambos a ocorrerem em meio às eleições presidenciais. O teto legal
da dívida pública dos EUA diz respeito à renovação da autorização que o Congresso
tem que dar ao Tesouro para que ele possa continuar a emitir dívida. Três anos
atrás os mercados passaram por enorme aperto por conta dos embates entre
republicanos e democratas acerca desse tema. Os republicanos se recusavam a
autorizar um novo teto para a dívida público, o que levaria o governo dos EUA a
uma moratória de sua dívida. Apesar de provável a renovação do teto, os
republicanos não a venderão sem causar um enorme estrago nos mercados, tal como
fizeram anos atrás. Além disso, no começo de 2013 vencerão os descontos de impostos
e gastos que o governo realizou durante a crise. Com isso haverá uma contração
fiscal (elevação de impostos e cortes de gastos) da ordem de 4% do PIB. Se isso
ocorrer, a pressão recessiva sobre a economia
dos EUA será explosiva, com potencial de derrubar o PI em mais de 7%. Essa é
uma questão a ser tratada no âmbito político de deve gerar enorme volatilidade
nos mercados à medida que se aproximar.
· Os
mercados emergentes foram contaminados pela crise global. Isso representou
menos crescimento e potencial de volatilidade nos mercados de moeda (o
relatório destacou as desvalorizações da rúpia e do real). Outro aspecto que já
é levantado pelo relatório é o impacto da crise sobre os ativos de créditos de
China, Brasil e Índia, que expandiram essas operações fortemente após a crise.
O Fundo alerta para a possível perda de qualidade desses ativos e seus
potenciais ‘trancos’ sobre as taxas de crescimento desses países. O relatório
destaca para a possibilidade de piora dos quadros de financiamento externo e
fiscal desses países.
Com uma perspectiva tão negativa é
improvável que os mercados melhorem sem que novidades concretas surjam dos políticos
globais. Eles continuam resistentes a implantar, novamente, políticas
agressivas de estímulos, com receio da piora do quadro fiscal. As a piora da economia
tem arrastado as condições fiscais da maior parte dos países ao buraco.
Hoje os mercados ficarão oscilando em
torno de poucas novidades, mas com a falta de vontade característica de uma economia
global em desaceleração.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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