segunda-feira, 16 de julho de 2012

China ainda não mostra pacote de estímulo, dia sem tendência.



A despeito da crença do mercado de que o governo chinês poderá, a qualquer hora, aumentar o nível de estímulos à sua economia, após o PIB do segundo trimestre mostrar desaceleração, hoje não houve manifestação nesse sentido. O que a imprensa global noticiou foi uma entrevista de Wen Jiabao, o premier chinês, no qual ele pondera sobre as necessidades de estímulos para manter o crescimento do país dentro de sua meta. Hoje a meta anunciada é de 7,5% e se as medidas ocorrerem, poderão ser anunciadas na reunião do concelho de Estado a ser realizada quarta feira. Mas nada disso é garantia de que novas medidas serão tomadas e, se tomadas, serão capazes, de fato, de compensar o cenário de recessão que vai dominando a Europa e contaminando o resto do mundo.

Refletindo a perda relativa de dinamismo da economia chinês, as bolsas caíram fortemente com a notícia de que os lucros corporativos estão em queda. O índice Shenzhen da Bolsa de Xangai caiu 2%, tendo como destaque a empresa ZTC do setor de telecomunicações, que caiu 10%. Os índices das ações chinesas estão “zerados” no ano, acompanhando a tendência das bolsas dos países emergentes, que estão sofrendo mais que as bolsas dos países desenvolvidos.

Os dados econômicos de hoje são o IPC-S da FGV, no Brasil, que veio dentro do esperado, em 0,22%, mostrando uma pequena aceleração em relação à semana anterior, que foi de 0,19%.

Às 9:30 serão anunciadas as vendas do varejo e segundo pesquisa da Bloomberg, os analistas esperam pequena alta de 0,2%, puxada pelas vendas de automóveis, que tiveram um bom mês de junho. Abaixo gráfico das vendas do varejo, fornecido pela Bloomberg:




Como pode ser notado, as vendas do varejo apresentaram duas quedas consecutivas, em Abril e Maio, depois de bons desempenhos no começo do ano. Se os dados divulgados confirmarem as expectativas dos analistas, a decepção quanto ao crescimento dos EUA pode ter uma trégua. Também serão divulgados os estoques da empresas e o índice Emprire State, também bons indicadores da atividade industrial do país. Para ambos indicadores o  mercado espera dados melhores que os dos meses anteriores.

Também será divulgado hoje o relatório Perspectivas Econômicas Globais, do Fundo monetário Internacional, atualizando as análises da instituição acerca da economia global. O último relatório foi divulgado em abril e ele estimava um crescimento global de 3,5%. A Diretora Gerente do FMI, Christine Lagarde já avisou, dias atrás, que esse relatório virá com crescimento revisado para baixo.

Essa deve ser uma semana de espera. Os estímulos na China, sinais de estímulos por parte do Federal Reserve dos EUA e a Ata do Copom deverão influenciar os movimentos mais fortes do mercado. Os dados econômicos devem continuar refletindo a desaceleração das economias.










Pedro Paulo Silveira (Economista)
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