quinta-feira, 19 de julho de 2012

Resultados corporativos trazem euforia para os mercados. Copom sinaliza com novos cortes e inflação sobe fortemente.



Hoje o calendário de eventos está congestionado  nos EUA e os mercados estão em forte alta desde ontem, turbinados pelas surpresas positivas trazidas pelos balanços divulgados em Nova York. Segundo a Bloomberg, de 96 ações que fazem parte de algum índice, 70% delas veio surpreendendo para cima as estimativas de resultados dos analistas de mercado. Com resultados melhores, o setor corporativo joga a esperança de a economia não esteja tão ruim como sinalizam os fundamentos ligados ao nível de atividade e mercado de trabalho. Boa parte desse ganhos é resultado da queda dos salários e dos juros reais. Os resultados continuarão no calendário até o fim do mês, com Microsofot, Morgan Stanley, Google e Phillip Morris divulgando seus resultados hoje.

No Brasil o Banco Central divulgou a Ata do último Comitê de Política Monetária, que reduziu a Selic em 0,5%. A autoridade monetária, dentro do habitual discurso vago e generalista, nos sugere que a atividade econômica está mais fraca do que se esperava e que novos cortes virão, ainda que com parcimônia. Novamente o BC utiliza-se da palavra parcimônia, mas pelo comportamento dos juros futuros, que estão em queda, ela não significou uma reversão do quadro de queda dos juros. Ao contrário, por sua permanência em quase todas as Atas, a palavra apenas sugeriu que o BC continuará fazendo aquilo que vem fazendo: reduzindo a taxa básica. Na contramão da atividade econômica global vem a inflação medida pelo IGP-M da FGV, que veio com alta acumulada de 1,11% nos primeiros vinte dias de medição do índice. Essa alta explosiva deve-se ao aumento dos combustíveis (no atacado) e pela alta forte da soja e seus derivados.

A soja vem subindo fortemente, junto com o milho, por conta da quebra da safra dos EUA, maior exportador global, que chega, no caso do milho, a 50% da safra. Com essa quebra, os preços de todos os produtos complementares tendem a subir. É o caso da soja e será o da cana de açúcar, em função do Etanol. Todos esses produtos afetarão a inflação mundial de alimentos em 2012, seja pelo impacto direto, seja pelo indireto, como é o caso dos combustíveis (que já estão sob pressão por conta do bloqueio ao Irã) e da ração animal. Esse evento, inesperado, configura-se com um forte choque de oferta que tende a agravar a situação global, pela pressão dos custos e, sobretudo, pelo efeito que poderá ter sobre os salários reais, que já sofrem forte pressão nos países industrializados. Ainda que esse evento seja visto como positivo pelos mercados, seus efeitos sobre o quadro global são o de aumentar as pressões negativas sobre o nível de atividades. No Brasil, haverá, com certeza, aumento da volatilidade sobre os juros longos, em decorrência do aumento das incertezas sobre o comportamento da inflação no longo prazo.

Na Europa a situação da Espanha continua se agravando. Hoje o tesouro espanhol rolou sua dívida pagando juros estratosféricos, se levarmos em conta o pacote de resgate já acertado para o país. Os mercados continuam aumentando suas apostas na possibilidade de colapso das finanças do país, que poderá começar a se utilizar do fundo de resgate nas próximas semanas. Abaixo o gráfico do jornal El País com o comportamento do prêmio de risco dos títulos espanhóis de 10 anos sobre os juros dos títulos alemães de mesmo prazo:





A forte pressão que os partidários de Angela Merkel estão fazendo para a aprovação legislativa do pacote de apoio à Espanha poderá reduzir as pressões de curto prazo sobre a dívida espanhola e isso deve ocorrer nos próximos dias.

Hoje ainda serão divulgados os dados da pesquisa industrial do FED da Filadélfia, o total de vendas de imóveis usados e os indicadores antecedentes.

No Brasil, a forte alta das commodities beneficia nossa bolsa, em função dos efeitos positivos sobre os resultados de empresas e pela melhora de nossa balança comercial.





Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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