No Brasil o Banco Central divulgou a Ata
do último Comitê de Política Monetária, que reduziu a Selic em 0,5%. A
autoridade monetária, dentro do habitual discurso vago e generalista, nos
sugere que a atividade econômica está mais fraca do que se esperava e que novos
cortes virão, ainda que com parcimônia. Novamente o BC utiliza-se da palavra
parcimônia, mas pelo comportamento dos juros futuros, que estão em queda, ela
não significou uma reversão do quadro de queda dos juros. Ao contrário, por sua
permanência em quase todas as Atas, a palavra apenas sugeriu que o BC
continuará fazendo aquilo que vem fazendo: reduzindo a taxa básica. Na
contramão da atividade econômica global vem a inflação medida pelo IGP-M da
FGV, que veio com alta acumulada de 1,11% nos primeiros vinte dias de medição
do índice. Essa alta explosiva deve-se ao aumento dos combustíveis (no atacado)
e pela alta forte da soja e seus derivados.
A soja vem subindo fortemente, junto com
o milho, por conta da quebra da safra dos EUA, maior exportador global, que
chega, no caso do milho, a 50% da safra. Com essa quebra, os preços de todos os
produtos complementares tendem a subir. É o caso da soja e será o da cana de açúcar,
em função do Etanol. Todos esses produtos afetarão a inflação mundial de
alimentos em 2012, seja pelo impacto direto, seja pelo indireto, como é o caso
dos combustíveis (que já estão sob pressão por conta do bloqueio ao Irã) e da
ração animal. Esse evento, inesperado, configura-se com um forte choque de
oferta que tende a agravar a situação global, pela pressão dos custos e,
sobretudo, pelo efeito que poderá ter sobre os salários reais, que já sofrem
forte pressão nos países industrializados. Ainda que esse evento seja visto como
positivo pelos mercados, seus efeitos sobre o quadro global são o de aumentar
as pressões negativas sobre o nível de atividades. No Brasil, haverá, com
certeza, aumento da volatilidade sobre os juros longos, em decorrência do
aumento das incertezas sobre o comportamento da inflação no longo prazo.
Na Europa a situação da Espanha continua
se agravando. Hoje o tesouro espanhol rolou sua dívida pagando juros estratosféricos,
se levarmos em conta o pacote de resgate já acertado para o país. Os mercados
continuam aumentando suas apostas na possibilidade de colapso das finanças do país,
que poderá começar a se utilizar do fundo de resgate nas próximas semanas. Abaixo
o gráfico do jornal El País com o comportamento do prêmio de risco dos títulos
espanhóis de 10 anos sobre os juros dos títulos alemães de mesmo prazo:
A forte pressão que os partidários de
Angela Merkel estão fazendo para a aprovação legislativa do pacote de apoio à
Espanha poderá reduzir as pressões de curto prazo sobre a dívida espanhola e isso
deve ocorrer nos próximos dias.
Hoje ainda serão divulgados os dados da
pesquisa industrial do FED da Filadélfia, o total de vendas de imóveis usados e
os indicadores antecedentes.
No Brasil, a forte alta das commodities beneficia nossa bolsa, em
função dos efeitos positivos sobre os resultados de empresas e pela melhora de
nossa balança comercial.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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