Ontem, no feriado de São Paulo, o euro
bateu sua menor cotação em um ano, refletindo o aumento das preocupações com
relação à crise espanhola. O euro chegou à sua menor cotação frente ao dólar em
um ano, 1,23, e a dívida espanhola teve mais uma desvalorização, com o prêmio
de risco em relação aos títulos do tesouro alemão subindo novamente para o
patamar de 580 pontos. As bolsas globais, uma vez mais, fecharam em queda,
mostrando que o estado de confiança não melhorou após os anúncios das semanas
anteriores.
Hoje, no entanto, os ministros dos
dezessete países membros da Zona do Euro anunciaram que o pacote de 100 bilhões
de euro para regate do sistema bancário espanhol terá um reforço, de mais 30
bilhões, que poderão ser liberados ao fim desse mês. Isso foi suficiente para
que os mercados melhorassem significativamente hoje, com o euro se valorizando
frente ao dólar e com as bolsas em alta.
Essa iniciativa, apesar de conter
momentaneamente as expectativas dos mercados, pode ser mais uma medida
insuficiente dentre todas as outras que já foram tomadas. Ao mesmo tempo que
que destina mais 30 bilhões para a capitalização do quase falido sistema bancário
espanhol, a ZE aumentou o nível de exigências ao governo espanhol, o que pode
levar ao agravamento da recessão no país. Os ministros aumentaram o tempo para
convergência do país ao déficit de 3%, de 2012 para 2014, mas, como
contrapartida, o nível de intervenção sobre o país aumentará. A troika fará missões a cada dois meses em
Madri para averiguar se as metas estão sendo atingidas. Além disso, foram
colocadas na mesa mais exigências em termos de cortes de gatos e aumentos de
impostos. O próprio governo fala em cortar aposentadorias e seguro desemprego
e, adicionalmente, aumentar o principal imposto sobre consumo, o IVA. Uma vez
mais, essas medidas encaminham o mercado para uma reativa tranquilidade no
curto prazo, mas lançam para as próximas semanas as bases para mais
turbulência.
Hoje o déficit público espanhol está em
6% e sua convergência, se possível, dentro do prazo esperado, para o 3%,
exigirá um sacrifício fenomenal em termos de emprego e crescimento. Esse é um
dilema conhecido de todos e deve voltar a balançar os mercados nas próximas
semanas, a menos que a ZE flexibilize um pouco mais esse “pacote de ajuda”.
A OCDE publicou relatório sobre o
desemprego em seus 34 países membro e ele chegou, em maio, a 7,9%. São quinze
milhões de desempregos desde a crise de 2008. Esse número contempla pessoas que
estão em empregos precários ou que simplesmente abandonaram a busca de emprego
(desalento). O número total de “vítimas’ da crise no mundo desenvolvido passa,
seguramente, dos trinta milhões de pessoas e o prazo para a recuperação desses
postos de trabalho não é, ainda, comensurável. A Espanha é a recordista em
desemprego com uma taxa que chegará a 25,3% em 2012. Abaixo, gráfico do
relatório da OCDE:
A linha cinza, com 21 países da União
Europeia que não a Alemanha, mostra a elevação e depois manutenção da taxa de
desemprego em patamares bem elevados. Já a Alemanha e EUA devem ter uma recuperação
gradativa dos mercados de trabalho.
O pregão deve devolver um pouco de
otimismo, mas devemos manter a postura de cautela em relação à crise europeia.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
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