terça-feira, 10 de julho de 2012

Reunião de ministros da ZE antecipa pacote de ajuda à Espanha.



Ontem, no feriado de São Paulo, o euro bateu sua menor cotação em um ano, refletindo o aumento das preocupações com relação à crise espanhola. O euro chegou à sua menor cotação frente ao dólar em um ano, 1,23, e a dívida espanhola teve mais uma desvalorização, com o prêmio de risco em relação aos títulos do tesouro alemão subindo novamente para o patamar de 580 pontos. As bolsas globais, uma vez mais, fecharam em queda, mostrando que o estado de confiança não melhorou após os anúncios das semanas anteriores.

Hoje, no entanto, os ministros dos dezessete países membros da Zona do Euro anunciaram que o pacote de 100 bilhões de euro para regate do sistema bancário espanhol terá um reforço, de mais 30 bilhões, que poderão ser liberados ao fim desse mês. Isso foi suficiente para que os mercados melhorassem significativamente hoje, com o euro se valorizando frente ao dólar e com as bolsas em alta.

Essa iniciativa, apesar de conter momentaneamente as expectativas dos mercados, pode ser mais uma medida insuficiente dentre todas as outras que já foram tomadas. Ao mesmo tempo que que destina mais 30 bilhões para a capitalização do quase falido sistema bancário espanhol, a ZE aumentou o nível de exigências ao governo espanhol, o que pode levar ao agravamento da recessão no país. Os ministros aumentaram o tempo para convergência do país ao déficit de 3%, de 2012 para 2014, mas, como contrapartida, o nível de intervenção sobre o país aumentará. A troika fará missões a cada dois meses em Madri para averiguar se as metas estão sendo atingidas. Além disso, foram colocadas na mesa mais exigências em termos de cortes de gatos e aumentos de impostos. O próprio governo fala em cortar aposentadorias e seguro desemprego e, adicionalmente, aumentar o principal imposto sobre consumo, o IVA. Uma vez mais, essas medidas encaminham o mercado para uma reativa tranquilidade no curto prazo, mas lançam para as próximas semanas as bases para mais turbulência.

Hoje o déficit público espanhol está em 6% e sua convergência, se possível, dentro do prazo esperado, para o 3%, exigirá um sacrifício fenomenal em termos de emprego e crescimento. Esse é um dilema conhecido de todos e deve voltar a balançar os mercados nas próximas semanas, a menos que a ZE flexibilize um pouco mais esse “pacote de ajuda”.

A OCDE publicou relatório sobre o desemprego em seus 34 países membro e ele chegou, em maio, a 7,9%. São quinze milhões de desempregos desde a crise de 2008. Esse número contempla pessoas que estão em empregos precários ou que simplesmente abandonaram a busca de emprego (desalento). O número total de “vítimas’ da crise no mundo desenvolvido passa, seguramente, dos trinta milhões de pessoas e o prazo para a recuperação desses postos de trabalho não é, ainda, comensurável. A Espanha é a recordista em desemprego com uma taxa que chegará a 25,3% em 2012. Abaixo, gráfico do relatório da OCDE:





A linha cinza, com 21 países da União Europeia que não a Alemanha, mostra a elevação e depois manutenção da taxa de desemprego em patamares bem elevados. Já a Alemanha e EUA devem ter uma recuperação gradativa dos mercados de trabalho.


O pregão deve devolver um pouco de otimismo, mas devemos manter a postura de cautela em relação à crise europeia.


 
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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