Desde sexta os mercados globais não param
de melhorar por conta do acordo europeu para salvamento de sua moeda e, mais
recente, pela crença de que o Banco Central Europeu irá fazer um novo
relaxamento para dar suporte às medidas anunciadas na semana passada. Diga-se
de passagem, é essa crença que tem sustentado os mercados. Não apenas as
bolsas, mas os mercados de moedas e títulos têm apresentado melhora
substancial. Abaixo o gráfico com as altas das principais bolsas, de sexta até
hoje:
Apesar de não representar uma saída para
a situação global, o pacote entusiasmou os mercados e acabou por melhorar o
ambiente no curto prazo. É possível que esse movimento, que já ocorreu por
ocasião do anúncio das operações LTRO do BCE em dezembro, dure mais alguns
pregões. A desvalorização dos ativos globais, tudo indica, encontrou um ponto
de parada.
Para dar uma ajuda ao otimismo, o principal
dado econômico de hoje veio superando as expectativas. As encomendas à
indústria, nos EUA, tiveram alta de 0,7% após caírem 0,6% em abril, superando
as expectativas de alta de 0,1%. Na Espanha o ministério do trabalho anunciou
uma criação de emprego recorde para o mês de junho, em decorrência da forte demanda
para a estação de verão no país. Abaixo, gráfico da Bloomberg sobre os pedidos
à indústria:
Abaixo gráfico do jornal El País sobre o
total de desempregados, que apontou forte redução no mês de junho:
Mas se o mundo está inebriado com a perspectiva,
duvidosa, de melhora das condições no curto prazo, aqui no Brasil o IBGE
divulgou um resultado da produção industrial que marca, definitivamente, a
nossa economia como parte do problema global, apesar de todas as medidas que o governo
esteja tomando. A produção industrial de maio caiu 0,9% segundo a pesquisa
industrial mensal, acumulando uma queda de 3,4% no ano. Todos os setores vem
apresentando queda e a indústria vai colaborar decisivamente, junto com o setor
externo, na performance do PIB de 2012 próxima à nossa projeção de 1,3% - 1,7%.
O gráfico abaixo mostra o comportamento da indústria, desde 2007, passando pela
crise de 2008:
Como pode ser observado, a indústria caiu
21% na crise de 2008, entre setembro e dezembro. Recuperou-se em quinze meses,
após uma alta de 25%, entre dezembro de 2008 e maio de 2010. O maior valor da
série foi obtido em maio de 2011 e dali caiu 6% ao nível de produção observado
hoje.
O
que mais chama a atenção é que apesar de ter conseguido uma forte recuperação,
a queda de 2008 foi muito violenta. Além disso, a recuperação não conseguiu se
sustentar por muito tempo. Hoje o nível da produção industrial é o mesmo de
janeiro de 2008. Olhando a produção industrial por categorias, vemos que o
principal tombo foi o de bens de capital:
A produção de bens de capital reflete o
comportamento dos Investimentos, que temos acompanhado de perto e que julgamos
ser os principais responsáveis pela aceleração/desaceleração da economia. É
fácil notar que a forte queda de 2008 foi seguida por uma recuperação que se
esgotou e que se transformou em queda. Apesar do repique de 2012, ela voltou a
ciar fortemente. Já o consumo, apontado por alguns como o grande vilão da
crise, tem um comportamento mais moderado, tanto na queda como nas altas
recentes.
Dessa forma a queda da produção
industrial confirma um diagnóstico para a nossa desaceleração que contesta os
diagnósticos feitos meses atrás por vários analistas, do governo inclusive:
·
A
desaceleração ocorre por conta da queda dos investimentos;
·
Ela não
se detém com as medidas pontuais que o governo possa tomar para mitiga-la;
·
A
crise global, que tem seu âmago na Europa, é a causa fundamental para a
desaceleração dos Investimentos.
Ainda faremos uma nova avaliação para
saber se nossa projeção para o PIB de 2012 se mantém com essa produção
industrial de maio. Mas é quase certo que o PIB do segundo trimestre não tem
motivo algum para ser melhor que o do primeiro. Um ambiente de incertezas é o
que reduz efetivamente os Investimentos, mais do que qualquer coisa que possa
ser apontada por algum analista. O cenário atual tem mostrado o crescimento das
incertezas, que acaba se refletindo no aumento da volatilidade dos indicares.
Esse aumento da volatilidade, por sua vez, volta a gerar ainda mais incertezas.
É dessa forma que o Estado de Confiança dos empresários vai sendo minado e se
transforma em redução das decisões de Investimento. O crescimento do Brasil em
2012 ainda está com sua estimativa sem definição dado o ambiente de elevadas
incertezas.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
3027-3101 Email: pedrosilveira@tov.com.br
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