segunda-feira, 23 de julho de 2012

O derretimento dos mercados se aprofunda.



Dando continuidade ao processo de deterioração do estado de confiança dos mercados, as bolsas, os mercados de dívida soberana e de moedas estão mergulhando novamente. Com quedas fortes na Ásia (a bolsa de Hong Kong caiu 3%), na Europa (a bolsa alemã cai 3,3%) e no Brasil, fica claro que os temores a respeito da piora das condições econômicas globais estão aumentando.

As expectativas em relação à desaceleração da economia chinesa tiveram nova rodada de previsão de queda, com a possibilidade, agora, de um crescimento de 7,4% segundo o banco central. Na Espanha, a dívida negociada no mercado secundário continua a derreter, batendo novo recorde. Abaixo o gráfico do jornal El País:







Para tentar segurar as bolsas, o governo, por meio de sua Comissão de Valores Mobiliários (CNMV), proibiu por três meses as operações de venda descoberta na bolsa de Madrid. Sem a intervenção do BCE, os títulos da Espanha e da Itália continuam a cair fortemente. O governo italiano também proibiu as vendas de ações a descoberto.

Para colaborar para o estado de pânico, as perspectivas em relação à Grécia voltaram à agenda. É tida, cada vez mais, como provável, a saída do país da zona do euro. Os analistas aumentaram suas apostas na tese de que o país não conseguirá cumprir suas metas junto à Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) e que, portanto, não receberá os recursos no âmbito do pacote de ajuda. Esse evento ainda não estava precificado e, portanto, amplia as preocupações dos investidores.

O Brasil reage como era de se esperar: bolsa em queda forte, dólar em alta e juros para baixo. A FGV divulgou hoje o IPC-S semanal e ele veio dentro das expectativas, com alta de 0,28%. O Ministério do Trabalho divulgou o CAGED, com o número de contratações de carteira assinada de junho. O mercado apostava entre 140 e 150 mil vagas; foram criadas 120 mil. Esse dado, com certeza, motivará uma ampla rodada de discussão na imprensa sobre a “perda de dinamismo da economia brasileira” e discursos não menos temperados por parte dos políticos. Mas o fato é que o mercado de trabalho ainda não sofreu os impactos da crise externa que vem desacelerando nossa economia. A diminuição na criação de vagas já pode ser um sintoma disso, mas nossa expectativa é a de que o quadro piore mais um pouco daqui para a frente. Não há perspectiva de manutenção do aquecimento do mercado de trabalho com os Investimentos em queda. Por mais que o governo, políticos e vários analistas coloquem um viés doméstico na atual desaceleração brasileira, ela está totalmente vinculada à crise global. O máximo que o governo conseguirá fazer, é remendar algo aqui ou acolá; o evento da crise, como um todo, não conseguirá ser evitado. Daí que seja absolutamente racional a reação que o mercado vem tendo, seja nas bolsas, seja no câmbio. Não há como sustentar preços elevados nos ativos reais e a mesma taxa de câmbio que o país exibia nos seus momentos de maior dinamismo. Por mais que as taxas de juros baixas produzam alguma compensação, o efeito desaceleração da economia sobre os preços é mais importante no momento.

Mantemos o nosso “call”: a menos que os políticos europeus façam um milagre e consigam mudar sua orientação de atual de combater a crise com recessão, a economia global continuará a mostrar os sintomas de uma recessão forte. Como reação a isso, o pessimismo deve continuar a jogas os preços para baixo em escala também global. O segundo semestre começou mostrando o que já esperávamos. A crise global vai se agravar.



Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


Disclaimer:
"Este informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins."

 

Nenhum comentário: