Dando continuidade ao processo de
deterioração do estado de confiança dos mercados, as bolsas, os mercados de
dívida soberana e de moedas estão mergulhando novamente. Com quedas fortes na
Ásia (a bolsa de Hong Kong caiu 3%), na Europa (a bolsa alemã cai 3,3%) e no
Brasil, fica claro que os temores a respeito da piora das condições econômicas
globais estão aumentando.
As expectativas em relação à desaceleração
da economia chinesa tiveram nova rodada de previsão de queda, com a possibilidade,
agora, de um crescimento de 7,4% segundo o banco central. Na Espanha, a dívida
negociada no mercado secundário continua a derreter, batendo novo recorde.
Abaixo o gráfico do jornal El País:
Para tentar segurar as bolsas, o governo,
por meio de sua Comissão de Valores Mobiliários (CNMV), proibiu por três meses
as operações de venda descoberta na bolsa de Madrid. Sem a intervenção do BCE,
os títulos da Espanha e da Itália continuam a cair fortemente. O governo italiano
também proibiu as vendas de ações a descoberto.
Para colaborar para o estado de pânico,
as perspectivas em relação à Grécia voltaram à agenda. É tida, cada vez mais,
como provável, a saída do país da zona do euro. Os analistas aumentaram suas
apostas na tese de que o país não conseguirá cumprir suas metas junto à Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) e
que, portanto, não receberá os recursos no âmbito do pacote de ajuda. Esse evento
ainda não estava precificado e, portanto, amplia as preocupações dos
investidores.
O Brasil reage como era de se esperar:
bolsa em queda forte, dólar em alta e juros para baixo. A FGV divulgou hoje o
IPC-S semanal e ele veio dentro das expectativas, com alta de 0,28%. O
Ministério do Trabalho divulgou o CAGED, com o número de contratações de
carteira assinada de junho. O mercado apostava entre 140 e 150 mil vagas; foram
criadas 120 mil. Esse dado, com certeza, motivará uma ampla rodada de discussão
na imprensa sobre a “perda de dinamismo da economia brasileira” e discursos não
menos temperados por parte dos políticos. Mas o fato é que o mercado de
trabalho ainda não sofreu os impactos da crise externa que vem desacelerando nossa
economia. A diminuição na criação de vagas já pode ser um sintoma disso, mas
nossa expectativa é a de que o quadro piore mais um pouco daqui para a frente.
Não há perspectiva de manutenção do aquecimento do mercado de trabalho com os
Investimentos em queda. Por mais que o
governo, políticos e vários analistas coloquem um viés doméstico na atual desaceleração
brasileira, ela está totalmente vinculada à crise global. O máximo que o
governo conseguirá fazer, é remendar algo aqui ou acolá; o evento da crise,
como um todo, não conseguirá ser evitado. Daí que seja absolutamente racional a
reação que o mercado vem tendo, seja nas bolsas, seja no câmbio. Não há como
sustentar preços elevados nos ativos reais e a mesma taxa de câmbio que o país
exibia nos seus momentos de maior dinamismo. Por mais que as taxas de juros
baixas produzam alguma compensação, o efeito desaceleração da economia sobre os
preços é mais importante no momento.
Mantemos o nosso “call”: a menos que os
políticos europeus façam um milagre e consigam mudar sua orientação de atual de
combater a crise com recessão, a economia global continuará a mostrar os
sintomas de uma recessão forte. Como reação a isso, o pessimismo deve continuar
a jogas os preços para baixo em escala também global. O segundo semestre
começou mostrando o que já esperávamos. A crise global vai se agravar.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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