A imprensa europeia confirmou os rumores
de que há uma articulação entre o BCE e as lideranças da União Europeia, para concretizar
uma ação para deter o colapso das dívidas soberanas da Espanha e da Itália. As
bolsas fecharam ontem em forte alta e o mesmo ocorreu nos mercados de dívidas e
moedas. Hoje o prêmio de risco da Espanha está sendo negociado a 540 pontos, depois
de ter atingido 640 ontem. Os mercados aumentaram sua confiança com o anúncio
da taxa de crescimento do PIB dos EUA em 1,5%, acima dos 1,4% esperados pelo
mercado.
Hoje a bolsa de Madrid sobe mais de 1% e
já acumula alta de 8% em relação à mínima atingida no dia 24 desse mês. No ano
a queda é 25% e em doze meses de 33%. Hoje foi divulgada a taxa de desemprego
do país e ela subiu para 24,6% em junho. Hoje são mais de 5,5 milhões de
pessoas procurando emprego na Espanha. Abaixo o gráfico do El País sobre a
quantidade de desempregados:
Apesar desse dado representar uma
tragédia econômica para o país, o resgate da dívida soberana poderá,
efetivamente, trazer algum seguro para a economia global. Hoje os riscos mais
elevados para o colapso da dívida soberana estão associados à saúde do sistema
financeiro europeu, que financia a dívida da Espanha e da Itália, de 1,5
trilhões de euros. Se o país ficar insolvente, leva o sistema bancário europeu
ao colapso, com um contágio capaz de tornar a Zona do Euro inviável. É bastante
razoável pensar que os dirigentes europeus deixem de lado suas reservas quanto
à possibilidade de constituir um fundo ou aumentar a capacidade de emissão do
BCE. Merkel e Draghi devem correr contra o tempo para “escorar” esses mercados,
já que a falta de um anúncio de peso poderá fazer com que o mercado entre em
pânico rapidamente. Nós brasileiros tivemos inúmeras experiências nesse
sentido, seja na administração das crises de balanço de pagamentos, seja na administração
dos planos de estabilização monetária em governos politicamente frágeis, como
Sarney, Collor e Itamar.
O avanço do desemprego e da recessão na
Espanha é “o” problema de médio prazo da Zona do Euro já que, mesmo “escorando”
o mercado de dívidas soberanas, a forte recessão, associada à compressão de 6%
dos gastos públicos nos próximos trinta meses, fará com que o país enfrente uma
depressão. Nesse caso, a Espanha poderá tornar-se, finalmente, incapaz de
gerenciar o setor público, já que a depressão é acompanhada, sempre, de forte
queda das receitas governamentais; esse é o quadro atual da Grécia. A pressão
feita pela Comunidade Europeia para “ajustar” as finanças públicas da Espanha
pode jogá-la definitivamente no precipício.
Avaliar o desenvolvimento da crise da
Europa implica nessa distinção entre os efeitos de curto prazo dos pacotes de
resgate (feitos para a Grécia e as operações LTRO) e suas implicações de médio
prazo. Todas as iniciativas de Merkel e Draghi apenas retardaram a implosão dos
países que estavam sendo resgatados. Há, portanto, um limite para o entusiasmo dos
mercados quanto ao possível pacote de regate a ser anunciado agora. Se os
dirigentes não aprovarem um pacote maciço, repetiremos o segundo semestre do
ano passado. Dessa vez porém, trata-se de Espanha e Itália e não da Grécia.
Nos EUA o anúncio do PIB trouxe certo
alívio, já que superou um pouco as expectativas, vindo em 1,5% de alta
anualizada. O aspecto ruim é a alta dos gastos pessoais caiu de 2,4% no
primeiro trimestre para 1,5% no segundo. Os resultados divulgados continuam a
mostrar as corporações americanas em bom estados e hoje foi a vez da Merk &
Co. anunciar um lucro superior ao estimado: US$ 1,05 dólar por ação contra US$
1,01. O Facebook, por sua vez, trouxe um resultado negativo de US$ 0,08 por
ação contra uma expectativa de US$ 0,09, fazendo a ação cair 13%. A perda
acumulada desde sua emissão é de 40%, para desespero dos investidores.
Mesmo com toda a volatilidade, a bolsa
brasileira deve fechar valorização na semana, acima de 1%.
Bom final de semana!
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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