terça-feira, 24 de julho de 2012

Os mercados buscam espaço para “respirar”.



A avalanche de dados ruins parece não terminar. Hoje os dados de PMI - pesquisa que avalia as condições da economia, feita por uma consultoria privada -  saíram confirmando a piora contínua das condições da economia europeia.  Elas não pouparam, inclusive, a Alemanha. Um número abaixo de 50 indica contração da atividade, e o conjunto da zona do euro está em contração, com o índice em 46,4. Na Alemanha o índice bateu 43,3 para a indústria e 47,3 para o composto (serviços e indústria). O indicador prévio do PMI chinês foi divulgado na madrugada e veio um pouco melhor que o anterior, subindo de 48,2 para 49,5, mas ainda abaixo dos 50. Para ajudar o cenário pessimista, a Moodys, agência de classificação de riscos, rebaixou a perspectiva de notas para a Alemanha, Holanda e Luxemburgo. Na Espanha, a Cataluña se juntou à província de Valencia e pediu socorro ao fundo de resgate do governo central, indicando que está à beira da insolvência. Os títulos da Espanha e da Itália continuam a cair fortemente, com o espanhol batendo 7,6% para o bônus de dez anos.

Nos EUA, o PMI veio em 51,8, ante a uma expectativa de 52,8 e abaixo dos 52,9 obtidos em maio. O indicador caminha consistentemente para a contração, confirmando a tendência de todas as outras medidas, que mostram que o EUA estão precisando de mais estímulos para evitar a recessão.

Ainda que que as notícias sejam inquestionavelmente ruins, hoje o mercado se concentrará, novamente, nos resultados corporativos. A Apple divulgará o seu resultado, esperado em US$ 10,40 por ação e Du Pont em US$ 1,47. Das grandes, Loockheed Martin surpreendeu para cima, vindo com US$ 2,77 ante o esperado de US$ 1,91 e Whirpool com US$ 1,55 ante US$ 1,64.

No Brasil, após a decepção com o lucro do Bradesco, ontem, o mercado viu com otimismo a queda de 3% do lucro do Itaú Unibanco e o papel sobe quase 4%. É importante ressaltar, uma vez mais, que a forte alta do estoque de operações de crédito nos ativos dos bancos, e que hoje chegam a 50% do PIB brasileiro, passa a atuar, agora, como um peso nas condições econômicas. O aumento da inadimplência, resultante da desaceleração da economia e do próprio aumento do estoque de crédito, reduz o apetite dos bancos por novas operações e, assim, o aumento do estoque do crédito vai diminuindo de velocidade, induzindo a uma desaceleração da taxa de crescimento do consumo, sobretudo dos bens duráveis. Se a desaceleração da economia for pior, levando a uma deterioração do mercado de trabalho, o crédito às pessoas físicas piora exponencialmente e, junto com ele, piora os balanços dos bancos. Se as empresas não conseguem reagir à desaceleração, elas mesmas passam a se tornar inadimplentes, piorando, uma vez mais, as condições dos ativos bancários. Esse ciclo, vicioso, tende a acontecer em todos os processos de desaceleração, sendo piores na proporção direta da queda do nível de atividade, da taxa de desemprego e da participação do crédito nos ativos dos bancos. É possível que a piora da economia brasileira, arrastada pela crise global, tenha como fator de aceleração esse ciclo, que foi positivo nos anos de expansão.

Tudo indica que caminhamos para uma situação de “profecia auto realizada”, no qual as condições ruins das economias europeias levam o mercado a piorá-las até o ponto em que há uma ruptura, como foi o caso da Grécia. A piora dos indicadores econômicos e das condições de mercado das dívidas soberanas, associados à ausência de governança global para essa crise, tornam a “profecia” quase inevitável.  Hoje, no entanto, o mercado parou para respirar.





Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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